Indiana Jones e o Templo da Perdição (Steven Spielberg, 1984)

A série Indiana Jones sempre foi elogiada por recuperar e trazer o espírito libertador dos antigos filmes de aventura, das sessões de matinê nos anos 40. Os temas não deixam de combinar, seja às vezes na mistura de histórias e lendas bíblicas com contextos do nazismo (tema do primeiro e do terceiro filme), entre outras.

“O Templo da Perdição”, para alguns, aparece como patinho feio da saga. Talvez por não ter nazistas como vilões, talvez por Indy não salvar o mundo de algo perto de um cataclisma tão intenso quanto nas outras edições – a questão que talvez seja é que, basicamente, “Os Caçadores da Arca Perdida” e “A Última Cruzada” tenham mais a ver entre si do que com “O Templo”.

O consenso, sem mais nem menos, é que “O Templo” é o mais descompromissado, divertido e escapista (o que, para a maioria, leva ao raciocínio de que é vazio). Talvez por isso é que tem característiscas que o levam a vê-lo como o mais Indiana Jones de todos. Pense em como Spielberg vai conduzindo tal narrativa, em como Indy vai descobrindo a trama e os perigos, em como acaba conhecendo a mulher deste filme, ou no pequeno garoto oriental colocado como alívio cômico (bobo, para muitos). Em contraponto, alguns relacionam momentos de “O Templo” como os mais punks da série – é só lembrar dos momentos com a tribo vilã e do ritual que beira o gore.

É de se pensar: colocar nazistas como vilões é uma alternativa fácil para qualquer narrativa, é quase politicamente correto. Não que “Os Caçadores” e “A Cruzada” padeçam de tal mal; mas a comparação politicamente correta a ser feita é que a segunda edição acaba ficando com o infeliz rótulo de despropositado e sem sentido lógico com o mundo real. Prato cheio para os que adoram procurar uma razão em tudo, um vício em ver as velhas lições de moral em tudo o que procura.

Talvez nunca seja inútil repetir aquela conversa que para alguns já virou ladainha, que não só filmes, como qualquer obra de arte, quando são sentidos atingem bem mais e são bem mais completos e efetivos, por assim dizer, do que quando pensados.

Afinal, se você reduzir a trilogia (agora quadrilogia em 2008) a um único propósito, é difícil encontrar e se encantar com alguma coisa. No caso d'”O Templo”, as cenas nos lagos, no templo, nos carrilhões, nos corações arrancados, no bar, o Indy escondido, os eternos bichos asquerosos no meio do caminho atrapalhando, tudo na produção e condução que merecem, cenas que falam por si só. “O Templo da Perdição” é o que eleva o conceito da série ao mais alto, é o que mais exagera, na diversão, no humor, na tensão, no ritmo. Alguns não gostam de exageros, mas a partir do momento em que você embarca na aventura, junto com Indy e Spielberg, é que você percebe e sente o máximo que a saga podia transmitir. Está tudo lá sintetizado: tem a tensão de uma aventura super-produção, os contrastes entre o alívio cômico e uma trama pseudomacabra, cenas de quase comédia romântica com outras de quase terror, tudo feito na maior naturalidade, tamanha a relação entre a expressão de Harrison Ford quando vê um montão de sangue e quando conversa com o garoto ou com Kate Capshaw. Uma aventura de matinê nostálgica, uma sensação gostosa em ir num espírito de um bom tempo atrás. Alguns diriam “só isso?” quando é “tudo isso”.

4/4

Pedro Kerr

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Os Caçadores da Arca Perdida (Steven Spielberg, 1981)

Bem ao modelo de James Bond, Steven Spielberg dá início à sua primeira aventura em torno das inesquecíveis jornadas do arqueólogo Henry Jones Jr. com um prólogo que praticamente resume toda a atmosfera da série: o nosso herói, depois de saquear – com nobres intenções de preservação – certo objeto histórico em uma caverna do sul da América, precisa fugir dos mecanismos de defesa daquele lugar místico, que com o tempo passam de meras armadilhas, teias de aranha e buracos a nativos selvagens, parceiros traidores e até mesmo uma pedra gigante que rola em sua direção.

Spielberg talvez não soubesse, mas com esta homenagem às matinês aventurescas que freqüentava quando criança estava redefinindo os rumos que tanto o cinema pipoca quanto o gênero ‘pega-pega’ trilhariam a partir de seu lançamento, bem ao início da década de 1980 – provocando nitidamente um reflexo direto em toda a produção hollywoodiana desse período e gerando milhares de releituras/homenagens/cópias vagabundas que pretendiam fazer uso do mesmo misto entre ação e comédia, mas sem jamais conseguirem um resultado tão brilhante -, de quebra ainda construindo sua obra-prima, à frente de outros grandes filmes como Encurralado, Jurassic Park e, mais recentemente, Minority Report.

Mais do que um ponto de encontro entre o velho modelo de aventura e a nova geração cinematográfica, pode-se dizer que Os Caçadores da Arca Perdida seja um dos maiores exemplos de iconicidade – tanto de personagens quanto de situações – cinematográfica e de como se conduz uma aventura dentro dos padrões atuais de ritmo e de montagem. Aliás, indo um pouco mais além, pode-se dizer que Spielberg fundamentava com este filme o verdadeiro oposto ao cinema tradicionalista do maior contador de estórias da velha Hollywood, Howard Hawks, desregulando o ritmo paradoxal de seu mestre, que atingia um grau inexplicável de cadência sempre fluente – mas sem trocar de marcha nem mesmo no clímax -, a fim de produzir uma nova visão de passeio completamente oposta, onde a fluência se dá justamente por tornar a freneticidade linear – algo que o próprio Hawks já havia feito em filmes como Jejum de Amor e À Beira do Abismo, mas ainda à moda antiga.

É uma condução exemplar, que dá forma à verdadeira essência da capacidade de Spielberg em mergulhar o espectador na mais improvável das estórias e transformar tudo em um mundo mais crível do que o de qualquer filme-denúncia dinamarquês. Seu ritmo é ininterrupto, suado, e deixa caminho sempre aberto para que a impressionante capacidade de renovação em termos de trama possa surpreender o espectador com uma sucessão extasiante de momentos divertidos, engraçados e tensos, dosados numa mesma medida – e talvez a imagem mais curiosa disso tudo seja o embate entre Indy e um espadachim árabe, que fica girando a espada incessantemente como forma de provocar e amedrontar seu opositor. O que Indy faz? Simplesmente saca uma arma e mata o cara com um tiro. Um gesto rápido e certeiro, assim como a montagem entre as seqüências, em geral cheias de correria, porém sempre enxutas. É ‘pá’ e ‘vamos pra próxima’.

Mas isso tudo talvez não fosse tão marcante se a aventura de constantes vai-e-vens entre o arqueólogo aventureiro e seus carrascos nazistas, que têm interesse pelo mesmo artefato que promove a jornada de Indy através do deserto – a busca pela tal Arca Perdida do título; na realidade, um dos exemplos mais consistentes de McGuffin do cinema -, não tivesse embalo da música espetacular de John Williams, mais evocativa e marcante do que qualquer outra composta pelo habitual maestro de Spielberg. É um casamento tão indispensável, esse entre a imagem e a trilha de Indiana Jones, que pode-se atribuir metade da iconicidade do filme à própria música. A outra metade, além da parcela de Spielberg, fica por conta de Harrison Ford e seu chicote, uma figura de elementos indissolúveis até hoje estagnada na elite da consciência cinematográfica popular.

4/4

Daniel Dalpizzolo

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O Mensageiro Trapalhão (Jerry Lewis, 1960)

A fundamentação de boa parcela conceitual da comédia contemporânea pode ser atribuída a este primeiro filme de Jerry Lewis sob a condição de diretor – depois de muitos anos de sucesso como veículo cômico cinematográfico -, em especial pela dependência exclusiva de O Mensageiro Trapalhão da própria figura do ator, característica que se transformaria praticamente em uma regra nesses anos de Jim Carrey, Steve Carrel e seus seguidores.

Lewis é o próprio filme; participa de todas as cenas, realiza todas as ações, e inclusive ergue um monumento a ele mesmo nas seqüências em que o próprio Jerry Lewis, o astro, chega ao hotel para participar de um evento – e sofre com o excesso de dedicação de seus empregados. Pode parecer coisa de chato, mas duvido muito que alguém ainda consiga rir de Carrey depois de ver Lewis em ação – o que eu precisei apenas de 15 minutos de O Professor Aloprado pra constatar, e confirmei de vez vendo este. 

Particularidades a parte, O Mensageiro Trapalhão é uma delícia. Todo desligado de qualquer formatação narrativa, sem trama, sem coerência, sem vergonha; é uma sucessão de trapalhadas independentes e dono de algumas das piadas mais engraçadas já contadas no cinema – desafio alguém a não rir de Lewis tirando a ‘bagagem’ do ‘porta-malas’ do fusca, ou então da dezena de homens que descem da limusine na chegada do astro ao hotel, ou do mensageiro regendo uma orquestra imaginária, ou de qualquer outro momento cômico, na realidade.

E o mais curioso, aliás, é que Lewis não esconde o fato de ser um filme de improviso, feito às pressas, e acaba transmitindo uma irregularidade muito grande no andamento, mas ao contrário do que se pensa, parece que de nada interessa tudo isso – ou realmente não interessa mesmo. As piadas ficam distantes uma das outras – não é um filme de riso constante -, e no fim isso acaba ajudando, porque pra cada uma delas é preciso de no mínimo cinco minutos de recuperação de fôlego, antes de se aventurar pela próxima sessão de cãibras abdominais.

E nem mesmo o fato de algumas gags terem se tornado exageradamente clássicas – problema que filmes precursores sempre sofrem – tira o brilho do filme, porque muitas pessoas podem fazer um filme de oitenta minutos sobre o dia-a-dia da vida de um abobado, mas somente Lewis filmou oitenta minutos de Lewis fazendo o que melhor sabia fazer: brincando com sua persona cinematográfica. É por isso que O Mensageiro Trapalhão se sobressai a todas as imitações. 

3/4

Daniel Dalpizzolo

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O Rei de Nova York (Abel Ferrara, 1990)

Abel Ferrara filma a primeira parte de sua ‘dança da morte’, que retomaria em seu filme seguinte, Vício Frenético, mas dando uma abordagem completamente diferente à ação e ao universo em que se insere. O Rei de Nova York deve ser o filme que melhor trabalha o gênero cinematográfico dentro do cinema do diretor – sem deixar a iconoclastia de lado em nenhum momento, naturalmente -, e ainda assim poderia ser apontado como um dos trabalhos mais pessoais, ou então representativos, da carreira dele. Talvez por isso mesmo seja tão fascinante e tenha se transformado ao longo dos anos em seu filme mais popular.

Como de costume, existe o corte total dos dois primeiros atos – e não é raro ele fazer filmes de um ato só -, que pouco importam a Ferrara, começando o filme exatamente de onde há o princípio dos últimos passos em vida – física – do magnata do tráfico de drogas interpretado por Christopher Walken – justamente quando consegue se ver livre da prisão, onde passou muitos anos recluso, brincadeira típica do cinema de Ferrara e que dessa vez, ao contrário do que faz em Vício Frenético, acontece nos primeiros segundos do filme, e não no fim.

O que mais impressiona nesse Rei de Nova York, porém, é a facilidade com que ocorre toda a diluição entre as camadas sociais desse império nova-iorquino, impecável mesmo quando pretende deixar implícito por detrás da imagem a questão de proximidade entre céu e inferno que ele tanto gosta de trabalhar, e que é feita da maneira mais elucidativa possível, promovendo um ponto de fusão indissolúvel entre a elite e o baixo calão do crime metropolitano – que tem como exemplo mais óbvio a instalação do forte particular do ‘chefão’ num hotel de luxo pra tratar de negócios com traficantes negros e promover orgias e bebedeiras.

O entrecorte dos últimos dias de Frank pelas seqüências em que mostram a relação pessoal e de trabalho entre os policiais, aliás, também facilita e engrandece a exploração dessas facetas de elite e escória, lei e crime, derretendo definitivamente a barreira entre o bem e o mal – em especial através das brilhantes seqüências que abordam o desejo de vingança pelo qual se dá a empolgação dos oficiais para com a captura do criminoso – que, aliás, é mais uma grande incógnita de Ferrara, e um dos melhores personagens de Walken, inclusive tratando ao mesmo tempo da construção de um hospital para o bairro em que vive e da negociação de 15 milhões de dólares em cocaína – seu discurso no encontro com o policial, bem ao fim do filme, deixa isso tudo ainda mais misterioso, juntamente com as referências a Nosferatu e a um ou dois planos vampirescos.

O momento mais espetacular – em todos os sentidos – de O Rei de Nova York, por sinal, ocorre justamente quando esses policiais põem à prova seu desejo de vingança, invadindo uma festa que serviria para negociação de drogas. A seqüência deve durar pelo menos uns 15 minutos, desde o princípio da festa até o momento em que se conclui o tiroteio entre as partes. E mais do que seu teor, o que fascina é a técnica brilhante, ágil e linda que embala uma seqüência de ação das mais empolgantes. Ferrara transforma a noite em um imenso painel azul, que em determinados momentos vai sendo rompido pelas luzes artificiais de postes, lâmpadas, reflexos, tiros, o que for, e ganha uma ajuda importantíssima da chuva que esbarra nos vidros dos automóveis nos momentos de perseguição. É um belíssimo contraste com a decupagem sufocada de outros filmes seus, principalmente de Os Chefões, sempre escuro e lacrado em ambientes pequenos, mas ainda assim não é suficiente pra tirar da seqüência sua força de horror, já que a ação é tão cruel quanto qualquer outra. E é meu momento preferido do filme, ainda que o final seja tão maravilhoso – é o final mais atmosférico já filmado – que se transforme rapidamente em um concorrente direto e perigosíssimo para o posto.

4/4

Daniel Dalpizzolo

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Vício Frenético (Bad Lieutenant – Abel Ferrara, 1992)

Vício Frenético é como o choro final de Harvey Keitel: seco; duro; sufocado; doído. Desde o primeiro momento, Abel não mede gestos e nem faz concessões, de forma semelhante ao que realiza em todo grande filme seu [e que filme de Ferrara não é grande, eu perguntaria]. É um cinema de extremos, onde as portas para o céu e para o inferno ficam frente a frente no corredor do purgatório. E o que parece impressionante em um momento, como a cena de abertura, quando, depois de deixar seus filhos na porta da escola, com o carro ainda parado em fila dupla, o Tenente viciado e desamparado puxa um papelote de coca pra cheirar, acaba se tornando uma imagem corriqueira depois que outra, e mais outra, e mais outra tão ou mais intensas vêm pra enterrar os conceitos de limites que construímos para o próprio filme.

Ao mesmo passo que fotografa uma verdadeira descida ao inferno, onde o mal é combatido com o mal e o bem fica muito mais como uma grande ilusão intelectual, Ferrara transforma este Vício Frenético em um filme de dupla personalidade – mas sem distingui-las jamais. E tudo não passa de um reflexo da própria condição do protagonista, que em sua doença esconde todo o penar que lhe castiga, mas que permanece sufocando e matando por dentro – e é uma tremenda sacanagem que a exteriorização disso tudo seja feita justamente quando consegue liberar seus demônios, tanto na cena da igreja, onde imagina Jesus Cristo e implora-lhe perdão, quanto na própria ação de libertar das conseqüências aqueles jovens criminosos que estupram a freira – num misto de boa e má ação, o que não poderia ser mais fiel à dualidade de sentimentos que fazem dele um dos anti-heróis mais complexos do cinema.

E essa grande ilusão entre o castigo e a redenção – que em muitos momentos é tratada como tal, principalmente na construção de toda a atmosfera onírica evocada por um ou outro elemento de cena, quase sempre a iluminação – é registrada com uma frieza assustadora, como se o próprio personagem impusesse à câmera os limites para a dissecação de sua dor e de seu mergulho predestinado ao afogamento. E ainda assim o filme consegue ser de uma intensidade dominadora, e talvez seja por isso que o final, totalmente traiçoeiro, deixe uma sensação tão desconfortável, ainda que seja sabido que a própria ação nada mais é do que uma concretização daquilo que o homem havia tentado fazer consigo o filme todo, só que não conseguia por a ação vir de dentro, de um ponto que já não acompanhava mais aquela caminhada desorientada e, portanto, não respondia.

Pode-se dizer com facilidade que Vício Frenético resume em prática grande parte do cinema de Ferrara – embora não seja sua maior obra-prima, posto que é seguro a New Rose Hotel, a maior extremidade do experimentalismo com a tenuidade da imagem e um filme tão transgressor quanto fundamentador de conceitos, todos estes ainda inaplicáveis ao cinema contemporâneo – e que deverão sofrer com isso por mais uns 30 anos, pelo menos. Mas acho que nem mesmo todo o conjunto consegue ser tão expressivo e melancólico quanto o monólogo que a amiga viciada de Keitel profere em sua última participação no filme, um discurso que praticamente define em duas dúzias de palavras o que muitos realizadores tentaram transmitir com uma carreira inteira – e até mesmo Ferrara provavelmente nunca havia sido tão claro.

Isso, junto do momento em que o diretor questiona a culpa e o perdão católicos, naquele encontro traumático entre a freira e o protagonista na igreja, estão certamente entre as coisas mais marcantes que eu já vi em um filme. “Jesus transformou a água em vinho. Eu deveria ter transformado esperma amargo em esperma fértil, ódio em amor, e talvez ter salvado a alma deles. Eles não me amaram mas eu deveria tê-los amado”.  Sufoca apenas reproduzir isso aqui pro computador. Imagina só, então, a cabeça de quem escreveu uma coisa dessas.

4/4

Daniel Dalpizzolo

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Os Viciosos (Abel Ferrara, 1995)

A genialidade de Ferrara não se instala simplesmente no fato de apresentar uma estória de vampirismo de forma absolutamente diferente de tudo o que já foi filmado, sem citar uma única vez qualquer termo que remeta à maneira óbvia de se ver o problema – o sobrenaturalismo – e multifacetando a condição metaforicamente para apresentar sua visão sobre uma Nova York – representando o mundo – tomada por vícios, mas sim na maneira como consegue construir um grande e desparametrizado universo ficcional sem tirar o pé do real, desenvolvendo, assim, um verdadeiro tratado filosófico sobre a natureza humana, de deixar qualquer teoria nietzschiana no chinelo.

 

E sua iconoclastia toma aqui proporções desesperadoras, sufocando a degradação da protagonista, estupendamente carnificada por Lili Taylor, em um percurso de extremos, inserido em um governo ruidoso e conduzido por aquele velho lado traiçoeiro da moeda mais antiga, o maior inimigo da humanidade, o mal. Mas o que Abel faz é simplesmente subverter os papéis. Para ele, é o mal o grande vício do ser humano; um estado de renovação; a heroína injetada na veia; a forma mais precisa de se esconder da realidade. Um vício que vem de dentro, que é a essência, é o espírito. E tudo o que precisamos fazer é alimentá-lo. Com sangue; com carne; com vida.

 

Acredito que poucas intervenções de personagens passageiros em meio ao trajeto de um protagonista sejam tão importantes quanto os poucos dez minutos em que Christopher Walken participa de Os Viciosos – tanto é que seu nome aparece por segundo nos créditos de abertura. Walken é o microcosmo dessa visão de Ferrara dentro da instituição social, dono de toda a consciência que existe sobre a problematização – e o corte entre as duas seqüências que participa, na rua, onde o espaço que ocupava na tela é preenchido por um forte, estourado e reluzente feixe de luz, praticamente resume todo o filme em apenas um segundo.

 

E nada é mais certeiro do que pontuar esse universo com recortes de imagens icônicas de guerras, já que a jornada, em sua perspectiva, nada mais promove do que a gradativa compreensão da protagonista sobre os princípios básicos sobre os quais é estruturada a humanidade – e as seqüências em que ela finalmente começa a clarear sua visão em torno da maldade que rege as ações humanas formam um conjunto de imagens preto-e-brancas atmosfericamente impressionantes – e o curioso é que, mesmo com toda essa perversidade, Ferrara ainda reserva espaço para um plano final que deixa a sensação de que uma solução pra essa condição é verdadeiramente possível. 

 

Afinal, o vício é uma escolha.

 

4/4

 

Daniel Dalpizzolo

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A Hora do Lobo (Vargtimmen – Ingmar Bergman, 1968)

“Os antigos a chamavam de ‘a hora do lobo’. É a hora em que a maioria das pessoas morre… e a maioria nasce. Nesta hora, os pesadelos nos invadem”.

Exatamente na metade do filme, quando o insone pintor Johan Borg (Max Von Sydow) fala sobre a hora lupina à sua esposa Alma (Liv Ullmann), sob a luz fremente de um único palito de fósforo, Bergman finalmente nos engole para o outro lado do redemoinho sobre o qual apenas circundávamos até então. E o filme todo é como um singrar entorpecido em direção aos núcleos subterrâneos da mente, diluída, aqui, na solvente atmosfera da madrugada.

Começo dizendo que A Hora do Lobo é um dos meus filmes favoritos de sempre, e o melhor do sueco doido em questão. Não apenas pelo salto incontido sobre o surrealismo, mas por manipular como nenhum outro os demônios e pesadelos de um personagem, transformando-o num mergulho inédito (ao menos nunca visto tão intensamente) adentro dos traumas, dos conflitos, dos medos e, essencialmente, da solidão.

Porque mais que pela paz ou pelo bem do seu trabalho, o isolamento naquela ilha traz Johan para um isolamento em si próprio. Daí que é irrelevante a existência ou dos “canibais”, ou da sua mulher ou até dele mesmo quando tudo se afunila (ou se “expande”, que pode ser o termo correto) num verdadeiro universo mental, que embora chamado de “irreal”, talvez seja o nível mais puro e nuclear de todos.

E uma das coisas mais notáveis em A Hora do Lobo é a indefinição de quando, precisamente, começa o alucínio, o vazamento da matéria-prima flutuante dos sonhos para a densa materialização na tela. Isso se de fato começa, ou ainda se está ali desde o início… assim como Bergman não deixa nenhum detalhe que decida derradeiramente que Alma viva apenas na imaginação de Johan, ou que Johan só exista na inconsciência de Alma (cujo nome, aliás – também utilizado na obra-prima Persona – já pressupõe a subdivisão de uma única pessoa em duas, ou se considerarmos os moradores do castelo, várias).

Basicamente tudo se esclareceria se soubéssemos quem, afinal, escreveu aquele diário. Mas acontece que por natureza A Hora do Lobo é um filme de sombras, e Bergman está sempre interessado em perguntas, não em respostas, de modo que a resume grosseiramente a mera pretensão de ‘decifrar’ a obra (e na verdade qualquer outro filme, porque cinema é feito pra se sentir, não para se decompor como a uma equação). Respostas, neste caso, são a mais sólida e impermeável imposição de limites; cercanias num terreno onde a imaginação deve ser livre para se alastrar a galopes.

De todo modo (e se já levemente percorrida até aqui por varizes de trincos), a identidade deste protagonista secreto se estilhaça no momento em que Alma põe os olhos no caderno de Johan (com a ajuda da velha do chapéu, originalmente um dos demônios do seu marido), e é precisamente quando a manipulação do tempo (este deus absoluto) é disparada numa potência até hoje desconhecida e talvez irrepetível na história do cinema (apesar de David Lynch ter feito um trabalho inexplicável em Império dos Sonhos, mas isso é outra coisa). Porque A Hora do Lobo é todo sobre o tempo projetado na lâmina da mente e refratado em uma nuvem de pedaços. Taxá-lo simplesmente de “não-linear”, aliás, é quase um insulto, como pedir para que o próprio Bergman desça e lhe assombre à noite, e quem conhece sabe que o diretor sueco é um fantasma eterno e onipresente sobre quem o assiste (alguns momentos do próprio A Hora do Lobo são especialmente traumáticos).

Mesmo que não esteja saliente como mais tarde, uma delicada névoa de pesadelo já pesa sobre o filme desde o início, mostrando-se mais forte durante a cena do jantar. De cara Bergman entorpece o espectador numa ciranda ao redor da mesa, deformando e diluindo os rostos como se uma pintura ainda fresca de Johan (o que, por um lado, não deixa de ser literalmente verdade) fosse girada sobre o próprio eixo. A partir daí, a imagem quase sempre se solvendo é uma prevenção de que os sentidos e os valores baseados num mundo concreto começam a se desmanchar.

É assim pela cadência célere dos diálogos, dos movimentos de câmera abruptos e dos closes opressivos, resultando num efeito de quase vertigem como que a noite vista detrás dos olhos de Johan (embora a câmera não seja propriamente subjetiva). O que se segue é uma madrugada envolta num manto surrealista todo baseado no comportamento bizarro dos moradores do castelo. O teatro de marionetes inclusive brinca com as noções do espectador de até quando as projeções da mente invadem o terreno do concreto, e neste caso é o próprio Bergman que compõe esta cena assumidamente ficcional, na luz que se apaga sozinha como por ordem do ‘diretor’, na marionete viva, na música de uma banda ou aparelho inexistente (de novo, o próprio Lynch faria algo semelhante – mas bem mais evidente – no clube do silêncio de Cidade dos Sonhos). É ele quem convida a nos soltarmos de quaisquer amarras ao sobrepor o nível ‘cinema’ ao nível do sonho e da imaginação, forjando-os indissociáveis a partir daqui. Ou se crê no cinema como extensão do imaginário, ou se abandona A Hora do Lobo.

Vargtimmen

E o filme é intensamente perpetrado de um feitiço, como que cercado de bruxos, círios e pentagramas. Porque, sob a luz encantada da hora lupina, as coisas mudam de cor, de forma, a densidade das massas toma outros valores, as ligações com o mundo real são corrompidas. Quando “Vargtimmen” se acende na tela, um último resto de sanidade se apaga.

Perdidos na escuridão dessa hora, Alma e Johan conversam e conflitam traumas como se memórias perigosas fossem todas trazidas de volta pondo a mente à beira de uma eclosão. A cena catalítica de A Hora do Lobo envolve exatamente o pior dos fantasmas de Johan: a infância, também angular em toda produção artística do próprio Ingmar Bergman (sabe-se que Bergman sofreu demais nas mãos do pai, um pastor luterano fanático). A confissão do episódio do armário é uma confissão do diretor, e a morte do garoto, uma tentativa de exorcismo (o que já é praticamente um resumo do que guiaria sua filmografia).

A cena em questão é das coisas mais perturbadoras e insuportavelmente tensas já filmadas. E é lindo. Pescando num golfo, Johan se vê extremamente incomodado pela presença de uma criança. O garoto se aproxima, observa o quadro e o cavalete com certa curiosidade, conta os peixes fisgados, mexe nas botas, troca olhares indecifráveis com o pintor. Quando ele simplesmente pára nas costas de Johan, o crescente de um zumbido laminal estoura na trilha. O contraste entre a imobilidade dos dois e a aceleração sonora já quase navalhando os ouvidos apenas torna tudo ainda mais incômodo, angustiante, nocivo. E a seqüência da luta é especialmente tóxica para os sentidos. Há toda uma harmonia perfeitamente sincronizada entre a ação e a trilha, que golpeia os ouvidos conforme Bergman agride nossas retinas. Mas o teor realmente assombroso de toda a cena é a visão inexplicável do garoto afundando e emergindo na água igualmente morta e com um aspecto grotesco de óleo diesel (a fotografia do lendário Sven Nykvist joga a maior parte dos tons de cinza no lixo). E o sueco decreta: os porões da memória são sempre os piores cadafalsos.

A partir de então Johan submerge-se totalmente, embebe-se no visgo dos próprios traumatismos e afoga-se na saliva dos seus demônios, reencontrados, aliás, um a um pelo seu percurso doentio através do castelo. E é impressionante a precisão de como a lógica torpe de um pesadelo tenha sido representada. As peculiaridades dos seres, a régia toda deformada dos diálogos e o sopro mediúnico do lugar são pilares de uma construção atmosférica sem nenhum paralelo, transformando o terço final de A Hora do Lobo numa das experiências cinematográficas mais intensas e absurdas às quais alguém pode ser submetido.

E a imagem, a partir daqui, toma uma proporção imperativa, mostrando-se inesquecível durante várias situações criadas pelo diretor. A sucessão de ações no limiar do tétrico e do divertido, do repulsivo e do sedutor, do melancólico ao colérico (e Bergman realmente patrola as fronteiras das sensações; aproxima, mistura e dissolve os extremos numa massa homogênea) termina por compor uma tatuagem na pele da memória, e o sentimento evocado ao se olhar para este painel é qualquer coisa à qual ninguém pôde, ainda, nomear.

O que se segue é uma queda livre e irreversível no abismo interior. E no fio do vértice, aparentemente morta sobre uma mesa, nua e linda, iluminada apenas por uma lâmpada incandescente, está uma mulher. O olho do vórtex, o ponto de união do verso e antiverso desta mente que se encontra em pleno desmoronamento. Verônica Vogler é um portal, uma passagem só de ida para outro mundo. E partindo da esquizofrenia do próprio filme, não se sabe ao certo se é a opção definitiva de Johan pelo pesadelo ou finalmente sua fuga dele.

E é lindo, apesar de todo o horror, da violência, de toda tristeza implícita na contemplação quase sádica deste mórbido espetáculo do colapso de uma constelação mental; é lindo pensar que um filme que comece e termine num tom documental tenha sido inteiro concebido no interior de um sonho.

4/4

Luis Henrique Boaventura

ou: Hora do Lobo, A (Ingmar Bergman, 1968) – Sílvio Tavares – 4/4

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Pat Garrett & Billy the Kid (Sam Peckinpah, 1973)

Mama, take this badge off of me
I can’t use it anymore.
It’s gettin’ dark, too dark for me to see
I feel like I’m knockin’ on heaven’s door.

Knock, knock, knockin’ on heaven’s
door

Mama, put my guns in the ground
I can’t shoot them anymore.
That long black cloud is comin’ down
I feel like I’m knockin’ on heaven’s door.

Antes de produzir Pat Garret & Billy the Kid, Peckinpah já havia decretado o fim da era western no cinema, mas nunca de forma tão romântica e alegórica quanto neste monumento erguido à passagem do tempo – que muito bem pode ser encaixado como último capítulo do epílogo de um gênero. Aliás, tem um único plano, sutilmente posicionado no princípio da fuga que estabelece a caminhada final de Pat e Billy rumo à morte, que mais ou menos representa o próprio filme, em tom e substância: um take em contraluz que mostra a silhueta de um dos protagonistas enquanto anda a cavalo às margens de um lago, no período crepuscular.

É talvez o plano mais representativo de todo o velho-oeste; não este do filme de Peckinpah, mas a própria ação e o exercício de se fotografar o cowboy em passos lentos rumando em direção a qualquer lugar, com o horizonte ao fundo, abusando de uma atmosfera romântica e, porque não, completamente épica. Mas Peckinpah filma tudo ao contrário. Não é no horizonte que se forma a silhueta – ele está encoberto por tantos outros contornos pretos que compõem a paisagem arborística da locação. O que vemos é o reflexo invertido nas águas do lago, sempre tremulas, deixando o cowboy desfigurado, torto, com linhas balançantes.

O que encontramos neste Peckinpah não é o nosso velho-oeste, aquele que tanto adoramos; vigoroso, embrutecido, musicado pelo tilintar das esporas e recheado com a macheza e violência corriqueiras. Pat Garret & Billy the Kid é a distorção, o fim definitivo de tudo isso, mais do que qualquer outro ensaiado anteriormente – não simplesmente o desencaixe do velho código de honra, mas a punição a quem ainda não havia se entregado aos novos costumes, através dos quais a lei finalmente tomava o posto de maestro social, numa forma de tentar coibir a violência e encobrindo, automaticamente, a justiça autônoma, pessoal.

Garret e Kid, sendo assim, representam dois lados de uma mesma moeda. Ambos são homens à moda antiga, velhos amigos, mas que acabam desenvolvendo uma diferença determinante: enquanto Pat se rende ao novo modelo social, Billy nega a adaptação. O fato que os coloca em lados opostos de uma mesma batalha – enquanto um permanece como caça, o outro se transforma em caçador – também motiva a melancolia que tanto as imagens, sempre crepusculares em sua anti-epicidade e não raramente representantes de uma antologia totalmente contrária à mitologia do western, quanto à trilha-sonora de Dylan constroem através de cada seqüência.

Por sinal, o momento-chave do filme, quando Pat finalmente encontra e assassina Billy the Kid, pode ser visto facilmente como o último suspiro do faroeste. Porque todos sentiam o contragosto sempre explícito pelo amargor irrefutável com o qual o personagem de James Coburn mantinha arduamente sua perseguição a Bill-, não por estar realizando um trabalho do qual não se orgulha, mas por saber que, matando Billy the Kid, estaria fatalmente assassinando a si próprio. E poucas coisas são tão dolorosas quanto ver o homem, plenamente iluminado pela claridade solar, trilhar rumo ao horizonte passos mortos que celebram o fim de toda uma era. 

Diferente de tudo o que você já viu no gênero – e na retratação de um mito, coisa feita sem nenhum brilho, sem nada de épico -, talvez por ser o maior anti-western do mundo. Devastador.

4/4

Daniel Dalpizzolo

ou: Pat Garrett & Billy the Kid (Sam Peckinpah, 1973) – Pedro Kerr – 4/4

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Especial Western

Nada melhor que o gênero mais infalível do cinema, no que tange a produção de excelentes filmes, para iniciar a série de especiais do Multiplot!. No link abaixo você confere a página com a apresentação e os links para as resenhas do nosso primeiro especial:

http://multiplotcinema.com.br/antigo/especiais/western/ 

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O Homem Que Matou o Facínora (John Ford, 1962)

O gênero western, infelizmente, padeceu com o tempo. Sua importância caiu junto e homens como John Wayne, Sergio Leone e Clint Eastwood sumiram ou rumaram para novas áreas do cinema. Com o passar de décadas e gerações, as locadoras colocaram estes filmes tão populares, num passado que parece supra-longínquo, em prateleiras desconfortáveis; apertados e dividindo espaço com filmes de guerra – ou de ação. Eu, também, só fui conhecer uma parte do faroeste, num (hoje longínquo) segundo semestre de 2006: Os Cowboys, Meu Ódio Será Sua Herança, Era Uma Vez No Oeste e O Homem Que Matou o Facínora, de John Ford. Pouco acrescentei, infelizmente, a partir dali; e dentre os poucos elementos comuns dos filmes e as personagens atípicas; o trem e a civilização no Velho Oeste, um “confrontador” do Leste e o bang-bang nem tão descarado como imaginava – devido, supostamente, aos policiais desenfreados. Foi em O Homem, pasmem, que finalmente consegui desfrutar finalmente de uma atuação perfeita do John Wayne, na parceira triunfal com as câmeras de John Ford – preparando-nos vagarosamente para sua aparição marcante na tela – e o meu ídolo-mor do cinema noir, James Stewart.

A história de O Homem Que Matou O Facínora é heterogênea no limite: o óbvio suspense para saber quem é o homem que matou o facínora (quem duplo – se você não souber o título original) às implícitas mudanças do Velho Oeste (provavelmente, influenciando Era Uma Vez No Oeste), penetrando na simplicidade de uma mulher divida por Wayne e Stewart (por mais que o último negue gostar dela, o prólogo já nos mostrara a verdade). Quanto à alteração do Velho Oeste, temos a vinda de um advogado pacífico (Stewart) para o Oeste. Assim que chega, ele é atacado por um perverso fora-da-lei e contestando seus direitos, depara-se com a sociedade sem escrúpulos, onde o delegado, um beberrão, é incapaz de controlar um cidadão sequer – e a lei é definida pela força. Desta forma, Ford conduz à transformação deste pacato advogado a um homem vil – empurrado pela “áurea” do Oeste. Por estes detalhes, inclusive, o filme reluz mais como um drama político que um show de bang-bangs de western. Não fosse a técnica com os figurinos em preto-e-branco (indicados ao Oscar – apesar de uma falha clara numa cena onde John Wayne veste uma roupa escura. Ao sair do bar, sua roupa está clara. Depois de tocar fogo na casa, ela está escura novamente) e a fotografia.

Contudo, o roteiro não é tão perfeito como o de Era Uma Vez No Oeste, pela previsibilidade deste suspense pré-mencionado (e o Facínora, idem); a falta de transitoriedade entre as personagens – a mulher, aqui, fica muito às escondidas – e mudanças totais do Oeste (como bem dizem os extras da obra máxima de Leone, quanto mais o Oeste muda, mas ele continua na mesma e Ford não esclarece bem isto aqui) e as personagens velhas estão com péssima maquiagem. Mas como tudo que é bom sempre volta, o especial do Multiplot!, com as novas obras de 2007, principalmente, vieram para tornar antagônica minha sentença inicial. Resta saber se o gênero poderá ter novos ícones ou transitará por mãos diversas – e se isto é melhor ou pior, cabe a cada um analisar.

3/4

Cassius Abreu

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