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27/08

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That’s all, folks!

Mais de três anos se passaram desde que, naquele 11 de maio de 2008, em nossa então nova página de blog, postávamos os primeiros textos do que viria a se transformar dias depois no MULTIPLOT. Nada daquilo foi por acaso. Aliás, quem dera tivesse sido. Foram muitos, muitos meses de brainstorms, de ideias insanas se cruzando por conversas alucinadas em messengers e fóruns alternativos, de madrugadas mal dormidas e dias de trabalho procrastinados, tudo isso para que finalmente conseguissemos ter a coragem necessária para dar o primeiro passo e, de fato, criarmos nosso tão sonhado espaço para escrevermos sobre cinema na internet.

Nossa proposta, meus amigos, era gigante. Queríamos dominar o mundo. Queríamos sequestrar todos os cinéfilos habitantes da rede em nossa página e ficarmos aqui pra sempre, nesse cantinho maluco de contemplação à arte, discutindo e vivendo o cinema, com o cinema e pelo cinema. E, por maiores que fossem as pretensões, elas jamais poderiam contemplar em seu modesto espaço virtual toda a ansiedade e a empolgação que emergia de cada um de nós naquele momento.

Depois de inaugurado o MULTIPLOT, aos poucos fomos visualizando o que realmente estava acontecendo aqui, e a ansiedade se transformava em receio. Será que vai dar certo? Isso será levado a sério? Seremos lidos? Muitos projetos depois, acreditamos que todos nós podemos olhar para nossa história e constatar que, sim, algo importante aconteceu aqui. Algo que mudou nossas vidas, e que, podemos orgulhosamente dizer (e pretensamente, mas não podemos negar que somos sim pretensiosos pra caramba), de alguma forma mudou a vida das tantas pessoas que confiaram aos nossos textos um pouco de seu precioso tempo.

Muitas coisas aconteceram nestes três anos. Gente trocando de emprego, indo à faculdade, se formando, trocando de sexo, vivendo outras realidades e doando-se a outros projetos (ok, a troca de sexo foi brincadeira). Por essas e outras, o MULTIPLOT passou por dois longos recessos (um deles, por sinal o atual, com mais de um ano de duração) que deixaram nossa casa desamparada e silenciosa, um cenário que por pouco não lembrava a cidade fantasma de O Homem Do Oeste, western de Anthony Mann, nosso último cineasta homenageado, lá no distante abril de 2010.

Mas a ciranda da vida (parafraseando um de nossos próximos homenageados) fez com que esse bando de doidos voltasse a planejar, a discutir, a sonhar juntos. Para quem deseja dominar o mundo, fizemos pouquíssimo. Quase nada. E não pretendemos, de forma alguma, deixar esse sonho morrer aqui.  Do início até aqui nossa equipe perdeu alguns membros, mas ganhou outros tão importantes quanto. E o que apresentaremos nos próximos dias será mais um capítulo desta história. A ansiedade, aquela maldita e velha vilã do longínquo ano de 2008, voltou com um exército gigantesco para nos pressionar 24 horas por dia.  Mas aguardem. Falta muito pouco.

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Novidades em breve no Multiplot. Aguardem.

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Parado.

Desde metade de 2010, por tempo indeterminado. Boaventura, Dalpizzolo, Lazo e Thiago Macêdo podem ser encontrados no Cineplayers. Nando Mendonça e Ranieri Brandão estão no Filmologia.

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Screenshots! – Emboscada (Lured – Douglas Sirk, 1947)

por Fernando Mendonça

Alguém aí consegue imaginar Douglas Sirk filmando Boris Karloff?
Podem acreditar, isso existe. E o medo também…

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A Dama Fantasma (Phantom Lady – Robert Siodmak, 1944)

Um paradoxo ambulante. Todo o primitivismo narrativo e a ingenuidade já pouco comum em meados de anos 40 em conluio com um insight mais radical que o outro. A cena em que Kansas segue o barman pelas ruas de Nova Iorque é uma coisa de outro mundo em termos de composição de planos, de iluminação e de ritmo, mas o troço mais absurdo é a parada de 3 minutos que Siodmak faz em um quartinho com uma banda de jazz destruindo a altas horas da madrugada pra plateia nenhuma, onde rola uma espécie de onomatopeia visual pra uma impensável cena de sexo entre a mulher e o bateirista. Outra solução fantástica é a cena da morte do mesmo bateirista, quando o assassino se levanta cobrindo com o corpo a única réstia de luz da cena, literalmente o apagando do filme.

Pena A Dama Fantasma estar em pedaços, e os longos e aborrecidos hiatos entre uma grande ideia e outra impedem de concebê-lo como uma unidade. Não se trata de uma irregularidade planejada como em Baixeza ou Os Assassinos; apenas consequência de uma limitação imposta por provável falta de autonomia. Ainda assim, no cinema, vale mais um único ponto alto que uma linha sempre estável e consistente de mediocridade.

2/4

Luis Henrique Boaventura

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Chamas que Não se Apagam (There’s Always Tomorrow – Douglas Sirk, 1956)

Da overdose de filmes do Douglas Sirk que sofri nos últimos dias, com certeza, a que me deixou mais seqüelas foi a do assombroso “Chamas que Não se Apagam”. Um melodrama puro, pleno como somente Sirk era capaz de fazer. A narrativa de um homem perfeito (Fred MacMurray), com vida perfeita (lar, esposa, filhos, emprego…) que de repente se vê atormentado pelo passado na figura de uma antiga paixão (Barbara Stanwyck), é de uma transparência constrangedora. Seu monólogo durante a desesperada declaração de amor que faz a esta, dá boa demonstração da amargura que o filme instaura:

“Falei com você e fui para casa. Vivo nela há anos. Sinto-me à vontade lá. Sentei, tentei ler o jornal, relaxar, mas não pude, Norma. De repente, me desesperei em minha própria sala. Senti-me preso numa tumba feita por mim mesmo, como se os anos fossem pedras a fechá-la. E eu vivo, querendo fugir. Vivo e querendo você!”

Mas o que mais me impressionou foi o uso do P&B, tão soberbo quanto os melhores technicolors que Sirk legou na mesma década (dentre os maiores de todo o cinema). Chega a ser dolorosa a criação de abismos negros que a fotografia causa nos rostos dos atores, bastando pra isso um movimento, um close, um gesto de amargura das situações vividas. Sirk é bastante cruel ao afundar seus personagens nestas sombras e quase faz do melodrama um derivado do horror, algo que não seria estranho a um homem que enxergava na classe média americana um reflexo de sua original sociedade alemã, aquela que gerou Hitler.

E tem quem ache que o gênero está limitado ao que as telenovelas cospem.

4/4

Screenshots!

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Screenshots! – O Gato de Nove Caudas (Ill Gatto a Nove Code – Dario Argento, 1971)

por Luis Henrique Boaventura

Dizem que estava no roteiro. “Homem de terno pega trem na estação”. Argento leu e entendeu isto aí:

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A Bela Junie (La Belle Personne – Chistophe Honoré, 2008)

Havia na Nouvelle Vague sobretudo um reconhecimento de todo o cinema que veio antes. Reconhecimento da maturidade, certamente. Muito já se falou da reedição que Christophe Honoré faz do “movimento” francês em seus filmes, mas o que na verdade existe ali é uma edição da paixão que os cineastas do período nutriam pelo cinema. A paixão de Honoré parece ser por aquela época e não pela própria paixão que movia os filmes.

A Bela Junie, por exemplo, é um filme sem pai, logo, um filme sem conselhos. É um filme sobre jovens sem adultos (até os professores são quase colegas, vide aí Louis Garrel) ao redor que tomam por maiores todos os problemas que enfrentam. Não há aquela balança moral (ou amoral, tanto faz) que nos distraia e nos aprofunde de fato em alguma coisa.

Honoré não consegue construir bem a personagem-título ao ponto em que o que vemos não passa de uma má encenação de um problema que não existe (o encontro final entre Junie e o professor de Louis Garrel é de uma falha tremenda de construção de discurso), onde um rosto possuidor de uma expressão erradamente já pretende se valer como o todo.

1/4

Ranieri Brandão

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Em Paris (Dans Paris – Christophe Honoré, 2006)

Um filme com homens. De homens para homens, homens que sofrem, que gozam, que choram, que vivem…

A sensibilidade da vida costuma estar muito presente em filmes ‘femininos ‘ (As horas como exemplo mais evidente pra mim), e é verdade, em se tratando de arte parece absurdo querer sexualizar uma obra ou a forma como ela afetará seus receptores. Mas isso é um fato: raros são os filmes que se atrevem a mostrar homens com tanta sensibilidade…

A masculinidade é um aspecto complexo, muito mais do se imagina. A idéia de “ninguém entende as mulheres”, eu acho, surgiu apenas para desviar o foco desses seres confusos, retraídos, endurecidos e orgulhosos que são os homens. Nesse sentido Honoré surge como um candidato a especialista dos homens (os outros filmes dele comprovam isso). Temos nesse filme, três homens lapidares, os dois irmãos e o pai (Guy Marchand), um núcleo familiar já diferente do convencional, unidos pela lembrança da irmã mais nova, que um dia decidiu se suicidar. Os três parecem agarrar-se para sobreviver à tragédia, para se convencerem de que vale à pena viver, para se motivarem a continuar chorando e sorrindo, enfrentando em cada dia seu mal.

um filme que faz eu me apaixonar um pouco mais pela vida. Remédio certo para dias melancólicos e felizes, amigo para todas as horas; nesse filme um ombro para compartilhar um pouco de mim.

4/4

Fernando Mendonça

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