O Homem Que Matou o Facínora (John Ford, 1962)

O gênero western, infelizmente, padeceu com o tempo. Sua importância caiu junto e homens como John Wayne, Sergio Leone e Clint Eastwood sumiram ou rumaram para novas áreas do cinema. Com o passar de décadas e gerações, as locadoras colocaram estes filmes tão populares, num passado que parece supra-longínquo, em prateleiras desconfortáveis; apertados e dividindo espaço com filmes de guerra – ou de ação. Eu, também, só fui conhecer uma parte do faroeste, num (hoje longínquo) segundo semestre de 2006: Os Cowboys, Meu Ódio Será Sua Herança, Era Uma Vez No Oeste e O Homem Que Matou o Facínora, de John Ford. Pouco acrescentei, infelizmente, a partir dali; e dentre os poucos elementos comuns dos filmes e as personagens atípicas; o trem e a civilização no Velho Oeste, um “confrontador” do Leste e o bang-bang nem tão descarado como imaginava – devido, supostamente, aos policiais desenfreados. Foi em O Homem, pasmem, que finalmente consegui desfrutar finalmente de uma atuação perfeita do John Wayne, na parceira triunfal com as câmeras de John Ford – preparando-nos vagarosamente para sua aparição marcante na tela – e o meu ídolo-mor do cinema noir, James Stewart.

A história de O Homem Que Matou O Facínora é heterogênea no limite: o óbvio suspense para saber quem é o homem que matou o facínora (quem duplo – se você não souber o título original) às implícitas mudanças do Velho Oeste (provavelmente, influenciando Era Uma Vez No Oeste), penetrando na simplicidade de uma mulher divida por Wayne e Stewart (por mais que o último negue gostar dela, o prólogo já nos mostrara a verdade). Quanto à alteração do Velho Oeste, temos a vinda de um advogado pacífico (Stewart) para o Oeste. Assim que chega, ele é atacado por um perverso fora-da-lei e contestando seus direitos, depara-se com a sociedade sem escrúpulos, onde o delegado, um beberrão, é incapaz de controlar um cidadão sequer – e a lei é definida pela força. Desta forma, Ford conduz à transformação deste pacato advogado a um homem vil – empurrado pela “áurea” do Oeste. Por estes detalhes, inclusive, o filme reluz mais como um drama político que um show de bang-bangs de western. Não fosse a técnica com os figurinos em preto-e-branco (indicados ao Oscar – apesar de uma falha clara numa cena onde John Wayne veste uma roupa escura. Ao sair do bar, sua roupa está clara. Depois de tocar fogo na casa, ela está escura novamente) e a fotografia.

Contudo, o roteiro não é tão perfeito como o de Era Uma Vez No Oeste, pela previsibilidade deste suspense pré-mencionado (e o Facínora, idem); a falta de transitoriedade entre as personagens – a mulher, aqui, fica muito às escondidas – e mudanças totais do Oeste (como bem dizem os extras da obra máxima de Leone, quanto mais o Oeste muda, mas ele continua na mesma e Ford não esclarece bem isto aqui) e as personagens velhas estão com péssima maquiagem. Mas como tudo que é bom sempre volta, o especial do Multiplot!, com as novas obras de 2007, principalmente, vieram para tornar antagônica minha sentença inicial. Resta saber se o gênero poderá ter novos ícones ou transitará por mãos diversas – e se isto é melhor ou pior, cabe a cada um analisar.

3/4

Cassius Abreu

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