Novidades

Arrá! Que achou do nosso novo cabeçalho? Se curtiu, aproveita, porque ele não vai durar muito não, hehe. 

Como o topo é o espaço mais nobre do blog, e estava meio inútil desde o fim do Especial James Dean, decidimos usá-lo como um resumo do que afinal procuramos realizar por aqui todo dia: homenagear a 7ª arte. No mínimo duas vezes por mês, um dos membros do MP! vai escolher um filme, definí-lo em poucas palavras, e selecionar uma cena pra estampar o Multiplot! por pelo menos uma semana. No canto superior esquerdo vai o nº da edição, quem quiser ver todos os cabeçalhos postados, pode entrar na nova aba Plots!, que traz também todos os tops e os screenshots. E por falar neles, decidimos que estava muito pesado tops e screens toda semana, e achamos melhor revezar. Portanto, será uma semana os tops, uma semana os screenshots, toda santa quarta-feira. Ok?

De resto era isso, segue a bagaça.

Abraço!

4 Comments

Filed under Comentários

Ano Novo!

Gente, queremos agradecer a todos que fizeram o MP! neste 2008, nosso ano de estréia. Seja nos textos, seja nos comentários, seja apenas lendo – o que já é MUITO considerando que as pessoas tem cada vez menos tempo pra tudo. Se 5 minutos do dia de alguém é dedicado a algo que a gente escreve, à nossa voz, à nossa visão de cinema e de mundo, putz, podem ter certeza que tudo que tentamos fazer neste blog discreto em 2008 valeu a pena. E 2009 será muito maior. Obrigado por tudo, e continuem com a gente, feliz ano novo!

Um GRANDE abraço!

MP!

Comments Off on Ano Novo!

Filed under Comentários

As Pontes de Madison (Clint Eastwood, 1995)

“Os velhos sonhos, eram bons sonhos. Não se realizaram, mas estou feliz por te-los tido”.

E foi apartir daí, do momento em que essa frase foi dita, que uma certa barreira emocional foi destruída em mim, que no intervalo silêncioso dessa frase duas expressões identicas se refletiram, é o cinema virando um espelho, e se intensificou depois, no momento em que o Clint Eastwood fica parado, na chuva, refletindo, se essas palavras que foram proferidas por sua própria boca ainda representavam o seu pensamento, e todo o meu conceito do que representava essa arte foi espatifado. Extremamente difícil de entender o que aconteceu comigo desse momento em diante, mas eu não assistia mais o filme com a visão egoísta da satisfação própria, eu não me importava comigo mais do que com eles, pelo contrário, a melhor forma de descrever – mas ainda assim passaria longe – é quando uma pessoa reza pela vida de quem ama “por favor, puna a mim, mas poupe ele” e era mais ou menos isso, eu abdicava da minha satisfação em nome deles, não me importava com a minha frustração (mesmo sem entender o que isso possa significar) só estava grato por acompanhar o que eles estavam vivendo até ali. Só me importava em sentir, não interessa o que, e então meu corpo virou um canalizador de emoções. E foi então a experiência mais intensa que o cinema me proporcionou.

E se durante a vida você pode achar sua alma gêmea cinematográfica, eu encontrei a minha, e não tenho mais a pretensão de viver experiência semelhante com essa arte de novo, e nem me importo. Estou feliz com que alcancei aí, e, nesse sentido, a única coisa que quero de agora diante é envelhecer e morrer abraçadinho com ela.

4/4

Thiago Duarte

Comments Off on As Pontes de Madison (Clint Eastwood, 1995)

Filed under Comentários

Screenshots! – A Catedral (Michele Soavi, 1988)

Luis Henrique Boaventura

Um épico do horror italiano. A engenhoside, o talento, o humor negro, as composições, a maldade impressa em cada novo e mais inacreditável assassinato, e uma câmera que não tem cabos, suportes ou braços que a guiem. É como se nem existisse, e o espectador entrasse e planasse feito fantasma ao longo da grande catedral. Obra-prima desse bruxo do cinema fantástico.

Clique nas imagens pra ver em tamanho original:

5 Comments

Filed under Comentários

Herói (Zhang Yimou, 2002)

Um balé pros sentidos, cirurgicamente coreografado e apaixonadamente filmado. Olímpico, solene e deslumbrante. A própria estrutura e o modo como Herói flui sugerem a execução de um ritual, uma celebração dos sentimentos mais primitivos e tão saturados com os quais o homem vem tendo contato desde sempre. Uma encenação pura das emoções. A paixão, o amor, a compreensão, a vaidade e a paz. E é acima de tudo um canto de socorro.

Porque Herói pede um abraço, pede que esqueçamos de onde viemos ou quem somos para mergulharmos de olhos, ouvidos e coração abertos neste sonho filmado de Zhang Yimou, um universo ancestral onde os valores mais simples do mundo podem enfim voltar a ter sentido, onde uma declaração de amor é livre para ser dita sem este filtro aborrecido que nos faz enxergar pieguice em tudo.

Por isso mesmo, é mais que natural que Yimou entoe seu hino de paz de uma conexão direta com a imaginação e a fantasia, onde preocupar-se com detalhes tão elementares como leis da física diante da eloqüência visual e sonora dos sentimentos sendo materializados na tela é simplesmente burrice. Onde abdicar de si por algo maior soa tão ridículo e faz tão parte de um sonho quanto chineses voando por aí.

Herói exige entrega suicida, exige que você abra os braços e se lance em queda livre por um mundo impossível que, se chegou realmente a existir, foi por um momento, nos lábios de alguém que disse “eu morreria por você” de um jeito assim cheio de verdade.

4/4

Luis Henrique Boaventura

4 Comments

Filed under Comentários

Gomorra (Matteo Garrone, 2008)

“A Camorra é o único fenômeno mafioso proveniente de um meio urbano. Seu lugar de nascimento é Nápoles, Itália; a data, em torno do início do século XIX. A Camorra controla de perto o território, e é muito integrada ao tecido social, sobretudo junto às camadas mais pobres. Imagina-se que conte atualmente com cerca de 110 famílias operacionais e cerca de 7000 afiliados. As atividades da Camorra são incontáveis, da agiotagem à extorsão, do contrabando de cigarros ao tráfico de drogas, da importação irregular de carne à fraude à União Europeia. Sem esquecer os dois sectores “tradicionais” de monopólio: o do jogo clandestino e o de produção de cimento na região da Campania.”

Fonte – Wikipedia

Vários filmes sobre a máfia (especialmente a Italiana ou de descendentes de italianos) já foram feitos. A grande maioria deles se valia, entre outras coisas, de uma estética mais apurada, de grandes astros (se não eram na época, se tornaram) e, sobretudo, de todos os subterfúgiso oferecidos pelo cinema (trilha sonora, fotografia, etc.) para tornar a experiência a mais cinematográfica possível. Já “Gomorra”, a mais nova empreitada do cinema na máfia italiana (desta vez abordando a Camorra, a máfia napolitana), segue o caminho totalmente inverso.

Se existe uma palavra para definir o filme é crueza. O filme tem um ritmo bem compassado, não se utiliza de uma edição frenética, nem ao menos faz uso de uma trilha sonora. Isso tudo, somado as imagens sem concessões e quase que documentais que se sucedem na tela, faz com que a experiência de assistir as 2 horas e 15 minutos seja impáctante, tamanho o realismo que aquelas cenas imprimem na sua retina (e, a partir daí, são transportadas para o seu cérebro). Diferente de “Cidade de Deus” (com quem o filme tem sido constantemente comparado), aqui a experiência é mais visceral, sem ficar nenhuma sensação efêmera (coisa de que Cidade de Deus sofre um pouco), sem que seja passada uma sensação planfetária e, por que não dizer, plastificada pelo excesso de produção (outro pequeno mal de Cidade de Deus).

Se houve influência de Fernando Meireles em Matteo Garrone (diretor do filme), não sabemos. Mas, no final das contas, “Gomorra” acaba tendo mais relevância do que o seu semelhante brasileiro.

3/4

Adney Silva

3 Comments

Filed under Comentários

Screenshots! – Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança (George Lucas, 1977)

Daniel Costa

Clique nas imagens para ver em tamanho original:

3 Comments

Filed under cinema

O Horrível Segredo do Dr. Hichcock (Riccardo Freda, 1962)

Tá ficando cada vez mais difícil assistir essas coisas. Esse foi num vhs rip muito podrão (com direito aos comandos do videocassete aparecendo na tela), sem diversos pedacinhos porque o download travou faltando 80 mb e com áudio italiano sem legendas porque eu digitava Hitchcock ao invés de Hichcock na porra do opensubtitles porque eu sou muito burro mesmo. Mas enfim, deve fazer tipo parte da aventura ou sei lá.

Primeiríssimo Riccardo Freda. Começo dizendo que essa coisa de beber da fonte dos velhos contos com atmosferas medievais e tramas cheias de peculiaridades doentis que os caras buscaram no princípio do gênero não me deixa tão entusiasmado quanto as outras vértices do horror italiano, mas o Freda sabe bem chamar a atenção pra si em algumas composições belíssimas em conluio com a direção de arte e uma iluminação sobrenatural de velas e lâmpadas douradas.

Em quase todas as cenas internas nota-se um contraste cuidadosamente preparado entre o preto e o amarelo (isso porque acredito que o cara que ripou não derramou café na fita) e a presença fremente dos candelabros como instrumentos que dão vida própria às sombras do cenário. Isso tudo pra dizer que quando uma atmosfera que vem pronta (casarão isolado do século 19, à noite, com um temporal desabando do lado de fora e uma presença maligna espreitando pelas frestas) é bem trabalhada, a experiência de se assistir a um filme torna-se mística pela rara habilidade de alguns desses caras pra te tragar cena adentro.

Principalmente porque é estranho, num primeiro momento, acompanhar 90 minutos de um filme sustentados sem as habituais mortes gráficas entrecortando a trama como ganchos pra crescentes de tensão e belíssimos assassinatos, e é quando o talento pra sugestionar perigo e criar aquela iminência de coisas que nunca chegam realmente a acontecer precisa ser provado. L’Orribile Segreto del dott. Hichcock é inteiro um filme do horror mais pela sutileza elegante de um bom suspense que pelos picos sensoriais do próprio horror. Isso apesar da sua natureza inconfundível que não o define, mas o mantém num limite sempre estável entre os dois gêneros.

Aliado a esta ambigüidade um clima sempre onírico e alucinado, uma obsessão necrófila maravilhosa, um visual com cores incendiadas, umas inserções broxantes de cenas num hospital e um final incrivelmente babaca, dá pra dizer que Dr. Hichcock é um ótimo filme e que a expectativa pelos próximos Fredas é grande. O que falta aqui é o amadurecimento natural do próprio gênero, nada que o tempo, uma lâmina e muito sangue falso não resolvam.

3/4

Luis Henrique Boaventura

Comments Off on O Horrível Segredo do Dr. Hichcock (Riccardo Freda, 1962)

Filed under Comentários

O Pássaro Sangrento (Michele Soavi, 1987)

Deliria é o primeiro olhar vindo já de fora do círculo de plena construção do cinema fantástico italiano, passada a euforia do auge e da história sendo realizada em tempo real durante as décadas de ouro de 60 e 70. O primeiro longa de Soavi, pupilo direto de Argento e D’Amato, é antes de mais nada um produto do sonho alimentado pelas cores de Mario Bava e o grafismo mesmerizante de Lucio Fulci, pelos reflexos das lâminas e pelos gritos de alguma mulher sendo virada do avesso. Portanto é natural que algo feito com um amor e esmero (e talento) tão nítidos se transformasse numa das grandes obras-primas do gênero.

E o desgraçado já parte pela subversão ao narrar um giallo sem mistério algum quanto à identidade do serial killer. Desde os primeiros 15 minutos você e os personagens já conhecem não apenas o rosto como o passado, o nome e o sobrenome do assassino. No entanto, o mais extraordinário é que pra compor a sua própria obra de arte (e isso significa a cena-dentro-da-cena-dentro-da-cena três vezes assim mesmo) o assassino emula o whodonit da sua própria história travestindo-se com uma bizarra cabeça de pássaro que serve tanto pra cumprir este elemento de metalinguagem como pra estadear um efeito visual fantástico na tela.

É tudo muito muito bonito apesar de passado praticamente todo dentro de um estúdio. E o Soavi usa os cenários e os elementos de cena tanto pra composições visuais como pra interferência direta na ação de um jeito absolutamente sensacional, além de uma câmera subjetiva que ostenta aquela velha elegância herdada do maestro Dario Argento, como em certo ponto quando o assassino passeia os olhos (e são os olhos de um sádico, compartilhados também por Michele Soavi e seu espectador) sobre uma mesa cheia de aparentemente simples ferramentas que, filtradas pela imaginação doente de nós três, transformam-se em potenciais armas de violação do corpo humano. E a morte que se segue com a arma escolhida (inclusive a tal cena da mesa me lembrou de imediato Bruce Willis decidindo-se por sua espada na loja do Zed em Pulp Fiction) é das melhores dos italianos, revelando aliás o senso de humor (e a linha quase insignificante entre ficção e realidade) como característica individual, propriedade do também fã mas, acima de tudo, autor Michele Soavi.

O Pássaro Sangrento (aka Deliria / aka Aquarius) é o tardio encontro de um legítimo entusiasta/fãzóide do horror italiano com tudo que sonhou um dia tornar realidade, e compreensível portanto que o homem que levou tanto tempo para poder saciar a sua vontade de matar contemple tão tranqüila e lentamente a própria obra. Irving Wallace e suas vítimas enfileiradas no palco são mostrados uma dúzia de vezes por todos os lados e de todos os ângulos, porque de repente Soavi veste uma cabeça de pássaro, senta numa poltrona vermelha, pega um gato no colo e pede licença ao público para retardar a ação e passar um pequeno momento a sós com aquilo que sempre amou.

Fica difícil ignorar, a essa altura, que o mundo gire mesmo pela virtude dos apaixonados.

4/4

Luis Henrique Boaventura

6 Comments

Filed under Comentários

Bodas de Sangue (Carlos Saura, 1981)

Interpretar Bodas de Sangue como um filme teatral é uma questão bastante simples. Baseado numa peça homônima de Federico García Lorca, sobre um triângulo amoroso que envolve a tradição familiar envolta em tragédias ancestrais, Carlos Saura digere o mundo do teatro e da dança, em quadro. Começa nos camarins, mostrando a transformação dos atores/bailarinos em seus personagens, mostra parte dos ensaios e a construção dramática da encenação que, como bem diz o diretor, “não irá parar, sob nenhuma hipótese”. Tudo se passa em um único salão e os elementos cênicos são escassos.

Por que então a visão de um produto de natureza teatral é tão equivocado? Bodas de Sangue se vale da imagem, acima de tudo, do nascimento da harmonia, por meio da dança, do posicionamento da câmera para uma melhor compreensão da história, com tão poucos elementos e tempo (o filme dura apenas 68 minutos). Em cena, o que interessa, o que tira o fôlego: Saura transita no salão em travellings perfeitos, desvenda um sonho de amor em plongées magníficos, usa slow motion mesmo em live action, falseando o tempo perdido e o ritmo imposto. Faz algumas das cenas mais belas, mais pintadas, mais dolorosas de um momento de observação pura e límpida, neste grandioso filme. Porque Bodas de Sangue pode parecer teatro filmado, mas é cinema até a última movimentação de câmera.

4/4

Thiago Macêdo Correia

2 Comments

Filed under Comentários