As Pontes de Madison (Clint Eastwood, 1995)

“Os velhos sonhos, eram bons sonhos. Não se realizaram, mas estou feliz por te-los tido”.

E foi apartir daí, do momento em que essa frase foi dita, que uma certa barreira emocional foi destruída em mim, que no intervalo silêncioso dessa frase duas expressões identicas se refletiram, é o cinema virando um espelho, e se intensificou depois, no momento em que o Clint Eastwood fica parado, na chuva, refletindo, se essas palavras que foram proferidas por sua própria boca ainda representavam o seu pensamento, e todo o meu conceito do que representava essa arte foi espatifado. Extremamente difícil de entender o que aconteceu comigo desse momento em diante, mas eu não assistia mais o filme com a visão egoísta da satisfação própria, eu não me importava comigo mais do que com eles, pelo contrário, a melhor forma de descrever – mas ainda assim passaria longe – é quando uma pessoa reza pela vida de quem ama “por favor, puna a mim, mas poupe ele” e era mais ou menos isso, eu abdicava da minha satisfação em nome deles, não me importava com a minha frustração (mesmo sem entender o que isso possa significar) só estava grato por acompanhar o que eles estavam vivendo até ali. Só me importava em sentir, não interessa o que, e então meu corpo virou um canalizador de emoções. E foi então a experiência mais intensa que o cinema me proporcionou.

E se durante a vida você pode achar sua alma gêmea cinematográfica, eu encontrei a minha, e não tenho mais a pretensão de viver experiência semelhante com essa arte de novo, e nem me importo. Estou feliz com que alcancei aí, e, nesse sentido, a única coisa que quero de agora diante é envelhecer e morrer abraçadinho com ela.

4/4

Thiago Duarte

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