Técnica de um Delator (Jean-Pierre Melville, 1962)

Se esteticamente Técnica de um Delator (Le Doulos, no original francês) se trate do trabalho mais próximo do film noir clássico dentro da filmografia de Jean-Pierre Melville (não apenas pela fotografia p&b, claro), sua estrutura narrativa e sua condução o localizam exatamente como o mais extremo e representativo exercício de estilo dessa visão particular do francês sobre o gênero americano, e é interessante poder assistir ainda em desenvolvimento o olhar de Melville sobre o noir num filme que traz estilo e narrativa, dois componentes primários que se tornariam indissociáveis anos mais tarde, em absoluta distinção.

Apesar de ser sem dúvida um belo filme, Técnica de um Delator está longe dos exuberantes O Samurai, O Círculo Vermelho e o mais extremo Expresso Para Bordeaux (pincelada final no painel da identidade neo-noir composta por Melville), porém, como exploração e evolução de argumento, é o mais arrebatador e bem sucedido, podendo ser colocado tranqüilamente ao lado da obra-prima de 67.

Falei da separação dos dois fundamentos porque, aqui, Melville investe tudo nos inacreditáveis 10/15 minutos finais, tendo todo o desenvolvimento do filme como base e escada para o desfecho que é pura crueldade. Portanto, se Expresso Para Bordeaux pode ser considerado a cereja do bolo, Técnica de um Delator é sem dúvida a primeira peça desse tratado de estudo/homenagem/desconstrução/reconstrução do film noir hollywoodiano.

Melville mantém a identidade visual trazida da cartilha americana como pano de fundo e impõe seu característico “anti-ritmo” e modo todo próprio de deixar que a ação em cena fale por si, mas acima de tudo (e é aí que o diretor encarna um contador de histórias mais diabólico do que nunca), alterna os acontecimentos num jogo entre espectador e personagens que não cabe descrição do quão genial e habilidoso consegue ser.

Um dos mais brilhantes e perversos exercícios de manipulação de todo o cinema. Obra-prima e pedra angular do neo-noir mesmerizante de Jean-Pierre Melville.

4/4

Luis Henrique Boaventura

Comments Off on Técnica de um Delator (Jean-Pierre Melville, 1962)

Filed under Resenhas

Screenshots! – A Fantástica Fábrica de Chocolate (Tim Burton, 2005)

Como tivemos dois Tops! seguidos na Cobertura do Oscar, estamos equilibrando com duas edições dos Screenshots!. Semana que vem as famigeradas listas estão de volta, no velho sistema alternado, toda quarta-feira.

Jailton Rocha

Tim Burton e sua incrível imaginação.

Clique nas imagens para ver em tamanho original:

14 Comments

Filed under screenshots

Sexta-Feira 13 (Marcus Nispel, 2009)

Sinceramente, nunca pensei que fosse tão difícil falar de um filme, ainda mais um filme como esse. Pode ser por eu ser fã assumido da série (embora reconheça que ela produziu alguns filmes PÉSSIMOS), não sei… O fato é que eu ainda não sei dizer com propriedade se gostei ou não. Claro, há ressalvas como em qualquer filme, mas fazia tempo que os aspectos positivos não eram tão contrabalançados com os aspectos negativos.

Talvez o maior problema aqui é que há uma dezena de idéias bacanas mas todas a serviço de um “MTV-way-of-cinema” que em nada se comunica com a essência de Sexta-Feira 13. Enquanto os filmes antigos conseguiam gerar um clima sufocante de terror com parcos recursos, Nispel com toda à tecnologia à sua disposição não consegue o mesmo. Pior, emprega todos os vícios já mostrados em Massacre da Serra Elétrica aqui. E dá-lhe câmera tremida, cortes mais rápidos que a machete do Jason, enfim, tudo dentro da cartilha “michal-bay-stupid-way-to-make-movies”. E o que dizer daquela trilha sonora invasiva? Pq não remeter ao Bernard Hermann como fez o Manfredini nos filmes antigos e ao icônico “ki ki ki, ma ma ma”?

Até o sexo, com todo respeito aos fãs tarados, é uma bosta. O cara bota a câmera não como se fosse um voyeur, como nos filmes antigos… Não, a câmera é intrusiva como se fosse um pênis abusado tentando entrar onde não foi chamado. Pra quê focar os peitos da mina por baixo? Será possível que o diretor precisa reafirmar que ela tem huge boobies mesmo depois de termos visto as tetas balançando em vários outros takes mais “tradicionais”? Não tem nada mais broxante que um filme que tem o sexo como uma de suas válvulas propulsoras se comportar de forma incrivelmente cool como na cena supra mencionada ou de forma pudica como na cena da barraca onde Nispel mete uma iluminação so-so para que não se veja a perseguida da peladona, mas libera coisas como “não vou dar nada pra você”. Pra quê a cena de sexo então? Nos filmes antigos (especialmente no primeiro filme), a câmera vai com calma, sem pressa, se era pra mostrar, mostrava tudo, como na Parte 9, essa sim com a cena de sexo mais pornográfica de toda a série; se não era pra mostrar, contentava-se em gerar um momento que pudesse excitar a platéia de qualquer forma. Nem há que se falar das mortes, que sofrem com a edição cortante e com a fotografia escura, isso quando a morte não é totalmente idiota como a da Bree (onde nem edição, nem fotografia dariam um jeito). Cadê o gore? Isso aqui não é slasher. O verdadeiro slasher obriga você a contemplar o sangue, a morte da pessoa, a sentir asco daquilo que você está vendo e não dá pra virar o rosto pq a cena é longa demais. Kevin Bacon que o diga em sua cena de morte no primeiro filme que dura 15-20 segundos e é a coisa mais torturante de se assistir em matéria de Sexta-Feira 13.

Mas nem tudo são pedras. Jason em cinemascope é sempre bom de ver (lembrando que a última vez que isso ocorreu foi em 1982). Nispel foi esperto o bastante por manter a mitologia (o que não significa manter a essência cinematográfica, bem entendido), principalmente no que se refere à mãe… Aliás, a cena em que aparece é a melhor do filme inteiro, mas mesmo aqui o Nispel caga e senta em cima fazendo da assustadora Pamela Voorhees uma mulher que perde a cabeça por ser tão tagarela. Mesmo assim a cena curta resume de forma brilhante o sufoco do primeiro filme: chuva, escuridão total e a sobrevivente correndo de uma mulher de meia idade completamente maluca. Também gostei do Jason rapidão, estrategista. Vale frisar a expressão corporal do ator, na cena em que ele “se encontra” com a sua marca registrada. Ali é um dos poucos momentos inspirados que me deram um fiapo de esperança em relação ao Nispel…

Enfim, o filme caminhou de 1/4 pra 2/4 várias vezes hoje durante o dia e enquanto estava escrevendo isto… Não sei como vai ficar. De qualquer forma, é inferior aos filmes 2 e 3, nem se compara com o insuperável primeiro, mas pelo menos é melhor que as Partes 5 e 8, de longe as piores.

1/4

Daniel Costa

ou: Sexta-Feira 13 (Marcus Nispel, 2009) – Rodrigo Jordão – 2/4

2 Comments

Filed under Resenhas

Sexta-Feira 13 (Marcus Nispel, 2009)

Fui assistir a mais esse capítulo da interminável saga do Jason – que na verdade não é exatamente uma continuação, mas sim uma espécie de releitura das continuações, já ciente de várias coisas, então acredito que quem estiver lendo esse texto e estiver mesmo interessado em ver o filme, assim como eu estava, já vai estar sabendo, a essa altura, com diversos comentários do filme sendo soltos por aí, estará também devidamente preparado a ler um ou outro spoiler leve, nada que vá comprometer a experiência, garanto.

O filme começa com um rápido flash back mostrando a morte da Sra. Voorhees, na 1ª e intocável parte da série de filmes Sexta Feira 13 (aqui está o primeiro e maior acerto deste filme: Não querer refazer o 1º filme, mas apenas utilizar-se da mitologia nele criada para seguir adiante). Apartir daí, acontece um pulo para os dias atuais e vemos um grupo de cinco jovens no meio da floresta à procura de uma lendária plantação de maconha. Logo anoitece e a matança come solta, com um Jason ainda mascarado com um saco de pano na cabeça (referência sutil ao 2º capítulo da série – mas ainda não o único: Há também a utilização da tática usada pela mocinha da Parte 2 para enganar o Jason, fazendo-se passar por sua mãe).

Só aí aparecem os créditos iniciais, só com o título do filme, sem grande originalidade (ou melhor, sem NENHUMA originalidade, seria legal tentar recriar aquela abertura fantástica da Parte 1, com o título se aproximando lentamente e o vidro quebrando com o impacto, já que eles resolveram “homenagear” tantas coisas da série… Mas enfim, falo mais dessas homenagens – do excesso delas – daqui a pouco), e acontece mais um pulo de algumas semanas. É então que nos são apresentados os personagens principais do filme: Um rapaz à procura de sua irmã, desaparecida (ela estava entre os cinco jovens da floresta) e um novo grupo de jovens liderado por um arrogante mauricinho que se reunem para passarem uns dias na mordomia, em um casarão, aos arredores de Cristal Lake (mas será possível que alguém em sã consciência teria a capacidade de construir uma casa de campo aos arredores de Cristal Lake? Ok, sigamos…).

Nem preciso avisar que trata-se de spoilers: Há muitas mortes, e todas são bastante originais até, sendo que em alguns casos há citações claras a outros capítulos da franquia, como a morte de um dos jovens, tendo seu pescoço perfurado, como na clássica cena da morte do personagem de Kevin Bacon, na época um mero zé ninguém (não que hoje ele não o seja novamente haha), no 1º Sexta Feira 13. Mas há também mortes mais criativas e até divertidas, como também já é esperado em todos os filmes do mascarado.

A estética é muito semelhante à do remake de O Massacre da Serra Elétrica, com aqueles closes em coisas grotescas, a indução ao nojo forçado, mas não só a estética, há semelhanças no ritmo, na pressa em alguns desfechos, pelo puro prazer do susto barato, e que acaba nem sempre sendo tão inesperado assim, além do excesso de citações, de homenagens, aos originais. Ok, é legal ver o Jason quebrando a janela e pulando no mocinho, como nos velhos tempos. Mas nos velhos tempos isso era feito no time certo, a gente via a janela ali, na nossa cara, com mais da metade da tela focalizada nela, e nem assim nos tocávamos que dali sairia alguma coisa. Agora, antes mesmo de percebermos que há uma janela, o Jason já está pulando no cara (é o lance do time). E nem vou falar do final, que é para mim o grande erro, e o que poderia ser também a grande forma de redimir o filme desses pequenos deslizes de percurso. Ejaculação precoce total.

Pra quem gosta da série vale pelas citações, mesmo que mal executadas, e para quem gosta de filmes de terror, simplesmente, também vale a pena, pela diversão. Ao menos não é mais um daqueles filmes baseados em filmes de terror japoneses imbecis. É simplesmente o velho e bom slasher movie que tanto gostamos, com um psicopata armado com objetos cortantes e adolescentes gostosas clamando pela vida, depois de terem dado bastante.

2/4

Rodrigo Jordão

ou: Sexta-Feira 13 (Marcus Nispel, 2009) – Daniel Costa – 1/4

Comments Off on Sexta-Feira 13 (Marcus Nispel, 2009)

Filed under Resenhas

O Diabo Veste Prada (David Frankel, 2006)

Andy Sachs (Anne Hathaway), garota recém formada jornalista, acaba contratada para ser assistente em uma revista de moda, a contragosto, mesmo esse cargo sendo altamente cobiçado, apesar de ser visto como um daqueles empregos impossíveis, afinal ser assistente da megera Miranda Priestly (Meryl Streep) não é para qualquer uma. E a partir daí vê a rotina de sua vida, com seus amigos e namorado (além de seus próprios princípios) ser virada de pernas pro ar devido à dedicação extrema que o trabalho com a editora-chefe da revista Runway lhe exige.

O filme é recheado por uma trilha sonora bastante agradável, piadinhas sutis envolvendo o mundinho fashion e alguns velhos clichês, como a coisa da garota “feinha” (feia nada, é o velho clichê da garota que se veste mal, prende o cabelo e usa óculos enormes, mas que por baixo de tudo isso é uma top model – ok, nem tanto, mas a Anne Hathaway é bonitinha) que acaba se dando bem, etc, mas que funcionam perfeitamente com o climinha “sessão da tarde” que ele possui, graças à leveza com que tudo caminha. Os alívios cômicos do primeiro terço do filme, onde a personagem Andy passa por diversos apuros para se adaptar ao novo emprego, fazem nascer o necessário vínculo de carinho do espectador com a heroína, e por mais clichê que esses alívios cômicos sejam, eles são sempre muito eficazes. Mas nenhuma heroína nasce sem uma boa vilã, e Meryl Streep está bem inspirada aqui (grande novidade). Sua personagem é adoravelmente detestável.

O maior problema no filme é mesmo o desfecho, que apela em humanizar até mesmo a detestável Miranda, e em amenizar demais tudo (estranha a reviravolta da protagonista, que acaba nem sendo uma reviravolta no fim das contas), como num conto de fadas mesmo, apelando para os velhos clichês (nesse ponto em dosagem levemente equivocada, a meu ver). Não importa saber, por exemplo, porque Miranda é daquele jeito, não interessa vir jogar aos 47 minutos do segundo tempo que o casamento dela estava mal ou que ela sofre de algum distúrbio de humor controlado por remédios tarja preta, isso quebra o encanto, que mania que esses caras tem de justificar o que julgam inaceitável, como se isso… Ops, olha eu aqui julgando o que acho inaceitável também haha… Enfim, filme bastante divertido, porém descartável, MAS, com forte possibilidade de ser considerado cult daqui a uns anos, voltando a ser reverenciado, com muito mais força. Assim como acontece com a moda.

2/4

Rodrigo Jordão

Comments Off on O Diabo Veste Prada (David Frankel, 2006)

Filed under Comentários

A Máscara Mortal (Roger Corman, 1964)

Já falei algumas vezes de como, nesses mais de 100 anos da sétima arte, muitos profissionais não recebem o merecido destaque, sendo renegados a vagas e pontuais lembranças. Isso ocorre principalmente dentre aqueles que abraçaram o terror como “gênero”. Só para constar: quantos filmes do gênero ganharam o Oscar? Alguém sabe qual foi o último a ganhar essa honraria? Pois é… Talvez o mais injustiçado (ou pelo menos um dos mais) seja Roger Corman.

Se William Castle foi um legítimo showman, um legítimo performer que não poupava esforços em permitir uma interação filme/espectador, mesmo se utilizando de efeitos baratos (mas que funcionavam) e propraganda extremamente agressiva, Roger Corman, além de ter apradinhado profissionais do calibre de Coppola, James Cameron, Nicholas Roeg (foi o seu diretor de fotografia em vários filmes), Jack Nicholson, Monte Hellman, etc., foi um dos maiores diretores do seu tempo, dono de uma estética impecável, de um domínio da atmosfera de terror que nenhum outro jamais sonhou em ter, mesmo com orçamentos apertadíssimos.

Uma prova irrefutável do seu talento é “The Masque of Red Death”. Parte da série de nove filmes em que ele, junto com o grande Vincent Price, fizeram a partir de contos de Edgar Allan Poe, o filme é um dos usos mais fodas de direção de arte que já vi aliada ao uso fotografia soturna de Nicholas Roeg, como pode ser comprovado nas longas passagens pelas salas, onde cada uma está pintada de uma cor; ou ainda quando a ameaça escarlate aparece nas cenas. E Corman rege tudo isso com um controle de cena inspiradíssimo, tendo o seu auge nos 15 minutos finais, onde a Morte convida os presentes para uma dança final, resultando numa cena que Bergman aplaudiria de pé.

Claro que tudo isso não adiantaria se o maior astro não desse uma atuação à altura. Mas isso não é um problema quando se tem a lenda, Vincent Price, em ação. Poucas vezes o seu ar aristocrático, seu cinismo elegante, seu charme maquiavélico, capaz de, ao mesmo tempo, assustar e encantar, esteve tão presente e atuante como nesse filme.

Com tudo isso, temos um filme a altura dos contos de Edgar Allan Poe. Mas do que isso, temos mais uma prova de que efeitos especiais, sangue e vísceras aos borbotões nunca superarão uma ambientação perfeita, uma direção de arte e fotografia soturna, um monstro da atuação e um gênio do seu ofício coordenando tudo isso. E isso, meu caro, definitivamente, não é para qualquer um.

4/4

Adney Silva

Comments Off on A Máscara Mortal (Roger Corman, 1964)

Filed under Resenhas

Força Diabólica (William Castle, 1959)

Simplesmente espetacular! Uma obra-prímissima não só no “gênero” terror, mas de todo o cinema. William Castle pode ser um dos mais perfomáticos e fanfarrões diretores/produtores que a sétima arte já concebeu, mas poucos sabiam como “manipular” as emoções do público, seja com os seus artífícios extra-cinematográficos (como ligar algumas poltronas do cinema em um equipamento que vibrava e dava pequenos choques nos espectadores), seja, principalmente, com o seu total domínio da câmera e das escolhas felizes envolvendo a direção artística do filme (incluíndo aí a cena clássica já no final do filme, além de alguns poucos segundos onde temos cores no filme), tudo isso mesclado a uma história sensacional que mescla terror/sci-fi/policial.

Com “The Tingler”, William Castle mostra que é possível ter uma história estruturalmente sensacional, com poucos recursos, e, ainda por cima, promover uma verdadeira festa no cinema. Se isso não é interação total entre espectador/filme, é melhor me dizerem o que é.

4/4

Adney Silva

1 Comment

Filed under Comentários

Screenshots! – Suspiria (Dario Argento, 1977)

Luis Henrique Boaventura

Sangue, cores, luzes e formas. Não se engane, esta é apenas a primeira seqüência.

Clique nas imagens para ver em tamanho original:

9 Comments

Filed under screenshots

Oscar 2009 – Avaliação da Noite

por Amílcar Figueiredo

Por mais chata, cansativa ou previsível que seja a cerimônia, ver o Oscar sempre traz algo interessante, seja o espectador cinéfilo ou não, e a edição deste ano não foi diferente. É fácil perceber que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood vem num esforço constante de se modernizar, de atrair um novo público para ver a entrega de seus prêmios. Nesse ano a organização acertou em vários momentos – fazendo uma bela homenagem a cada um dos atores indicados, agrupando os prêmios por uma espécie de “pertinência temática” (Melhor Figurino junto com Melhor Direção de Arte, Mixagem e Edição de Som junto de Edição de Imagens, etc.) e, numa manobra até ousada, associando indicados do presente com filmes e profissionais do passado – embora tenha errado em outros, como na insistência em trazer ícones da cultura pop e adolescente atual que, claramente, nada têm a ver com o simbolismo e com o significado do Oscar.
 
Embora o saldo pareça ser positivo, para quem, como eu, acompanha a festa desde a época em que Cher comparecia fantasiada de ave do paraíso, ou mesmo que Michael Moore – o eterno agitador profissional – xingava o presidente dos EUA, atraindo aplausos e vaias ao mesmo tempo, as cerimônias do Oscar têm se tornado cada vez mais lineares à medida que o profissionalismo e a necessidade pela audiência também aumentam. O assumidamente brega foi substituído pelo sem sal, ainda que correto. Se ficou melhor ou pior, isso vai do gosto de cada um.
 
Numa noite quase sem surpresas – a exceção ficou por conta do Melhor Filme Estrangeiro – interessante mesmo foi ver como a mente dos integrantes da Academia reflete bem as aspirações do momento. Se, no ano passado, foi eleito como o melhor um filme (Onde os Fracos Não têm Vez) técnica e artisticamente brilhante, um invólucro sofisticado para uma assustadora descrença no futuro da humanidade, nesse ano vimos a luz ao fim do túnel sob a forma de uma estória de amor que teima em ser factível quando parece impossível (Quem Quer Ser Um Milionário?) um belo receptáculo para um convite não ao futuro, mas sim ao presente. Mesmo com eleitos tão díspares, não posso dizer que fiquei insatisfeito com o resultado, muito ao contrário.
 
Que bom que o cinema tem dessas coisas, não é mesmo?

9 Comments

Filed under Comentários

Oscar 2009 – Vencedores

Oscar póstumo, discurso pró-homossexualismo, Hugh Jackman sapateando (wtf? haha) e Quem Quer Ser um Milionário? levando 8 carecas pra casa. Confira a lista de vencedores logo abaixo, e no post de cima, a avaliação de Amílcar Figueiredo da 81ª Annual Academy Awards, o Oscar 2009. Falou!

Melhor filme:

“Quem quer ser um milionário?” – Winner! –
“Frost/Nixon”
“O curioso caso de Benjamin Button”
“Milk – A voz da liberdade”
“O Leitor”
 
Melhor ator:

– Mickey Rourke – “O lutador”
– Sean Penn – “Milk – A voz da liberdade” – Winner! –
– Frank Langella – “Frost/Nixon”
– Brad Pitt – “O curioso caso de Benjamin Button”
– Richard Jenkins – “The visitor”

Melhor atriz:

– Meryl Streep – “Dúvida” 
– Kate Winslet – “O leitor” – Winner! –
– Anne Hathaway – “O casamento de Rachel”
– Angelina Jolie – “A troca”
– Melissa Leo – “Rio congelado”

Melhor diretor:

– Danny Boyle – “Quem quer ser um milionário?” – Winner! –
– Ron Howard – “Frost/Nixon”
– David Fincher – “O curioso caso de Benjamin Button”
– Gus Van Sant – “Milk – A voz da liberdade”
– Stephen Daldry – “O leitor”

Melhor filme em língua estrangeira:

– “Revanche”, de Gotz Spielmann (Áustria)
– “The class”, de Laurent Cantet (França)
– “The Baader Meinhof Complex”, de Uli Edel (Alemanha)
– “Waltz with Bashir”, de Ari Folman (Israel)
– “Departures”, de Yojiro Takita (Japão) – Winner! –

Melhor canção original:

– “Down to Earth”, de Peter Gabriel and Thomas Newman – “Wall.E”
– “Jai Ho” de A.R. Rahman – “Quem quer ser um milionário?” – Winner! –
– “O Saya”, de A.R. Rahman e Maya Arulpragasam – “Quem quer ser um milionário?”

Melhor trilha sonora original:

– Alexandre Desplat – “O curioso caso de Benjamin Button”
– James Newton Howard – “Defiance”
– Danny Elfman – “Milk – A voz da liberdade”
– Thomas Newman – “Wall.E”
– A.R. Rahman – “Quem quer ser um milionário?” – Winner! –

Melhor edição:

– “O curioso caso de Benjamin Button”
– “Batman – O cavaleiro das trevas”
– “Frost/Nixon”
– “Milk – A voz da liberdade”
– “Quem quer ser um milionário?” – Winner! –

Melhor mixagem de som:

– “O curioso caso de Benjamin Button”
– “Batman – O cavaleiro das trevas”
– “Quem quer ser um milionário?” – Winner! –
– “Wall.E”
– “Procurado”
 
Melhor edição de som:

– “Batman – O cavaleiro das trevas” – Winner! –
– “Homem de Ferro”
– “Wall.E”
– “Procurado”
– “Quem quer ser um milionário?”

Melhores efeitos especiais:

– “Batman – O cavaleiro das trevas”
– “Homem de Ferro”
– “O curioso caso de Benjamin Button” – Winner! –
 
Melhor documentário de curta-metragem:
 
– “The conscience of Nhem En”
– “The final inch”
– “Smile Pinki” – Winner! –
– “The witness – From the balcony of room 306”

Melhor documentário de longa-metragem:

– “The betrayal”
– “Encounters at the end of the world”
– “The garden”
– “Man on wire” – Winner! –
– “Trouble the water”

Melhor ator coadjuvante:

– Heath Ledger – “Batman – O cavaleiro das trevas” – Winner! –
– Josh Brolin – “Milk – A voz da liberdade”
– Robert Downey Jr. – “Trovão tropical”
– Philip Seymour Hoffman – “Dúvida”
– Michael Shannon – “Foi apenas um sonho”

Melhor curta-metragem:

– “Auf der strecke (On the Line)”
– “Manon on the asphalt”
– “New Boy”
– “The Pig”
– “Spielzeugland (Toyland)” – Winner! –

Melhor fotografia:

– “A troca”
– “O curioso caso de Benjamin Button”
– “O leitor”
– “Batman – O cavaleiro das trevas”
– “Quem quer ser um milionário?” – Winner! –

Melhor maquiagem:

– “O curioso caso de Benjamin Button” – Winner! –
– “Batman – O cavaleiro das trevas”
– “Hellboy II – O exército dourado” 

Melhor figurino:

– “Austrália”
– “O curioso caso de Benjamin Button”
– “A duquesa” – Winner! –
– “Milk – A voz da liberdade”
– “Foi apenas um sonho”

Melhor direção de arte:

– “A troca”
– “O curioso caso de Benjamin Button” – Winner! –
– “Batman – O cavaleiro das trevas”
– “A duquesa”
– “Foi apenas um sonho”

Melhor animação de curta-metragem:

– “La maison en petits cubes” – Winner! –
– “Lavatory – Lovestory”
– “Oktapodi”
– “Presto”
– “This Way Up”

Melhor longa de animação:

– “Wall.E” – Winner! –
– “Kung Fu Panda”
– “Bolt – Supercão”

Melhor roteiro adaptado:

– “O caso curioso de Benjamin Button”
– “Dúvida”
– “Frost/Nixon”
– “O leitor”
– “Quem quer ser um milionário?” – Winner! –

Melhor roteiro original:

– “Rio congelado”
– “Na mira do chefe”
– “Wall.E”
– “Milk – A voz da liberdade” – Winner! –
– “Happy-go-lucky”

Melhor atriz coadjuvante:

– Amy Adams – “Dúvida”
– Penélope Cruz – “Vicky Cristina Barcelona” – Winner! –
– Viola Davis – “Dúvida”
– Taraji P. Henson – “O curioso caso de Benjamin Button”
– Marisa Tomei – “O lutador”

7 Comments

Filed under cinema