Previsões Para o Oscar 2009

por Pedro Kerr

– Melhor Filme:

O Leitor
Quem Quer Ser um Milionário
O Curioso Caso de Benjamin Button
Frost/Nixon
Milk

Favorito: Quem Quer Ser um Milionário
Running-up: O Curioso Caso de Benjamin Button

Um romance dramático com o nazismo como pano de fundo; uma fábula num país pobre; um Forrest Gump um pouco mais dark; uma ficção com um personagem influente político real com o selo Ron Howard de qualidade; uma biografia sobre o primeiro político gay eleito nos EUA. Bem no padrão do Oscar. E nenhum filme que chame a atenção, parece tudo muito lugar comum, mesmo com Fincher, Boyle e Van Sant, que fizeram filmes mais padrão. “Quem Quer Ser um Milionário” é franco-favorito – os indicadores mais óbvios do Oscar são os sindicatos, e dentre os principais, dos produtores, diretores, roteiristas e atores, o filme de Boyle levou simplesmente todos (no de atores, no caso, levou o de melhor elenco; e passou o rodo mesmo, edição, fotografia, som, prêmios da crítica e mais um pouco). E são geralmente, os mesmos produtores, diretores, atores, etc, que votam no Oscar, então pra ele perder, o equino alvinegro tem que ser muito forte. Não é como no caso de Crash vs. Brokeback (Crash no caso tinha levado melhor elenco no sindicato dos atores – e a Academia é composta basicamente por atores). Fora que é cool, muderno e consciência social. Então, pra cravar um possível segundo lugar tive que ir de chutômetro mesmo. Ron Howard já não deve animar tanto, O Leitor pegou a quinta vaga quase que de intruso, então entre Milk e Benjamin, vai de Benjamin.

– Melhor Diretor:

Stephen Daldry (O Leitor)
Danny Boyle (Quem Quer Ser um Milionário?)
David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Ron Howard (Frost/Nixon)
Gus Van Sant (Milk)

Favorito: Danny Boyle
Running-up: David Fincher

Nada muito a acrescentar nos dois. Mantendo a coerência.

– Melhor Ator:

O Curioso Caso de Benjamin Button – Brad Pitt
Frost/Nixon – Frank Langella
Milk – Sean Penn
The Visitor – Richard Jenkins
O Lutador – Mickey Rourke

Favorito: Mickey Rourke (O Lutador)
Running-up: Sean Penn (Milk)

Rourke leva porque parece a hora com a cara dele – Penn já tem o seu na estante; Rourke está naquele típico “filme de ator” (ainda mais com todas as coincidências da vida do ator e do personagem), e diria que almeja bem mais o Oscar (pra não dizer que foi um filme feito pra ganhar um, hehe).

– Melhor Atriz:

A Troca – Angelina Jolie
Dúvida – Meryl Streep
Frozen River – Melissa Leo
O Casamento de Rachel – Anne Hathaway
O Leitor – Kate Winslet

Favorita: Kate Winslet (O Leitor)
Running-up: Meryl Streep (Dúvida)

Cada uma levou um prêmio no sindicato, Kate como coadjuvante. Kate é talentosa, já foi indicada uma penca de vezes, e cada vez se pensa quando será a vez dela. Agora parece ser. Mas, conversando aqui no escritório do multiplot, o assunto veio a tona e Meryl Streep é o fantasma que pode assombrar Kate dessa vez. Streep bate recordes de indicações (são 15, senão me engano), mas venceu apenas duas vezes; além de já ser uma lenda viva do cinema americano. Kate ganhando seria simpático e agradável, mas nada comparado a epifania que
Streep pode causar no teatro se subir no palco depois de mais de vinte anos.

– Melhor Ator Coadjuvante:

O Cavaleiro das Trevas – Heath Ledger
Dúvida – Philip Seymour Hoffman
Milk – Josh Brolin
Foi Apenas um Sonho – Michael Shannon
Trovão Tropical – Robert Downey Jr.

Favorito: Heath Ledger (O Cavaleiro das Trevas)
Running-up: Heath Ledger (O Cavaleiro das Trevas)

Qualquer outro vencedor será interpretado como um insulto à memória de Ledger. Ninguém quer carregar esse fardo.

– Melhor Atriz Coadjuvante:

O Curioso Caso de Benjamin Button – Taraji P. Henson
Dúvida – Amy Adams
Dúvida – Viola Davis
Vicky Cristina Barcelona – Penélope Cruz
O Lutador – Marisa Tomei

Favorita: Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Running-up: Viola Davis (Dúvida)

Tem aquela costumeira coisa de “atriz coadjuvante do Woody Allen no Oscar” e yada yada yada. Mas o fator língua pode pesar contra.

– Melhor Roteiro Original:

Frozen River – Courtney Hunt
Happy-Go-Lucky – Mike Leigh
In Bruges – Martin McDonagh
Milk – Dustin Lance Black
WALL·E – Andrew Stanton; Jim Reardon; Pete Docter

Favorito: Milk
Running-up: WALL·E

– Melhor roteiro adaptado:

O Curioso Caso de Benjamin Button – Eric Roth e Robin Swicord, baseado na estória de F. Scott Fitzgerald.
Dúvida – John Patrick Shanley, baseado na peça Doubt: A Parable.
Frost/Nixon – Peter Morgan, baseado peça de mesmo nome.
O Leitor – David Hare, baseado na novela de Bernhard Schlink.
Quem Quer Ser um Milionário – Simon Beaufoy, baseado na novela de Vikas Swarup.

Favorito: Quem Quer Ser um Milionário
Running-up: Frost/Nixon

– Melhor filme de animação:

Bolt
Kung Fu Panda
WALL·E

Favorito: WALL·E
Running-up: Kung Fu Panda

– Melhor filme em língua estrangeira:

Der Baader Meinhof Komplex – Alemanha
Entre les murs – França
Departures – Japão
Revanche – Áustria
Valsa com Bashir – Israel

Favorito: Entre les murs
Running-up: Valsa com Bashir

– Melhor direção de arte:

A Troca
O Curioso Caso de Benjamin Button
O Cavaleiro das Trevas
A Duquesa
Foi Apenas Um Sonho

Favorito: O Cavaleiro das Trevas
Running-up: O Curioso Caso de Benjamin Button

– Melhor fotografia:

A Troca
O Curioso Caso de Benjamin Button
O Cavaleiro das Trevas
O Leitor
Quem Quer Ser um Milionário

Favorito: Quem Quer ser um Milionário
Running-up: O Cavaleiro das Trevas

– Melhor figurino:

Australia
O Curioso Caso de Benjamin Button
A Duquesa
Milk
Foi Apenas um Sonho

Favorito: A Duquesa
Running-up: O Curioso Caso de Benjamin Button

– Melhor edição:

Frost/Nixon
O Curioso Caso de Benjamin Button
O Cavaleiro das Trevas
Milk
Quem Quer Ser um Milionário

Favorito: Quem Quer Ser um Milionário
Running-up: O Curioso Caso de Benjamin Button

– Melhor maquiagem:

O Curioso Caso de Benjamin Button
O Cavaleiro das Trevas
Hellboy II: O Exército Dourado

Favorito: O Curioso Caso de Benjamin Button
Running-up: Hellboy II: O Exército Dourado

– Melhores efeitos visuais:

O Curioso Caso de Benjamin Button
O Cavaleiro das Trevas
O Homem de Ferro

Favorito: O Homem de Ferro
Running-up: O Cavaleiro das Trevas

– Melhor edição de som:

O Cavaleiro das Trevas
O Homem de Ferro
Quem Quer Ser um Milionário
WALL·E
O Procurado

Favorito: Quem Quer Ser um Milionário
Running-up: O Cavaleiro das Trevas

– Melhor mixagem de som:

O Curioso Caso de Benjamin Button
Defiance
Quem Quer Ser um Milionário
WALL·E
O Procurado

Favorito: Quem Quer Ser um Milionário
Running-up: WALL·E

– Melhor trilha sonora:

O Curioso Caso de Benjamin Button
Defiance
Milk
Quem Quer Ser um Milionário
WALL·E

Favorito: Quem Quer Ser um Milionário
Running-up: WALL·E

– Melhor canção original:

“Jai Ho” de Slumdog Millionaire
“O Saya” de Slumdog Millionaire
“Down to Earth” de WALL·E

Favorito: Down to Earth
Running-up: O Saya

– Melhor documentário:

The Betrayal (Nerakhoon)
Encounters at the End of the World
The Garden
Man on Wire
Trouble the Water

Favorito: Man on Wire
Running-up: Trouble the Water

 
É isto, até a grande noite, e não perca o balanço da premiação na segunda-feira.

Abraço!

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Top! Perdedores do Oscar de Melhor Filme

Oscar pra quê? Se as grandes obras-primas não são consagradas pela Academia, o tempo e o MP! tratam de reparar alguns pecados, a diferença é que nossos tops não vão pra estante, hehe. Pra quem chega agora, primeiro top postado nos comentários vem aqui pro topo do post. Sexta-feira teremos as previsões, domingo é a vez da grande noite, e pra acompanhar a ressaca do dia seguinte, uma avaliação de tudo que rolou. E no mais é isso, participem!

Top! do Leitor:

Rafaéu

01. Cidadão Kane (Orson Welles, 1941)
02. O Grande Ditador (Charles Chaplin, 1940)
03. Laranja Mecânica (Stanley Kubrick, 1971)
04. Taxi Driver (Martin Scorsese, 1976)
05. Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder, 1950)
06. Gritos e Sussurros (Ingmar Bergman, 1972)
07. Pulp Fiction (Quentin Tarantino, 1994)
08. Nascida Ontem (George Cukor, 1950)
09. A Última Sessão de Cinema (Peter Bojdanovich, 1971)
10. O Homem Elefante (David Lynch, 1980)

Tops! da Equipe:

Daniel Dalpizzolo

01. Cada um Vive Como Quer (Bob Rafelson, 1970)
02. Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder, 1950)
03. Gritos e Sussurros (Ingmar Bergman, 1972)
04. O Expresso de Shangai (Josef von Sternberg, 1932)
05. A Última Sessão de Cinema (Peter Bojdanovich, 1971)
06. Apocalypse Now (Francis Ford Coppola, 1979)
07. Doze Homens e uma Sentença (Sidney Lumet, 1957)
08. As Vinhas da Ira (John Ford, 1940)
09. A Felicidade Não Se Compra (Frank Capra, 1946)
10. Cupido é Moleque Teimoso (Leo McCarey, 1937)

Jailton Rocha

01. Laranja Mecânica (Stanley Kubrick, 1971)
02. Os Caçadores da Arca Perdida (Steven Spielberg, 1980)
03. Dr. Fantástico (Stanley Kubrick, 1964)
04. Pulp Fiction – Tempo de Violência (Quentin Tarantino, 1994)
05. Loucuras de Verão (George Lucas, 1973)
06. O Informante (Michael Mann, 1999)
07. Taxi Driver (Martin Scorsese, 1976)
08. Apocalypse Now (Francis Ford Coppola, 1979)
09. Star Wars Episódio IV – Uma Nova Esperança (George Lucas, 1977)
10. Touro Indomável (Martin Scorsese, 1980)

Adney Silva

Como tinha dito no top anterior, o Oscar cometeu inúmeras injustiças, tanto que o primeiro lugar do meu top de todos os tempos (que se encontra na aba “Equipe” do blog) é, também, o primeiro lugar desse top. E ainda poderia fazer um top 20, top 30, top 50 de perdedores do Oscar que, ainda assim, teríamos apenas obras-primas.

01. Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder, 1950)
02. Rede de Intrigas (Sidney Lumet, 1975)
03. O Grande Ditador (Charles Chaplin, 1940)
04. Dr. Fantástico (Stanley Kubrick, 1964)
05. Anatomia de um Crime (Otto Preminger, 1959)
06. Apocalypse Now (Francis Ford Coppola, 1979)
07. Touro Indomável (Martin Scorsese, 1980)
08. Bonnie & Clyde (Arthur Penn, 1967)
09. O Tesouro de Sierra Madre (John Huston, 1948)
10. Dr. Jivago (David Lean, 1965)

Djonata Ramos

01. Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003)
02. O Informante (Michael Mann, 1999)
03. Além da Linha Vermelha (Terrence Malick, 1998)
04. Melhor É Impossível (James L. Brooks, 1997)
05. Os Bons Companheiros (Martin Scorsese, 1990)
06. O Homem Elefante (David Lynch, 1980)
07. Laranja Mecânica (Stanley Kubrick, 1971)
08. Cada Um Vive Como Quer (Bob Rafelson, 1970)
09. Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder, 1950)
10. A Felicidade Não Se Compra (Frank Capra, 1946)

Thiago Duarte

01. Pulp Fiction (Quentin Tarantino, 1994)
02. Doze Homens e Uma Sentença (Sidney Lumet, 1957)
03. Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003)
04. A Felicidade Não se Compra (Frank Capra, 1946)
05. Os Bons Companheiros (Martin Scorsese, 1990)
06. Barry Lyndon (Stanley Kubrick, 1975)
07. Touro Indomável (Martin Scorsese, 1980)
08. Hannah e Suas Irmãs (Woody Allen, 1986)
09. O Resgate do Soldado Ryan (Steven Spielberg, 1998)
10. Fargo (Joel Coen, 1996)

Rodrigo Jordão

Se um cara fosse descongelado, depois de uns 80 anos, assistisse a todos os filmes feitos de lá pra cá, e visse a lista abaixo, é muito provável que achasse que seria uma lista de vencedores do Oscar.

PS: Coloquei Pulp Fiction, Taxi Driver e Brokeback Mountain à frente de Laranja Mecânica, mesmo preferindo o Laranja, como é de conhecimento geral, por considerar que esses três filmes foram tremendamente injustiçados.

01. Taxi Driver (Martin Scorcese, 1976)
02. Pulp Fiction – Tempo de Violência (Quentin Tarantino, 1994)
03. O Segredo de Brokeback Mountain (Ang Lee, 2005)
04. Laranja Mecânica (Stanley Kubrick, 1971)
05. Encontros e Desencontros (Sophia Coppola, 2003)
06. Barry Lyndon (Stanley Kubrick, 1975)
07. O Grande Ditador (Charles Chaplin, 1940)
08. E.T. – O Extraterrestre (Steven Spielberg, 1982)
09. Dr. Fantástico (Stanley Kubrick, 1964)
10. O Resgate do Soldado Ryan (Steven Spielberg, 1998)

Pedro Kerr

Inacreditável ver um único diretor emplacar hat-trick desse calibre. E fazer esse só com 10 é fogo também.

01. Touro Indomável (Martin Scorsese, 1980)
02. Pulp Fiction (Quentin Tarantino, 1994)
03. Os Bons Companheiros (Martin Scorsese, 1990)
04. Apocalypse Now (Francis Ford Coppola, 1979)
05. Taxi Driver (Martin Scorsese, 1976)
06. Fargo (Irmãos Coen, 1996)
07. Os Caçadores da Arca Perdida (Steven Spielberg, 1981)
08. Cupido é Moleque Teimoso (Leo McCarey, 1937)
09. Chinatown (Roman Polanski, 1974)
10. O Exorcista (William Friedkin, 1973)

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Frost/Nixon (Ron Howard, 2008)

por Amílcar Figueiredo

No último filme do diretor Ron Howard, Frost/Nixon (adaptado da peça de teatro homônima, escrita pelo dramaturgo inglês Peter Morgan, o mesmo de A Rainha e O Último Rei da Escócia), indicado para 5 Oscars, Michael Sheen interpreta o apresentador de talk shows britânico David Frost, que de uma hora pra outra obtém algo que poderia ser tido por um bilhete premiado: uma entrevista exclusiva com o ex-presidente norte-americano Richard Nixon (Frank Langella, que surpreende ao apresentar um trabalho calibrado e eficiente), que havia renunciado ao cargo em razão do Escândalo Watergate. Inicialmente, o filme se estrutura nas dificuldades de Frost para executar seus planos conforme o esperado e, posteriormente, nos duelos verbais havidos entre entrevistador e entrevistado.

Mais uma vez, Ron Howard tem um material razoável em suas mãos e, ainda assim, é incapaz de realizar um filme algo mais que medíocre. Pretensamente inteligentes e profundos, a verdade é que os embates entre Frost e Nixon têm muito menos relevância histórica do que seu escritor e seu diretor gostariam, razão pela qual Howard incide no mesmo pecado capital que aflige sua filmografia inteira: simplifica e manipula a estória para torná-la de digestão mais fácil, zombando das capacidades de percepção e de construção lógica do espectador. O formato de documentário, por seu turno, se revela quase como um verdadeiro estelionato cinematográfico, já que o argumento do filme é totalmente romanceado.

Frost/Nixon seria muito pior não fosse o esforço de seus atores principais, já favorecidos pelo fato de terem atuado na peça original. Tanto Langella quanto Sheen relutam em aceitar a bidimensionalidade de seus papéis, adicionando algum tempero a um prato que, de outro modo, poderia beirar o insuportável. Ainda assim, o resultado nunca chega a ser verdadeiramente satisfatório. Antes o diretor gastasse algum tempo no delicado equilíbrio entre a mídia e os fatores de poder ou na maneira pela qual a primeira parasita o segundo. Isso, infelizmente, nunca acontece. Afinal de contas, se trata de um filme “do mesmo diretor de Apolo 13 e de Uma Mente Brilhante”.

1/4

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O Curioso Caso de Benjamin Button (David Fincher, 2008)

por Cassius Abreu

“Viver, e não ter a vergonha de ser feliz…”, já cantava Gonzaguinha há muito tempo. Uma música de letra tão comum, mas de forte apelo emocional; descrevendo a vida de todos nós, com os clichês bem aplicados. O Curioso Caso de Benjamin Button, a superprodução cinematográfica de David Fincher, objetiva trazer à tela este mesmo sentimental coletivo através de uma personagem singular. Tanto o ponto de partida do enredo – da personagem, que poderia ser muito bem explorada pela sua individulidade única, com a questão do retrocesso físico e o envelhecimento psíquico com a dualidade de a velhice, muitas vezes, ser um caminho para o estágio de bebê, só que caminho com destino final – como naquilo que tenta contar e cantar – “que a vida é bonita, é bonita e é bonita” –, o filme de Fincher acaba escapando dos eixos e sendo extremamente perfeccionista para algo tão simples.

À primeira vista, a impressão que tive de Benjamin Button foi a de um filme enganoso. A expectativa por uma história diferencial, como no conto que serviu de inspiração ao roteiro do oscarizável Eric Roth, talvez tivesse afetado a primeira perspectiva, mas ainda traz coisas válidas. É notório que O Curioso Caso acaba não sendo, se me permitem o pablismo, nada curioso. O problema está justamente na abordagem inicial da trama, prometendo uma série de questões com a personagem misteriosa e cheia de ricas metáforas (como na história do relojoeiro, que introduz o filme nos tempos de Benjamin, todavia mostra-se apenas uma muleta sem vínculo representativo ao destino das personagens; soando, ao final, como uma tentativa de densificar a curiosidade que cercará Benjamin), para, depois, tratar sua figura principal como totalmente normal – não no sentido comum da palavra, ou seja, um “alguém” diferente que é tratado como um qualquer (e vivam as diferenças e aquele velho blá-blá-blá). A normalidade, na verdade, é que as questões físicas e diferencias de Button jamais são exploradas para valer, sem gerar desconfianças ou intrigas de qualquer personagem (há, apenas, uma reação estupefata de médicos e idosos no asilo em que Benjamin é abrigado, no começo do filme). E isso incomoda por uma série de razões, atreladas à segunda visão que se tem da obra em questão.

Servindo como um retrato da vida, naquele destino corriqueiro de encontros únicos, experiências dolorosas, mortes à volta, celebrações e dramas, até chegar ao nosso último suspiro, O Curioso Caso de Benjamin Button é incapaz de atrair o espectador pela longa duração. Aí que a dita curiosidade poderia fazer a diferença; só que, deixada de lado, aos poucos ignora, também, o interesse da plateia. Mais do que isso: se o objetivo é retratar as fases da vida como um todo, por que tanta ênfase no príncipio, com Pitt velho descobrindo as coisas? Para deixar bem à mostra a maquiagem e os efeitos, na procura por prêmios, além de poder contar trajetórias bonitinhas, como a viagem com o marinheiro? Por que, então, a dispensa na vida dele nos momentos infanto-juvenis e de bebê? Uma edição descuidada, pegando um diário de uma Cate Blanchett (todo mundo já falou, mas não custa repetir: totalmente desaparecida debaixo da maquiagem, sem capaz de demonstrar qualquer expressão ou reação) idosa como justificativa para a falta de assuntos mais adiante – ou a simples pressa em encerrar o filme. Particularmente, os momentos finais foram-me até certo ponto agradáveis, afinal convivo com idosos e sei das dificuldades quanto ao esquecimento, e O Curioso Caso, neste ponto, quase chegou a fazer com que eu mudasse de opinião. No entanto, por mais uma vez o filme é ralo no tratamento de certo assunto.

Falando nisso, a história de Benjamin é uma tentativa de Roth de repetir seu Forrest Gump, só que sem o carisma de Tom Hanks ou a mão mais sensível de Zemeckis – Fincher deveria voltar aos conceitos estéticos que até aqui me irritaram (afinal, o perfeccionismo tem de ser traduzido em algo positivo ao filme, a meu ver… É como uma escola de samba, em que os carros e fantasias luxuosas valem apenas 20% do todo; sem contagiar é muito pouco, e, às vezes, o próprio brilhantismo e riqueza de carros – aqui a parte técnica – atrapalham a desenvoltura do ‘humano’) –, uma vez que passa por momentos atípicos da história norteamericana, entrando de carona na questão negra – Taraji P. Henson fez o quê de tão destacável ali? –, a Guerra Mundial e o Katrina. Só faltou a crise; e a propósito, dinheiro jamais é problema para Button, mesmo tendo sido renegado ele ganha apoio do pai (a volta deste é outro momento esquecível do filme; inconclusiva), dono da fábrica de butões Button’s Button, ô piadinha sô (e as dos sete raios no velhinho foram dose). Somente quando romanceia o enredo mais a fundo o filme tem certo destaque, seja na personagem de Tilda Swinton, guerreira para a vida e verdeiro exemplo, seja no amor entre Button e Daisy, incapaz de ser afastado pelo tempo e pela idade – aí entra uma cena de sexo totalmente vexamatória e descartável, com um Pitt garotão e uma Blanchett além da maturidade, fisicamente falando.

O Curioso Caso de Benjamin Button poderia ter sido mais inovador, mas também poderia ter trilhado a mesma idéia, só que aprendido com a canção O Que É, O Que É antes de fazê-lo; afinal, um Brad Pitt sorrindo e sem mudança de reação mais alguns fatos pitorescos e um personagem bizarrinho, com um romance lançado no meio, não são a tradução mais eficiente da vida. Eu ainda prefiro a pureza da resposta das crianças.

1/4

por Adney Silva

Estava bastante empolgado por esse filme. Afinal de contas, o tema de “O Curioso Caso de Benjamin Button” seria perfeito para um diretor como David Fincher. Só que, infelizmente, ao invés de imprimir o sua marca (tal como fez em “Zodíaco”, por exemplo), o diretor adota um estilo de direção pouco comum em relação ao que conhecemos dele, produzindo um filme que, se não é um desastre, tampouco merece ser digno de nota.

Talvez o maior problema seja a sua perda de ritmo conforme o seu desenrolar. A primeira parte é legal, com aquele clima de conto (reforçado pela narração em off), abordando os primeiros anos de vida de Button. Entretanto, a partir daí, o filme sofre muito com altos e baixos, especialmente quando a personagem da Cate Blanchett se estabelece na vida de Benjamim. A partir daí, a distância entre o filme e espectador se torna alta demais, devido principalmente a falta do domínio do ritmo da trama. E isso pode ser muito ruim especialmente para filmes longos como esse. Apesar disso, a parte técnica do filme é muito boa e o Brad Pitt está bem (pena não poder o mesmo da Cate Blanchett e, principalmente, da Taraji P. Henson). Entretanto, essas não sã credenciais suficientes para um filme com 13 indicações.

No fim das contas, Fincher acaba mostrando que, na maioria das vezes, mudar o seu estilo de direção drasticamente para concorrer a uma premiação pode não ser a melhor saída.

2/4

por Djonata Ramos

É interessante – o tema por si só já o é – mas não sei, o Fincher perdeu a chance de fazer algo diferente. Ele se limita a perder tempo tratando do Benjamin como um aleijado social, como outro qualquer. Algo banal e raso, sendo que a sua “deficiência”  não é grave pelo preconceito que ele pode vir a sofrer, e sim por ele ter de viver de forma totalmente adversa. O modo como isso pode acabar com a possibilidade de ser um marido feliz e um pai realizado – não que a família da noiva vá reclamar que ele é paraplégico, ou porque é negro, mas sim porque, daqui a pouco, vai se tornar mais novo que o próprio filho -, por exemplo. Quando o Fincher parece se dar conta de que tem um material genuíno, muito além de um simples preconceito racial/social/etc, é tarde demais, e ele acaba apenas arranhando a superfície da complexidade do assunto.

Mesmo assim tem algumas coisas que gostei. O relacionamento dele com a Blanchett é bem interessante, a fotografia é lindíssima, e alguns planos são fantásticos, além do elenco. O que fode tudo de vez é a maldita – e inevitável – expectativa. Porra, esse cara vinha de Zodíaco, um grande amadurecimento do seu próprio cinema e que tinha cara de prelúdio pra uma obra-prima. Saí decepcionado. Não achei exatamente ruim, tem uns ótimos momentos, mas basicamente perde tempo demais correndo atrás do próprio rabo.

Sobre as indicações, algumas técnicas ok, a do Pitt não chega a ser um estupro, mas pô, melhor filme? Não. Melhor direção? Pior, ainda mais em se tratando de Fincher, que já fizera trabalhos de direção bem mais interessantes, onde a sua “mão” de fato pesa, o que não é o caso deste, que tá mais pra um piloto automático que qualquer outra coisa. Além, é claro, da já citada falta de noção de ritmo. Fincher desperdiça tempo considerável se repetindo, dando um passo a cada meia hora, e o que já era um filme longo chega a parecer interminável.

2/4

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Quem Quer Ser um Milionário? (Danny Boyle, 2008)

 

por Pedro Kerr

Em virtude do lançamento desse filme (e o buzz que o cerca), fora a nova novela das 8, a Índia está mais em voga. Recebi recentemente duas correntes sobre o país. Uma reclamando que a novela plastificou a realidade indiana (o que de fato acontece…), cheio de fotos sobre a miséria do lugar, a cultura de casamentos arranjados, deixar cadáveres ao ar livre apodrecendo, cagar em lugares a céu aberto reservados a ficarem lotados de merda, entre outras bizarrices. A outra corrente era pornográfica, e logo vinha à cabeça: “existe algum povo tão pitoresco quanto o indiano?”. Longe de mim qualquer julgamento étnico, mas o pitoresco, em dois passos descamba pro bizarro. Algo como: “se existe um lugar pra sair bizarrice, essa é a Índia”. Uma espécie de Brasil na Ásia.

Com tais noções, imaginemos Bollywood, a segunda maior indústria cinematográfica do mundo. Eu nunca vi um filme bollywoodiano, nem conheço ninguém que já tenho visto ao menos um. Fica então só a campo de imaginar o que pode sair de um lugar com uma produção tão intensa quanto cercada aos seus domínios. Talvez por conta da cultura e linguagem exótica, seja impossível promover um filme bollywoodiano fora da Índia. Ou talvez seja ineficiência mercadológica. Mas enfim, “Quem Quer Ser um Milionário” acaba por fazer uma espécie de ponte entre holly e bolly. A ingenuidade com que a narrativa é levada contrasta com a realidade mais forte que o filme mostra (Cidade de Deus style, até na fotografia bem parecida). Temos Jamal, um favelado, que está no Show do Milhão indiano, inacreditavelmente acertando todas as respostas, sem ter estudado, mas com o conhecimento de sua experiência de vida sofrida. É bem meio pra inglês ver, especialmente alternado com a maneira com que ele encara o fator “money can’t buy me love” vs miséria punk, mas o Boyle consegue segurar as pontas com a edição ágil. Embora seja irritante as vezes, e meio formulaico (o Silvio Santos da Índia faz a pergunta, corta pro flashback da infância de Jamal onde ele sabe a resposta).

Um momento que é bem interessante é quando o apresentador lhe pergunta quem é o astro do filme X, e depois vemos o pequeno Jamal encontrando o herói e conseguindo um autógrafo (numa cena que reflete também o lado camp que o filme toma, em que o garoto antes de encontrar com o ídolo, teve que mergulhar no lugar onde as pessoas matriculavam o Robinho na natação), e depois tratando tal pedaço de papel como ouro. É irônico comparado ao clima de conto de fadas que o filme leva. Sim, porque apesar de toda a miséria, instabilidade, mortes e tudo mais, Jamal é um jovem ingênuo e meio deslumbrado com um mundo à sua volta, e o encara a partir de sua própria inocência – quase num formato meio fuleiro de passar lições a nós. O mundo é cão à sua volta, o apresentador do programa desfere verdades desagradáveis para Jamal (talvez preferia que dissesse “um milhão em barras de ouro, que vale mais do que dinheiro a-hae!”), e ele segue impassível, acreditando no Destino e no Amor. O filme é aberto com uma pergunta ampla sobre o protagonista e suas desventuras, e dá quatro alternativas para se encarar a vida sofrida no filme: sorte; trapaça; geniosidade; destino. Quem assiste acaba ficando a mercê e participando de um programa de perguntas e respostas, e por ora é meio estranho essa iniciativa de direcionar a interpretação venha do próprio filme. Mas também, por ora, a narrativa te suga e você acaba aceitando de bom grado.

“Quem Quer Ser um Milionário?” é realmente interessante, mas a meu ver, o filme não envelhecerá muito bem. É simpático e tudo mais, mas poderia ficar nisso – elevar a patamares mais superiores como o hype anda fazendo fará mal principalmente ao próprio filme (gerando uma certa antipatia ou sei lá). É um que você olha e acaba gostando, mas que tem momentos que você não consegue levar a sério (a cena durante os créditos finais…), tem (seus talvez, melhores) momentos em que se assume como uma fábula e nada mais, tem momentos em que resolve ir pra um lado mais pesado, tem momentos de reflexão canhestra de botequim. É uma salada que o Boyle consegue misturar no ritmo de um videoclipe bem kitsch (bem a modo daqueles do Michael Jackson no Brasil).

2/4

por Amílcar Figueiredo

Danny Boyle é mesmo um camaleão. Após realizar uma ficção científica extremamente sofisticada, de pendores filosóficos (o criminosamente ignorado Sunshine – Alerta Solar), ele volta às telas com um produto tipicamente para as massas. E que deve faturar o Oscar, ainda por cima.

Quem Quer Ser um Milionário conta a estória de Jamal (o inglês Dev Patel), um rapaz pobre e iletrado de Mumbai, na Índia, que acaba de chegar à etapa final de um programa televisivo de perguntas e respostas que, obviamente, pode torná-lo um milionário da noite para o dia. O problema é que não acreditam em Jamal, acham que ele está trapaceando e, por isso mesmo, o obrigam – por métodos nada sutis – a explicar como ele sabia cada uma das respostas. Nesse processo conheceremos toda a vida do rapaz, inclusive o grande amor de sua vida, Latika (a indiana Freida Pinto).

O filme tem a estrutura de um conto de fadas contemporâneo, ou melhor, de um videogame, com sua narrativa episódica e frenética, apesar de bastante linear. O maior problema é que Boyle, para acentuar o lado virtuoso de Jamal, demoniza toda a sociedade que o rodeia: pervertida, inescrupulosa, egoísta, amoral. Se, de um lado, tal expediente favorece a identificação do espectador com o protagonista, de outro lado, reduz os demais personagens a pouco mais que caricaturas. O uso de chavões e de diálogos nada naturais só piora as coisas, tornando Quem Quer Ser um Milionário uma coleção de clichês, na maior parte do tempo.

Para nossa sorte, este não é um diretor comum. Boyle entende não só a dinâmica complexa dos personagens cuja saga conta, mas também o movimento da nossa própria sociedade. Em seu terço final, Jamal sofre uma verdadeira metamorfose: de um tolo virtuoso, pelo qual ninguém apostaria um níquel, a um símbolo da perseverança contra todos os prognósticos e as vicissitudes. Com ele, emoldurado por uma cinematografia de incrível beleza, vão as esperanças de Mumbai e da Índia inteira. E as nossas também.

2/4

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O Leitor (Stephen Daldry, 2008)

por Adney Silva

Se em “As Horas” o diretor já dava sinais bem claros do quanto ele gosta de sempre colocar os pingos nos “i”s, e de criar cenas supostamente “poéticas” (mas que, no fundo, são tão profundas quanto um pires), nesse filme ele reafirma essa proposta de “Cinema pseudo-poético sem entrelinhas para emocionar velhinhas e conseguir alguns Oscars”.

Excetuando a atuação da Kate Winslet (acredito que dessa vez não passa, ela abocanha o Oscar), nada se salva aqui. Cenas colocadas apenas para “efeito estético”; vários momentos em que o diretor parece escrever para o espectador qual emoção/sentimento ele deve ter (e feito da pior maneira possível); além dele conduzir o filme com uma mão pesadíssima, fazendo com que o filme pareça ter mais tempo do que ele realmente têm.

Apesar disso, talvez ele tenha alcançado mais uma vez o seu objetivo, já que o seu filme anterior também foi indicado ao Oscar de melhor filme. Acho que o gosto dos velhinhos da Academia é bem previsível mesmo.

1/4

por Cassius Abreu

Recentemente publiquei neste espaço um texto à revisão do filme Billy Elliot, a estreia de Daldry nos cinemas, enaltecendo o fato de tê-lo reconsiderado. Aproveitando o ensejo da revisão desta obra, precisava de outra obra para firmar que Daldry, enfim, não era tão fraco como pensava. Só que em O Leitor ele consegue cair ainda mais depois da frieza e do distanciamento cheio de metáforas e sublinhas desnecessárias a uma trama sem destino lógico que marcaram As Horas. Repensado a própria revisão de Billy, ocorre que Daldry fugiu da simplicidade de conteúdo e emotividade no descobrimento de fatos às personagens principais para deixar lugar a subtramas e enredos supostamente ricos em complexidade e segredos.

A grande dificuldade de O Leitor é justamente a maneira com a qual lidar com tais segredos e mudanças no roteiro, gerando uma edição desinteressante e burocrática, desenhando-se em três “filmes” distintos dentro de um só – mas sem um elo um pouco mais consistente, como acontecera no igualmente decepcionante O Curioso Caso de Benjamin Button, sobre o qual falaremos mais tarde. Para além dos tradicionais flashbacks perante a expressão melancólica de um bom Ralph Fiennes, a obra já começa com a relação entre o jovem Michael e uma adulta. Ao invés de tentar criar algo mais proveitoso nessa dualidade, a preferência é por trazer muito mais cenas sexuais, sem conjugar o tal amor que as duas personagens dizem sentir – e valer, talvez, a trama como um todo. A relação desenvolve-se de maneira bem tolinha, com personagens coadjuvantes que de nada adiantarão, como a escola de Michael (servindo de muleta apenas para a previsível discussão – ah, não poderia faltar – entre os dois, quando Michael deixa uma festa para correr à sua amada). Falta algo relativamente construtivo para este primeiro trecho, ainda que este tenha momentos a serem celebrados (a cena do passeio de bicicleta é bastante interessante, mesmo que a piadinha sobre a diferença de idade entre os dois seja óbvia é um ponto válido com o qual se trabalhar); já que tais momentos são rasamente explorados.

A primeira mudança do roteiro é quando Winslet vai-se, promovida, e Michael já aparece na faculdade de direito, quando o filme promete engrenar. A personagem de Bruno Ganz (destaque absoluto, para variar; é maravilhoso vê-lo em cena) construindo o curso, com poucos alunos, e a relação menos excêntrica que Michael terá com a futura mãe de sua filha dão mais ânimo a O Leitor. Pena que este vai se espatifar após o julgamento da personagem de Kate Winslet, uma ex-nazista (uma das “surpresas” do roteiro mal-escondidas ou, pelo menos, mal trazidas à tona uma vez que todos sabiam da ida ao tribunal e o encontro entre os dois, e mesmo assim é algo dado como inesperado pela forma optada por Daldry); dada a facilidade com a qual o roteiro resolve o caso – basta remartelar na cabeça do espectador o fato de a personagem ser petulante e orgulhosa,  além de analfabeta, o que já ficara claro tanto pelas leituras feitas por Michael à cama como pela cena da bicicleta. Em alguns momentos pensa-se que ocorrerá uma interessante discussão sobre a temática (repentinamente trazida à tona outra vez, com este filme e o recém-lançado no país Operação Valquíria) em novo ponto de vista, mas aí é que Daldry perde-se na personagem de Michael, copiosa e que, curiosamente, é insensível e fresca ao mesmo tempo. As andanças pelo campo de concentração são extremamente fúteis – até pelo que virá a dizer a personagem judia – e não se sabe o posicionamento da obra em relação à personagem no conjunto de suas ações. Fiquei com a ligeira impressão de que a obra quisesse me passar aquela coisa de: “hey, ex-nazistas têm honra e eis aqui o exemplo de uma delas que se deixa sofrer diante das suas falhas” como a absolver a conduta da personagem e intensificar a sua valorização.

É quando o filme volta a se descontruir na parte final. As leituras de Michael à ex-amada são bonitas e passam raro momento sentimental e subjetivo à trama oscarizável. Quando parte ao seu encontro, o filme volta a rebater pontos claros: a) o rapaz é distante e tentando conter os senimentos; b) já ela tem pouco a entregar, mas pouco a esperar igualmente; c) por isso é esperado que os dois não serão capaz de ir além do que um caso de verão; d) a volta dela para o dia-a-dia é impossível. Então, com o dinheiro restante dela, de coração arrependido, Michael decide ter o encontro com a judia. Não se trata de trazer uma visão multifacetada da trama, mas sim de uma insensibilidade com os acontecimentos: a judia desfaz das próprias instituições, do dinheiro recebido e do próprio perdão (que motiva a partir da ida ao tribunal) possível de se oferecer, aparentando, para variar, uma frieza incomum. Talvez seja assim mesmo na vida real, todavia as personagens perecem por falta tanto de sensibilidade quanto de coerência no tratamento. E a edição e a direção são equívocos ao possibilitaram esse distanciamento e permitirem à obra a caracterização típica de “filme para Oscar”.

1/4

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Milk – A Voz da Igualdade (Gus Van Sant, 2008)

por Amílcar Figueiredo

O mais legal de Milk, filme do diretor Gus Van Sant que recebeu oito indicações ao Oscar (inclusive Melhor Filme e Melhor Diretor), não é o fato de ser uma cinebiografia feita sem a maior parte dos fetiches do gênero (como se viu recentemente nos fracos Ray e Capote), e sim a mensagem, tão singela quanto contundente, de que a subversão casa muito melhor com a pena do que com a espada.

O filme conta a trajetória de Harvey Milk (Sean Penn), primeiro político abertamente homossexual a se candidatar e a ocupar um cargo público nos Estados Unidos da América, desde sua decisão de sair do armário, quando ainda morava em Nova York, até seu assassinato por um de seus colegas na Prefeitura de São Francisco, Dan White (Josh Brolin), justamente no momento em que saboreava a derrubada da chamada Proposição 6, que baniria das escolas públicas dos Estados Unidos todos os professores homossexuais e quaisquer outros empregados que os apoiassem.

É estranho saber que um filme com estrutura aparentemente convencional como esse tenha sido feito pelo mesmo diretor de Gerry, Elefante, Last Days e Paranoid Park, tão extraordinários quanto arrojados em sua estética. Ainda assim, o uso econômico da trilha sonora de Danny Elfman, a suavidade da cinematografia (do grande Harris Savides) e o soberbo elenco de apoio nos diz que este é, de fato, um filme de Gus Van Sant. Filme este que não teria, talvez, metade de sua força não fosse a interpretação instintiva, emocionada e emocionante, grande nos detalhes mas sem parecer mecânica, de Sean Penn.

Sem prejuízo de todas essas curtas observações, bonito mesmo é ver quão bem Van Sant embarcou na proposta de Harvey Milk, para quem a luta pela igualdade de direitos entre homossexuais e heterossexuais iniciava pela saída do armário e pelo apelo à razoabilidade dos demais, anda que fosse necessário o confronto num primeiro momento. Milk pode ter perdido a batalha que lhe custou a vida, mas Van Sant – sabedor de que lutar pelos direitos dos gays é lutar por valores que compõem o ser humano enquanto ser social – conclama todas as pessoas de mente aberta, gays ou não, para a guerra. E se não o faz com o mérito artístico de seus filmes anteriores, sem dúvida não poderia deixar mais contente, caso estivesse vivo, o sujeito cujo nome pegou emprestado. Por uma boa causa.

3/4

por Adney Silva

À primeira vista, pode parecer apenas mais uma cinebiografia convencional, comum até. Entretanto, graças a alguns detalhes, Milk consegue se destacar.

O filme procura se ambientar como uma cinebiografia não apenas pelo seu tema, mas também nos quesitos técnicos. A fotografia chapada, com cores mais “lavadas”, aliadas a uma edição de imagens da época, é um dos detalhes que se destacam no filme. Os personagens principais são muito bem trabalhados pelo roteiro, o que não significa que os coadjuvantes não tenham a sua importância. Isso vale até para o que parece mais unidimensional e fútil (o personagem do Diego Luna). Além disso, temos Sean Penn monstruoso, sendo a forma motriz principal do filme.

No final, não estamos diante de uma obra-prima, mas de um bom filme, que se destaca dentre as várias biografias retratadas no cinema recente (e que concorreram ao Oscar).

3/4

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Grandes Injustiças da História do Oscar

Antes de se iniciar a escrita de um texto sobre injustiças feitas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas – ou de ler um texto a respeito – é necessária a boa premissa de que o Oscar é um prêmio do cinema americano, feito no cinema americano e para o cinema americano. Então é um pouco superficial e sem fundamentos reclamar sobre ausência de reconhecimento de grandes profissionais do cinema mundial, aqueles que fazem (ou fizeram) filmes com um “tipo menos Hollywood de qualidade”, na festa do Oscar, dentro ou fora da categoria de filme estrangeiro. E até mesmo dentro desta, não há muita coerência em se exigir coerência, já que a comissão de membros que votam na categoria (único caso na premiação, já que o restante das categorias é votada por membros de cada departamento, para as indicações, e por todos os votantes, para a premiação em si) é formada por senhores de certa idade, que não estão muito interessados em arroubos de criatividade e genialidade que fujam da sua já confortável burocracia. Ultimamente, a Academia busca uma renovação de sua visão de cinema, digamos assim, abrindo as portas para trabalhos estrangeiros (ano passado, o Oscar de melhor atriz foi para a performance falada em francês, de Marion Cotillard, em Piaf, somente a segunda atriz na história a ganhar falando em uma língua não-inglesa) e com abordagem para um cinema global. Caso substancialmente importante é o provável campeão do Oscar deste ano, Slumdog Millionaire, de Danny Boyle, profanado aos quatro cantos como um casamento necessário entre Hollywood e Bollywood. Portanto, apesar de qualquer intenção da Academia no que concerne a uma interação maior com o cinema de terras estrangeiras, é sim uma premiação local e deve ser vista assim.

Dito tudo isso, nada no mundo é mais divertido – e em alguns casos, revoltante – que falar mal dos “erros do Oscar”, aqueles esquecidos inacreditáveis, que em muitos casos geram uma série de erros consecutivos. Um caso interessante e primordial foi o que ocorreu com Bette Davis, em 1934, quando a atriz não havia sido indicada ao prêmio por Of Human Bondage e o burburinho na imprensa especializada foi tão grande que a Academia abriu para que as pessoas votassem, de última hora, em Davis, mesmo sem ter sido oficialmente indicada. Davis perdeu o prêmio, mas no ano seguinte foi recompensada com seu primeiro Oscar, por Perigosa, uma atuação que ela mesma sempre classificou como medíocre. E o prêmio foi dado a ela em detrimento de Katharine Hepburn, num trabalho infinitamente superior em Alice Adams, que muito provavelmente perdeu o prêmio por ter levado dois anos antes seu primeiro Oscar. Ou seja, muitas vezes a matemática dos anos gera uma bola de neve que pode ter efeitos muito maiores e patéticos, no futuro. A própria Bette Davis saiu prejudicada, muitos anos depois, quando concorria por A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz, o filme que ressuscitou sua carreira e que é tido como seu melhor, até hoje. Davis concorria ao prêmio com outro “retorno” de Hollywood, naquele ano, Gloria Swanson, em Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder, e possivelmente o poder hipnótico dos dois trabalhos dividiram os votantes, que acabaram escolhendo outra atriz no lugar, Judy Hollyday, em Nascida Ontem, de George Cukor, que tinha um trabalho muito menos marcante, mas que levou pela dúvida. Um erro duplo, considerado por muitos como um dos mais ridículos, da categoria de melhor atriz. Humphrey Bogart, não-premiado pelos fantásticos trabalhos em Casablanca ou O Tesouro de Sierra Madre (pelo qual nem foi indicado), recebeu seu único prêmio em 1952, numa boa atuação em Uma Aventura na África, de John Huston, mas que nem de longe tem a mesma potência – e importância – do marcante segundo trabalho de Marlon Brando, fazendo eterno seu Stanley Kowalski, em Uma Rua Chamada Pecado, abrindo caminho para milhares de atores que seguiriam sua esteira (como o próprio James Dean, não-premiado duplamente por suas performances devastadoras em Vidas Amargas e Assim Caminha a Humanidade). Até mesmo a postura distante do desempenho em si pode prejudicar um ator, como o caso de Ingrid Bergman, que levou em 1975 um terceiro Oscar por sua atuação coadjuvante em Assassinato no Expresso Oriente, de Sidney Lumet, e pediu desculpas a Valentina Cortese por levar o prêmio que deveria ser dela, por A Noite Americana, de François Truffaut (que por sinal, era um filme do ano anterior) num erro da Academia. Bergman estava certa, Cortese era a melhor atriz daquele ano, mas a rebeldia lhe custou, como reza a lenda, seu quarto prêmio em 1979, por Sonata de Outono, de Ingmar Bergman, seu último e melhor trabalho.

Contexto histórico e política, em quesitos alheios ou não à própria indústria do cinema, podem causar derrotas na premiação injustificáveis. Frank Capra, queridinho da Academia desde sempre, acabou perdendo um quarto prêmio por seu filme mais famoso, A Felicidade Não se Compra, por conta do trabalho contextualizado no pós-guerra Os Melhores Anos de Nossas Vidas, de William Wyler, um bom filme, mas que depois acabou de provando muito menos relevante que a obra-prima de otimismo de Capra. Cidadão Kane, que volta e meia figura no topo de uma lista de melhores filmes de todos os tempos, perdeu quase todos os prêmios a que foi indicado no Oscar de 1942, justamente pela manipulação de mídia do biografado não-oficialmente, William Randolph Hearst, que ameaçava quem quer fosse que reconhecesse o filme. A indústria se acuou e lançou o filme a um limbo, do qual só foi retirado anos depois, por críticos franceses da Cahiers du Cinema, que finalmente reconheceram a importância do trabalho de Orson Welles.

Foi a mesma turma, liderada por Bazin, que “descobria” o talento injustiçado de inúmeros autores do cinema americano, quase nunca devidamente honrados pela crítica especializada, e muito menos pelo Oscar. Caso de François Truffaut, com Alfred Hitchcock, tido hoje como um dos maiores diretores de cinema da história, e que por muito tempo era tido nos Estados Unidos como um mero operário de estúdio. Hitchcock nunca levou um Oscar de direção, ainda que tenha conseguido que uma produção sua tivesse recebido o prêmio mais importante do ano, Rebecca, a Mulher Inesquecível, melhor filme em 1941 (que inclusive, foi agraciado quando outros tantos mereciam mais, como As Vinhas da Ira ou O Grande Ditador). Nicholas Ray foi outro expoente do cinema americano, louvado pelos franceses da Cahiers, e basicamente esquecido pelos compatriotas. Ray só teve uma indicação ao Oscar pelo roteiro de Juventude Transviada – e perdeu – e nunca obteve real valor por obras-primas como No Silêncio da Noite e Johnny Guitar completamente esquecidas.

Outros grandes mestres do cinema americano, mesmo que indicados ao Oscar, acabaram sendo premiados, ou por trabalhos de menor expressão ou por pura compensação. John Ford, por exemplo, foi indicado ao prêmio de direção cinco vezes, levou quatro delas, nenhum dos prêmios por um western, a especialidade do diretor. Das grandes obras de estudo do oeste americano de Ford, somente No Tempo das Diligências foi indicado a melhor filme – e perdeu, justamente a quinta indicação não-premiada do gênio -, tendo O Homem que Matou o Facínora e Rastros de Ódio esquecidos completamente (sendo este ignorado no ano que o prêmio principal foi para o ridículo A Volta ao Mundo em 80 Dias). Martin Scorsese um dia disse, numa entrevista, que ganharia o Oscar de direção pelo seu pior filme. Não que Os Infiltrados seja esse pior filme, mas é evidente que é um prêmio compensativo pelas derrotas em anos anteriores, de obras-primas como Taxi Driver (pelo qual ele não foi nem indicado), Touro Indomável e Os Bons Companheiros. Ao menos Scorsese levou o seu, ainda que “menor”, caso que não ocorreu com Stanley Kubrick, um dos artistas mais complexos do cinema, que foi indicado quatro vezes ao prêmio de melhor direção (Doutor Fantástico, 2001, Laranja Mecânica e Barry Lyndon) e perdeu todos (o único prêmio de Kubrick foi pelos efeitos visuais de 2001).

Para as grandes injustiças do prêmio, a própria Academia criou o fatídico Oscar Honorário, uma espécie de mea culpa diante dos próprios grandes equívocos. Dentre os campeões do Oscar Honorário estão grandes atores não-premiados, como Gene Kelly, Greta Garbo, Bárbara Stanwick, Cary Grant, Deborah Kerr, Kirk Douglas, e mestres absolutos do cinema, como Ennio Morricone, Orson Welles, Howard Hawks, Jean Renoir, Akira Kurosawa, Federico Fellini (estes dois já haviam levado alguns prêmios de filme estrangeiro, somente), Satyajit Ray, Michelangelo Antonioni, Stanley Donen, Andrzej Wajda, Robert Altman e Sidney Lumet. Ou seja, dá para ver que a culpa é grande e uma reflexão sobre as tais injustiças pode ser interminável.

Portanto, eu buscarei um fim para o texto falando justamente da maior das injustiças do Oscar, segundo a própria história do cinema e as considerações da Academia: em 1972, Charles Chaplin finalmente recebeu seu Oscar, sendo ele um revolucionário do próprio caminho da sétima arte, sempre ignorado pelos seus semelhantes. O momento é considerado um dos de maior emoção dentre as cerimônias do prêmio, ainda mais pela humildade de Chaplin em recebê-lo tão tardiamente. Esses prêmios não compensam, de verdade, os reconhecimentos devidos que os profissionais deveriam ter em suas épocas de maior evidência, e isso continuará acontecendo por muitos e muitos anos por vir, enquanto essa tradição da Academia durar. Atualmente, chega a aliviar ver diretores de qualidade indubitável estarem na lista de premiados do Oscar, como Clint Eastwood ou os irmãos Coen. Mas será que chegará o dia de James Gray, Michael Mann, David Cronenberg…? Muitas listas de injustiças ainda virão.

*como curiosidade, a maior injustiça do Oscar, na minha opinião, foi a completa esnobada em O Mensageiro do Diabo, de Charles Laughton, simplesmente um dos melhores filmes do mundo.

Thiago Macêdo Correia

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Top! Vencedores do Oscar de Melhor Filme

Os melhores filmes entre os vencedores da categoria maior do Oscar. Antes de mais nada, o texto do Thiago sobre as grandes  injustiças, programado pra hoje, ficou para amanhã por motivos de força etc. Mas não tem problema, enquanto isso vamos montanto nossos tops. Como sempre, o primeiro top postado nos comentários, pula aqui pra cima. E se você não ficar satisfeito com a sua lista (o que aconteceu bastante aqui na equipe), não se preocupe, semana que vem o top é dos perdedores. Ironia meio óbvia nisso tudo, hehe, mas enfim.

A propósito, a programação da cobertura vai ficar aí no topo à direita, pra você não perder nada. E participe dos tops, falou!

Top! do Leitor:

Franc 1968

01. O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola,1972)
02. Operação França (William Friedkin, 1971)
03. Os Imperdoáveis (Clint Eastwood, 1992)
04. E o Vento Levou (Victor Fleming, 1939)
05. Ben Hur (William Wyler, 1959)
06. A Ponte do Rio Kwai (David Lean, 1957)
07. O Poderoso Chefão – Parte 2 (Francis Ford Coppola, 1974)
08. Perdidos na Noite (John Schlesinger, 1969)
09. Lawrence da Arábia (David Lean, 1962)
10. Menina de Ouro (Clint Eastwood, 2004)

Tops! da Equipe:

Daniel Dalpizzolo

01. Aurora (F. W. Murnau, 1927)
02. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Woody Allen, 1977)
03. Se Meu Apartamento Falasse (Billy Wilder, 1960)
04. Sindicato de Ladrões (Elia Kazan, 1954)
05. A Malvada (Joseph L. Mankiewicz, 1950)
06. Lawrence da Arábia (David Lean, 1962)
07. Onde os Fracos Não Têm Vez (Irmãos Coen, 2007)
08. Sinfonia em Paris (Vincent Minnelli, 1951)
09. Casablanca (Michael Curtiz, 1942)
10. O Franco Atirador (Michael Cimino, 1978)

Pedro Kerr

Quase lá: Menina de Ouro, Sindicato de Ladrões, A Malvada, E o Vento Levou.

01. O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola, 1972)
02. O Poderoso Chefão: Parte II (Francis Ford Coppola, 1974)
03. Os Imperdoáveis (Clint Eastwood, 1992)
04. Onde os Fracos Não Têm Vez (Irmãos Coen, 2007)
05. Annie Hall (Woody Allen, 1977)
06. O Silêncio dos Inocentes (Jonathan Demme, 1991)
07. Operação França (William Friedkin, 1971)
08. Se Meu Apartamento Falasse (Billy Wilder, 1960)
09. Um Estranho no Ninho (Milos Forman, 1975)
10. Aurora (F.W. Murnau, 1927)

Thiago Duarte

01. Onde os Fracos Não Têm Vez (Irmãos Coen, 2007)
02. Os Imperdoáveis (Clint Eastwood, 1992)
03. Annie Hall (Woody Allen, 1977)
04. O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola, 1972)
05. O Poderoso Chefão 2 (Francis Ford Coppola, 1974)
06. Menina de Ouro (Clint Eastwood, 2004)
07. Os Infiltrados (Martin Scorsese, 2006)
08. A Lista de Schindler (Steven Spielberg, 1993)
09. Casablanca (Michael Curtiz, 1943)
10. Um Estranho no Ninho (Milos Forman, 1975)

Cassius Abreu

Onze obras-primas entre os vencedores e mais um dez ótimos filmes, que poderiam figurar até em tops 20 de décadas. Será que nós não estamos sendo muito pessimistas sobre o marketing, os inúmeros filmes fora do circuito de festivais etc etc etc? Ou estou mais alucinado do que pensava…

01. Casablanca (Michael Curtiz, 1942)
02. Amadeus (Milos Forman, 1984)
03. O Poderoso Chefão: Parte II (Francis Ford Coppola, 1974)
04. Um Estranho no Ninho (Milos Forman, 1975)
05. O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola, 1972)
06. O Franco Atirador (Michael Cimino, 1978)
07. O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (Peter Jackson, 2003)
08. A Noviça Rebelde (Robert Wise, 1965)
09. A Lista de Schindler (Steven Spielberg, 1994)
10. Titanic (James Cameron, 1997)

Jailton Rocha

01. O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola, 1972)
02. O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei (Peter Jackson, 2003)
03. Os Infiltrados (Martin Scorsese, 2006)
04. Um Estranho no Ninho (Milos Forman, 1975)
05. Dança com Lobos (Kevin Costner, 1990)
06. O Silêncio dos Inocentes (Jonathan Demme, 1991)
07. Onde os Fracos Não Têm Vez (Ethan e Joel Cohen, 2007)
08. O Poderoso Chefão Parte II (Francis Ford Coppola, 1974)
09. Gladiador (Ridley Scott, 2000)
10. Forrest Gump – O Contador de Histórias (Robert Zemeckis, 1995)

Adney Silva

Observando todos os indicados e vencedores do Oscar de Melhor Filme, percebi que em pouquíssimas ocasiões o vencedor realmente mereceu, na minha opinião. Isso não significa que não seja possível fazer um top 10 de vencedores do Oscar com qualidade.

01. A Malvada (Joseph L. Mankiewicz, 1950)
02. Casablanca (Michael Curtiz, 1942)
03. Farrapo Humano (Billy Wilder, 1945)
04. A Ponte do Rio Kwai (David Lean, 1957)
05. Operação França (William Friedkin, 1971)
06. O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola, 1972)
07. Se Meu Apartamento Falasse (Billy Wilder, 1960)
08. Amadeus (Milos Forman, 1984)
09. Um Estranho no Ninho (Milos Forman, 1975)
10. O Silêncio dos Inocentes (Jonathan Demme, 1991)

Rodrigo Jordão

01. Amadeus (Milos Forman, 1984)
02. O Poderoso Chefão Parte II (Francis Ford Copolla, 1974)
03. O Poderoso Chefão (Francis Ford Copolla, 1972)
04. Um Estranho No Ninho (Milos Forman, 1975)
05. O Silêncio dos Inocentes (Jonathan Demme, 1991)
06. A Lista de Schindler (Steven Spielberg, 1994)
07. Onde os Fracos Não Tem Vez (Joel & Ethan Coen, 2007)
08. O Franco Atirador (Michael Cimino, 1978)
09. Os Infiltrados (Martin Scorsese, 2006)
10. Beleza Americana (Sam Mendes, 1999)

Djonata Ramos

01. O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola, 1972)
02. Onde os Fracos Não Têm Vez (Irmãos Coen, 2007)
03. Sindicato de Ladrões (Elia Kazan, 1954)
04. O Poderoso Chefão: Parte II (Francis Ford Coppola, 1974)
05. Casablanca (Michael Curtiz, 1942)
06. Kramer vs Kramer (Robert Benton, 1979)
07. Os Imperdoáveis (Clint Eastwood, 1992)
08. A Lista de Schindler (Steven Spielberg, 1993)
09. Menina de Ouro (Clint Eastwood, 2004)
10. Um Estranho no Ninho (Milos Forman, 1975)

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Cobertura do Oscar 2009

Fala galera! É com muito prazer que declaro aberta a cobertura do Oscar 2009 pelo Multiplot!.

Antes de mais nada, deixem-me explicar como vai funcionar a bagaça: como a cerimônia é dia 22, faltam precisamente duas semanas para a grande festa do cinema. De hoje (dia 8 de fevereiro) até o domingo do Oscar, apresentaremos artigos, discussões, resenhas dos 5 concorrentes a Melhor Filme e duas edições seguidas dos tops! (a segunda em especial ficou bem provocante, hehe), finalizando com as previsões no sábado e a avaliação da grande noite na segunda-feira.

O calendário, portanto, fica o seguinte:

08 – Abertura
11Tops!: vencedores do oscar de melhor filme
12Grandes injustiças da história do Oscar
13 – Resenhas: Milk – A Voz da Liberdade
14 – Resenhas: O Leitor
15 – Resenhas: Quem Quer Ser um Milionário?
16 – Resenhas: O Curioso Caso de Benjamin Button
17 – Resenhas: Frost/Nixon
18Tops!: perdedores do oscar de melhor filme
20Previsões
22Lista dos Vencedores
23Avaliação da noite

Nas próximas duas semanas, fique com a gente, e não deixe de participar nos artigos, nas resenhas e principalmente nos tops. E pra começar, uma pequena introdução nesse universo por vezes tão mal-interpretado da Academia, com direito a texto do grande Amílcar, que já não escrevia fazia um tempinho. Logo abaixo.

É isto, um abraço!

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