Screenshots! – Guerra dos Mundos (Steven Spielberg, 2005)

Thiago Duarte

O Spielberg da década.

Clique nas imagens para ver em tamanho original:

16 Comments

Filed under screenshots

Invasores de Corpos (Abel Ferrara, 1993)

Ca ra lho. Bom demais essa merda! Como falavam que esse era o menos Ferrara, tava esperando algo mais tradicional (mas ainda assim muito bom), não um dos melhores filmes de terror, sci fi, etc, de todos os tempos. E isso só é tradicional se comparado apenas ao próprio cara. Agora é oficial pra mim, ninguém filma melhor que ele. O que é a cena onde o Forrest Withaker é cercado por aqueles malucões? É sério, poucas vezes mesmo alguém conseguiu transportar tão bem essa sensação de exilio, de completo sufocamento, de frio na barriga quando enxerga a poucos centímetros uma mão que corre atrás de ti. É inquietante toda vez que um personagem caminha sozinho, ou é cercado em uma sala, ou perseguido em locais abertos, etc, por outros seres em um número maior que ele.

E fora que é genial demais a forma que tudo acontece. Não existe brutalidade ou coisas do tipo, é tudo através do sono. Não existe indicios de que essas “criaturas” realmente são uma ameaça, ou ameaça maior que nós, apenas a intimidação. Sugadores de emoções, e consequentemente o podre de cada um. Numa visão romântica onde sensações são talvez a maior razão para vivermos, é o fim de tudo abdicar delas, mas na visão mais fria, onde visam a igualdade de todos, seria o ideal, talvez.

A forma como tudo ocorre mostra que talvez eles estivessem muito mais preparados pra tomar conta do planeta, que o reflexo deles é algo bem menos doentio que o nosso, e é só ver a nossa forma de revide final.

Enfim, é demais mesmo.

4/4

Thiago Duarte

ou: Invasores de Corpos (Abel Ferrara, 1993) – Daniel Dalpizzolo – 4/4

9 Comments

Filed under Comentários

Controle Absoluto (DJ Caruso, 2008)

Li não lembro onde que o Spielberg, diretor executivo, queria que as pessoas saissem do cinema desligando os celulares, Ipods, apagando seus profiles no MySpace, etc, efeito parecido com o que ele conseguiu em Tubarão, quando o pavor das pessoas parece ter diminuido consideravelmente o número de nadadores nas praias por um bom tempo. Pena que ficou só na intenção inicial mesmo, na execução do DJ Caruso, isso virou apenas mais um esquecível filme de ação / perseguição / conspiração cheio de explosões e correria para um twist final sem tanto sentido.

Controle Absoluto tem um começo legal, onde somos conduzidos, com uma venda nos olhos e de forma alucinada, junto com os personagens de Shia LaBeouf (sempre muito bem, esse garoto tem futuro) e Rosario Dawson, em sequencias de tirar o fôlego mesmo, conseguindo extrair o melhor do que se pode esperar de um filme desse tipo. Mas essa empolgação toda vai por água abaixo assim que conhecemos a tal força que controla tudo, e em constatar o quanto essa força é frágil (assim como o roteiro), não batendo com o que vimos nos eventos que antecedem a revelação. E da metade em diante o filme  se arrasta até um final enfadonho e mais clichê que queijo branco com goiabada.

1/4

Rodrigo Jordão

7 Comments

Filed under Comentários

Coraline e o Mundo Secreto (Henry Selick, 2009)

Quando Coraline – e não Caroline, como ela faz questão de frisar – se muda com seus pais para um apartamento novo numa antiga casa vitoriana, ela parece ter todos os problemas do mundo. Seus amigos ficaram na antiga cidade onde morava e, aparentemente, ela não tem mais ninguém com quem brincar; seus pais escrevem livros sobre jardinagem, mas não suportam a idéia de pôr a mão na massa e a proíbem de fazer qualquer coisa que envolva sujar ou desarrumar algo; seus novos vizinhos são completamente malucos – um acrobata excêntrico e duas irmãs, artistas aposentadas que guardam caramelos por décadas e empalham seus terriers escoceses após sua morte, expondo-os na parede; até o apartamento é velho e feio, sem falar na cor das paredes externas da casa, que são de um rosa um tanto esquisito.

Mas nem tudo está perdido. Coraline conhece um garoto estranho mas simpático, chamado Wybie, que é neto da proprietária do apartamento e tem um gato de rua sem nome. Mais tarde, ao explorar uma portinhola escondida com papel de parede na sala de estar, ela descobre um mundo novo ao final do túnel que existe lá, e nele seus Outros Pais a encorajam a brincar e sabem, de fato, cuidar do jardim, além de cozinhar tudo o que ela gosta de comer. Neste mundo a casa é bonita, o acrobata tem um circo de ratos que é uma verdadeira maravilha e as velhas senhoras excêntricas continuam atléticas e se apresentam em um número sensacional de acrobacia. Em resumo, tudo parece perfeito. Só que nesse mundo as pessoas têm botões ao invés de olhos e, para que Coraline possa usufruir dele pra sempre, sua Outra Mãe a pede que coloque botões no lugar de seus olhos também. As coisas, realmente, nem sempre são como parecem e quando Coraline recusa a oferta, ela começa a enfrentar problemas bem sérios. Em seu socorro vêm o Outro Wybie – que tem a boca fechada com um zíper – e o gato vira-lata, o único sem botões nos olhos.

Coraline e o Mundo Secreto é fruto da colaboração entre o talentoso Henry Selick, de O Estranho Mundo de Jack, e Neil Gaiman, o criador da revista em quadrinhos mais premiada da história, Sandman. De um esmero artístico impressionante, a animação em stop motion se equilibra entre a doçura e o pesadelo e, não raro, mistura as duas coisas, abusando de simbolismos e linguagens cifradas. Tudo é distorcido, quase grotesco mesmo, e de uma beleza notável, exatamente como eram os contos de fadas – não aquelas versões suavizadas que líamos em livros infantis, e sim os contos originais: violentos, macabros e sem sempre felizes.

Embora o diretor tenha contado com uma equipe de primeira linha para executar seu projeto – reparem na linda trilha sonora e no cuidado com a concepção visual da protagonista –, seu maior trunfo é, sem dúvida, a qualidade do material original. Neil Gaiman sabe que a fronteira entre realidade e fantasia é algo muito discutível e explora isso ao máximo, tingindo o real de surreal e vice-versa; o próprio sonho de Coraline, que periga virar um pesadelo, pode ocorrer com qualquer um de nós. Mas esta não é uma estória sobre a fantasia como válvula de escape, assim como também não é sobre velhas máximas morais ou padrões desejáveis de conduta. É sobre a coragem de uma criança e sobre o peso que pode incidir sobre suas decisões quando, finalmente, o universo ao seu redor exige que ela saia do egocentrismo que a dominou em seus primeiros anos de vida, como sempre ocorre com todas as crianças. As coisas não são belas porque são ao gosto de Coraline – como é o Outro Mundo no início do filme –, elas são belas por seus próprios atributos. Aí estão os verdadeiros botões que Coraline deve decidir se vai continuar usando ou não e é nessa singela descoberta, nesse pequeno despertar, que reside a verdadeira força do filme.

4/4

Amílcar Figueiredo

6 Comments

Filed under Resenhas

Caos Calmo (Antonello Grimaldi, 2008)

Nanni Moretti é um ator, roteirista e diretor italiano, que dentre várias belas obras cinematográficas, fez em 2001 um dos filmes mais contundentes sobre o difícil momento da perda de alguém, o devastador O Quarto do Filho. Moretti é também o protagonista e roteirista deste Caos Calmo (um dos melhores nomes de filme que eu já ouvi), mas não esteve no comando do filme, que ficou a cargo de Antonello Grimaldi… ou não. Caos Calmo não só parece um filme feito por Nanni Moretti como é um filme de Nanni Moretti, um filme que ele já fez. Em 2001. E se chamava O Quarto do Filho.

Certos novos nortes são apontados em Caos Calmo e há muito o que interessa na abordagem dessa dor sentida e não expressada, percebida mas não latente, colocada como uma brisa na praça que é locação máxima do filme, escolha do protagonista para ser só ao redor do mundo, na espera da filha. Ele parece não sofrer, ela também não, e então ele parece sofrer por este não-sofrimento. É uma abordagem um tanto diferente, mas com signos e fatores bastante semelhantes ao Quarto: a morte, o fato de não estar presente no momento e sentir uma certa culpa por fazer outra coisa (por mais altruísta que fosse essa coisa), a catarse do momento que o personagem de Moretti deságua, tudo muito extraído de uma obra anterior, de uma obra maior. Se O Quarto do Filho não existisse, Caos Calmo seria um filme muito mais interessante. Infelizmente não consegui me desapegar como deveria.

Mas toca Rufus, isso é bom!

2/4

Thiago Macêdo Correia

Comments Off on Caos Calmo (Antonello Grimaldi, 2008)

Filed under Comentários

O Casamento de Rachel (Jonathan Demme, 2008)

Fazer um filme no esquema da câmera-olho, seguindo por todos os lados a ação e facilitando a idéia de naturalidade pode ser algo até batido, mas não posso negar que funcione muitíssimo bem no filme de Jonathan Demme. O grande ponto é a ocasião ali colocada, tão natural e presente nas vidas de todos nós, tão absurda e conflitante, pouco realista – são feitos como contos de fadas, fugas da realidade – e extraordinária: o casamento. A emoção é dada e as dores dos personagens parecem potencializadas pela falta do retorno, e com este retorno a revalidação de certos fantasmas e traumas que deveriam ficar mortos. Demme não os esconde muito, não cria expectativas altas em cima de suas revelações; em seu filme, as coisas são diretas quando devem ser, menos óbvias quando devem ser e tudo realmente parece seguir um fluxo necessário àquela narrativa.

Rachel Getting Married é, assim, um resultado da verdade daquela situação, e o olhar da câmera é fruto disso, não a cena fruto do olhar. A interação dos atores, o evidente despreendimento com o texto, tudo converge para uma natural falta de conforto e habilidade em chegar às conclusões para o drama de cada um daqueles personagens. Que todos se amem, que todos se odeiem e que digam o que tiver que dizer; o filme tem vontade. Na verdade, o filme é filho da vontade do que vive na tela. Ótimo trabalho.

Sobre o elenco, Bill Irwin com umas cenas muito boas, saindo de amarras que pareciam evidentes no início, para um personagem quase estigmatizado. Rosemarie DeWitt, incompreensivelmente não-indicada ao prêmio de atriz coadjuvante, num trabalho de entrega à sinceridade almejada. Elenco de apoio muito bom, no qual se pode incluir, de certo modo, Debra Winger. E sobre Anne Hathaway, pena, o Oscar perdeu outra ótima oportunidade pra ser levado a sério.

3/4

Thiago Macêdo Correia

1 Comment

Filed under Comentários

Farsa Trágica (Jacques Tourneur, 1964)

Quase que um mais do mesmo (comparando com O Corvo), só que ainda melhor. Aqui o humor é mais negro do que nunca e o timing cômico atinge o ápice. Contando com quase a mesma equipe formidável de O Corvo (acrescido de outra lenda, Basil Rathbone), The Comedy of Terrors é um clássico absoluto.

O humor negro contido nesse filme é absurdo, a começar pelos personagens: um velho decrépito, meio surdo e dominhoco; um dono de uma funerária mesquinho, inescrupuloso e bêbado, que tenta assassinar o seu sogro durante todo o filme; sua esposa, que sonha ser cantora de ópera e vive quebrando os copos da casa com seus gritos agudos; um ladrão desengonçado, especialista em abrir portas – que não consegue abrir nenhuma delas durante todo o filme; e o proprietário do prédio onde funciona a funerária (e que abriga os outros personagens), que sofre de catalepsia. Esse arquétipo de sombrios personagens, junto com o roteiro fenomenal de Richard Mathelson, e a direção segura do veterano Jacques Tourneur, tem como resultado um filme digno das “screwball comedies”, com uma pitada gótica de filme de terror. São tantas partes engraçadas que é impossível destacar uma só.

Por tudo isso, Farsa Trágica não é apenas um clássico do humor negro refinado, que não se utiliza de sangue nem de violência: é uma obra-prima e uma das melhores comédias de todos os tempos.

4/4

Adney Silva

Comments Off on Farsa Trágica (Jacques Tourneur, 1964)

Filed under Comentários

O Corvo (Roger Corman, 1963)

O que dizer de um filme dirigido pela lenda Roger Corman, baseado em um conto de Edgar Allan Poe, roteirizado por Richard Matelson (colaborador assíduo de Roger Corman, escreveu vários episódios para a série “Além da Imaginação”, além de ter roterizado “Duel”, “The Last Man on Earth”, “The Incredible Shrinking Man”, entre outros) e estrelado pelo triunvirato do terror dos anos 50/60 (Vincent Price, Peter Lorre e Boris Karloff)? Um conto gótico de terror, certo?

Bom, na verdade o resultado não foi bem esse. Decerto que o tom gótico da história está lá, firme e forte. Só que, surpreendentemente, o conto macabro de Edgar Allan Poe foi transformado em um filme extremamente divertido, quase que com clima de Sessão da Tarde (no bom sentido), com generosos toques de humor (quase que no espírito do cinema mudo), e com os três mestres do horror se divertindo á beça. Impossível não esboçar ao menos um sorriso de satisfação quando temos em cena Peter Lorre e Vincent Price (que improvisaram várias das cenas), ou ainda no duelo final entre Price e Karloff (o melhor momento do filme, disparado).

No fim, Roger Corman mostra que é possível injetar uma boa dose de senso de humor em contos macabros, e, com isso, gerar uma híbrido bastante interessante e divertido.

3/4

Adney Silva

1 Comment

Filed under Comentários

Watchmen (Zack Snyder, 2009)

Pois é, a comic book que a maioria dos fãs fervorosos (e, na maioria das vezes, cegos e intransigentes) dizia que era impossível de se adaptar ao cinema (apesar de sempre achá-la perfeitamente adaptável), foi finalmente mostrada ao mundo. O resultado: bom, ás vezes muito bom.

É bem verdade que Zack Snyder ainda mantém aquele deslumbramento tecnológico, a tendência em injetar câmeras lentas desnecessárias e cenários artificiais demais (em proporções menores do que em 300, contudo). Além disso, a decisão de incluir na trilha sonora músicas da década de 70/80 (afinal de contas, o filme se passa nessa época) foi falha em alguns momentos, por escolha inadequada das músicas.

Em compensação, ao contrário de alguns diretores contemporâneos, que adotaram o estilo Michael Bay de cenas de ação, Zack Snyder acompanha as cenas de ação com uam câmera limpa, livre de tremedeiras, permitindo que acompanhemos todos os movimentos dos personagens com clareza. O filme é sustentado ainda por um bom elenco, com destaque para Jackie Earle Haley, que dá uma aparência ameaçadora ao Roscharch (especialmente quando está sem a máscara). Essa pode ser considerada a adaptação mais fiel a obra original dos últimos tempos, o que é um bom motivo para acalmar os fãs. Todos os elementos e as falas de todos os personagens estão ali, sem tirar nem por nada.

Deve-se louvar a coragem do diretor, de encarar esse projeto que provocaria a ira dos fãs caso não fosse do agrado deles. Felizmente, Watchmen se sai bem, apesar das pequenas ressalvas. Não é a melhor filme baseado em uma HQ, mas, com certeza, é um dos mais fiéis.

3/4

Adney Silva

11 Comments

Filed under Comentários

Em Breve:

[image]

Apartir do dia 03/04, inicia-se a 1ª temporada, aqui no MP!, do CINEGAME, uma gincana com diversos jogos envolvendo a paixão que temos em comum pelo cinema. O grande vencedor, no final das contas, ganhará um super prêmio. Não fique de fora!

Visite o blog de divulgação do CINEGAME,  e fique por dentro dos detalhes:

http://cinegame.wordpress.com/

ATENÇÃO:  Já está sendo divulgado no blog linkado acima o regulamento e toda a formatação desta nova temporada do CINEGAME, confira:

http://cinegame.wordpress.com/2009/03/17/regulamento-do-cinegame-confira/

4 Comments

Filed under cinema