Imagine: você, debaixo do tostante sol do Texas, descendo de seu velho cavalo em frente a uma pequena e gasta construção, cujo carvalho resta seco e castigado pela inevitável travessura do tempo. Depois de conduzir seu companheiro junto ao cocho, você lentamente se dirige à entrada empoeirada do local, sentindo aos poucos aquele inebriante aroma de whisky se misturar ao suor despejado por seus poros e ao tilintar das esporas enferrujadas penduradas à sua bota. Empurra a porta dupla com uma de suas mãos, enquanto, com a outra, seca a testa úmida que não desmente a longa jornada. O esforço, por ora desgastante, sempre tem sua recompensa. Você está em seu aconchego, no lugar de onde jamais desejaria ter saído.
Imaginou? Pois bem, de agora em diante, pare, porque não precisa. Basta respirar fundo e você sentirá o cheiro da poeira nas suas botas (ou pantufas, ou chinelos, não importa), porque agora, você está pisando em solo vermelho, solo sagrado, solo do longínquo, do selvagem, do bom e velho oeste. Bem-vindo ao Especial Western do Multiplot!
Considerado a forma de cultura mais genuína dos Estados Unidos, o western angariou gerações através das suas mais de duas décadas de domínio absoluto no cinema, firmando Hollywood como paraíso comercial da 7ª arte. Consagrado nos tempos áureos por diretores como John Ford, Howard Hawks, Sam Peckinpah e Sergio Leone, o gênero fatalmente se desgastou, perdendo muito do seu apelo junto ao público na transição da década de 60 para 70, o que, por conseqüência, minou o interesse em novas produções, e as ocorrências de bons westerns ficaram espalhadas esporadicamente no cinema das últimas três décadas, como é o caso de Os Imperdoáveis (Clint Eastwood, 1992) e Dança com Lobos (Kevin Costner, 1990).
Felizmente, amigo bandoleiro, 2008 é o ano certo para tirar o chapéu e a cano-cerrado do armário. Desembarcam por aqui três westerns modernos que prometem injetar vida nova no gênero. Os Indomáveis (James Mangold), O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (Andrew Dominik) e Onde os Fracos Não Têm Vez (Irmãos Coen) são o grande motivo para a realização deste especial. Ou um grande pretexto. Ora, a quem estamos enganando, a bem da verdade é que estávamos loucos para fazê-lo.
Com o passar do tempo, outros filmes engordarão o índice.
Muito cuidado. Mantenha o dedo no gatilho, olhe pra todos os lados, desvie dos socos, das garrafas e copos voadores, mantenha-se bem longe do lustre, e principalmente: bem-vindo, fique à vontade.
Multiplot!
CLÁSSICOS
O Testamento de Deus (Jacques Tourneur, 1950) – Daniel Dalpizzolo
Matar ou Morrer (Fred Zinnemann, 1952) – Marcelo Dillenburg
Matar ou Morrer (Fred Zinnemann, 1952) – Adney Silva
Obrigado a Matar (Joseph H. Lewis, 1955) – Daniel Dalpizzolo
Rastros de Ódio (John Ford, 1956) – Adney Silva
O Homem Que Matou o Facínora (John Ford, 1962) – Cassius Abreu
Pistoleiros do Entardecer (Sam Peckinpah, 1962) – Daniel Dalpizzolo
El Dorado (Howard Hawks, 1966) – Daniel Dalpizzolo
SPAGHETTI
Trilogia dos Dólares (Sergio Leone, 1964/1965/1966) – Luis Henrique Boaventura
Era uma Vez no Oeste (Sergio Leone, 1968) – Pedro Kerr
Vamos a Matar, Compañeros! (Sergio Corbucci) – Pedro Kerr
Quatro do Apocalipse, Os (Lucio Fulci, 1975) – Luis Henrique Boaventura
MODERNOS
Pat Garrett & Billy the Kid (Sam Peckinpah, 1973) – Pedro Kerr
Pat Garrett & Billy the Kid (Sam Peckinpah, 1973) – Daniel Dalpizzolo
Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (Sam Peckinpah, 1973) – Daniel Dalpizzolo
Os Indomáveis (James Mangold, 2007) – Luis Henrique Boaventura
Onde os Fracos Não Têm Vez (Joel e Ethan Coen, 2007) – Vinícius Laurindo
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