Matar ou Morrer (High Noon – Fred Zinnemann, 1952)

Uma síntese verdadeira e pungente sobre a solidão. Solidão esta representada pela percepção de que aqueles que te ajudaram a cinco anos podem simplesmente mudar de idéia quando fantasmas do passado resolvem assombrar a mesma cidade que você ajudou a apaziguar. Não somente mudar de idéia, mas também lhe aconselharem a ir embora, a salvar a sua pele antes que seja tarde demais (ou, na verdade, salvar a pele deles).

Entretanto, contrariando a todos, ele resolve ficar. Muitos de vocês podem pensar que ele tomou essa decisão pelo fato dele estar preocupado com o destino daquela cidade. Ou porque ele ainda se sente como o xerife. Ou por conta de uma lembrança antiga. Ou por todas essas razões juntas. E muitos da cidade chegaram a pensar nisso inicialmente. Mas há algo mais que sintetiza essa decisão.

Poderia dissertar muito mais sobre essa maravilha do western, contada quase que em tempo real, que magnifica o conceito de “homem solitário”, não através de palavras, tiros, brigas, mas através pura e simplesmente da imagem e do silêncio, além da inexorável sensação de passagem de tempo descrita anteriormente, intensificada ainda mais pelos vários relógios que são mostrados no decorrer dos seus enxutos e eficientes 85 minutos, além da interpretação mais-do-que-magistral de Gary Cooper, contido, transmitindo todas as emoções em gestos mínimos (como, aliás, todo o filme; especialmente nos maravilhosos 20 minutos finais).

4/4

Adney Silva

ou: Matar ou Morrer (Fred Zinnemann, 1952) – Marcelo Dillenburg – 3/4

2 Comments

Filed under Comentários

2 Responses to Matar ou Morrer (High Noon – Fred Zinnemann, 1952)

  1. Acho foda esse filme, mas ainda prefiro Onde Começa o Inferno, a clássica resposta de Hawks!

  2. a resposta é o meu western preferido..e não consigo ver muita graça nesse…sério.