Obrigado a Matar (Joseph H. Lewis, 1955)

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Joseph H. Lewis ficou tão na aba durante toda sua carreira que nem mesmo hoje consegue destaque no grupo de principais diretores de b-movies da antiga Hollywood – liderado por Nicholas Ray e Samuel Fuller. Como já havia dito – e se não havia, deveria – quando tratava sobre Império do Crime, um dos grandes policiais dos anos 50, os filme de Lewis são de uma secura bastante extraordinária – até mesmo Mortalmente Perigosa, no fundo uma história de amor -, ainda que tratem quase exclusivamente sobre sentimentos – do passado, do presente, do futuro – o que pode muitas vezes ocultar a delicadeza com que extrai todo potencial de cada situação.

Obrigado a Matar, embora produzido meramente como veículo de Randolph Scott, produtor e astro do filme, traz grande parcela dos temas caros à obra de Lewis – e ao próprio faroeste, enquanto gênero – em uma pequena representação do microcosmo de Lei e ordem social do universo western, encontrando em alguns aspectos semelhanças e subversões de um dos principais marcos do gênero nos anos 50, Matar ou Morrer, que, por bem ou por mal, provocou uma verdadeira ebulição na estrutura dos velhos contos sobre a formação da sociedade moderna.

O princípio é basicamente o mesmo. Scott, xerife, recebe a visita de uma de suas desavenças e, jurado de morte, precisa se defender. Ao contrário de Cooper no longa de Zinnemann, Scott é auto-suficiente. O primeiro plano do filme e o que sucede é que é curioso. Depois de uma geral da cidadezinha, Lewis vai aproximando a câmera do homem que, lentamente, provoca a troca de olhares de quem circula pela rua que desce – quem sabe de toda a história. Rolam os boatos, Scott vai fazer a barba, despreocupado – a grande subversão vive na falta de interesse com que parece lidar com a situação. Com pouco mais de dez dos enxutos 78 minutos, há o embate. O homem é morto, Scott respira e segue com sua rotina. Nada épico, nada coreografado. Nada mais Lewis.

O restante trata especialmente de um embate entre maiorias e minorias, onde a minoria é a Lei. É um jogo de todos contra um especialmente frio e muito pouco calculado. Há uma seqüência extraordinária em que, com a suposta morte do xerife – grande jogo de falsidades e artimanhas, nada mais Lewis – a cidade fica aberta, à mercê da desordem e do caos. É o princípio do fim, bandidagens de toda a espécie, mas o mundo em formação permite até mesmo que a Lei minta, se necessário. É o que ocorre pra se alcançar a ordem, afinal, não existe lenda construída sem trapaça.

3/4

Daniel Dalpizzolo

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