Um Gato no Cérebro (Un Gatto Nel Cervello – Lucio Fulci, 1990)

Uma viagem de sangue, vermes, vísceras e orgias de violência ininterrupta pelos cantos podres da mente de um dos diretores mais loucos e criativos do (outro) mundo. Quem já teve algum contato com a filmografia do cara sabe o quanto significa dizer que Um Gato no Cérebro é o filme mais extremo de Lucio Fulci. Um fiapo de trama e uma não-narrativa onde o ritmo alucinante é ditado por intervalos quase irrelevantes entre as mortes, uma sobre a outra, uma mais absurda que a outra.

É o gore puro. Revisite a obra de Fulci (especialmente nos 70 quando ele ainda não filmava de dentro de uma camisa de força) e dispa seus filmes de toda sofisticação visual, de discurso, de atmosfera, daquela habilidade hipnótica de conferir horror às coisas simples e, lá no centro, como a semente de uma fruta, você vai encontrar a violência em estado virgem, vermelha, como que esperando pra ser jogada no ventilador.

É assim que Fulci se aproxima de Exorcismo Negro e Ritual dos Sádicos, do Mojica, mas recusa todo e qualquer desenvolvimento nobre que poderia ser feito da metalinguagem, tão bem tratada quando é utilizada no cinema. Fulci é demente e não quer nem saber de estudo de personagem, de auto-perspectiva, de reflexão pedante e pretensiosa acerca dos seus próprios ires, vires e voltares. A psicologia é tratada como prostituta, usada e jogada fora apenas como forma de definir noções meio vagas de início e fim.

Um Gato no Cérebro é tipo uma obra de arte de um serial killer que pega um corpo em perfeito estado, o corta em pedaços, mistura tudo e monta de novo com o lado de dentro pro lado de fora e com um pé no lugar da cabeça.

*Título em pt – tradução livre do original italiano

4/4

Luis Henrique Boaventura

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Dança Macabra (Danza Macabra – Antonio Margheriti, 1964)

Lindo. Uma enciclopédia do cinema fantástico. Sombras, fumaça, fantasmas, lesbianismo, vampirismo, amantes separados pela morte, maldição, etc, tudo num castelo mal-assombrado com uma trama que ensaia um plot shakespeariano pra cair de vez na literatura gótica. Não bastasse, Allan Poe himself é um dos personagens e Barbara Steele tá mais vagabunda do que nunca. Sério, quase não dá pra avaliar o crédito do Margheriti, o filme não tinha como dar errado.

*Título em pt – tradução livre do original italiano

4/4

Luis Henrique Boaventura

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Jovens, Loucos e Rebeldes (Dazed and Confused – Richard Linklater, 1993)

É incrível como existem filmes que estão bem ali, do teu lado, já passaram por ti milhares de vezes, e tu nunca tinha os enxergado com os olhos certos, mas na verdade isso é pq tu nunca sentiu eles do jeito que poderia. Quase como uma guria que tu trabalha ou estuda junto, sempre te dando a maior bola, e tu esnobando, até que um dia ela arranja outro cara, tu começa a notar as coxas dela, a bunda, os peitos, o quanto essa guria era legal e pensa “porra, onde eu tava com a cabeça que não reparei antes?” e vira o amor da tua vida. Sorte que filmes não te trocam por outros caras, mas todo o resto aconteceu exatamente comigo. Eu sempre adorei Dazed and Confused, nunca dei menos que nota 10 pra ele, não encontrei nada de muito novo nessa revisão, os méritos continuam praticamente os mesmos, os motivos que fazem eu gostar também, etc, mas… PORRA! Agora foi devastador, uma nostalgia impressionante. Fiquei pensando aqui, os motivos que podem ter feito ele subir de forma tão radícal no meu conceito dessa vez, e acho que dois foram essências: um é o emocional, óbvio que eu tava muito mais receptivo, muito mais no clima, com uma sensibilidade pra esse tipo de mensagem bem mais aguçada e etc, e outro, principalmente, é o perseptivo mesmo, antes eu via ele basicamente como um espelho da melhor época, um retrato em movimento daqueles momentos fodões que hoje só existem na lembrança, e quanto mais tempo passa, quanto tu puxa na memória, vem sempre acompanhado com um sorriso bobão. E ele continua sendo isso, só que hoje eu vi esse conceito ser aplicado de uma forma bem mais ampla, bem mais generalizadora, não se limitando a ser uma super memória não sua mas muito parecida, mas sim um resgate completo dela com um ligamento do que você é hoje e do que será amanhã. É lindo isso aqui.

O filme não é pra quem vive essa época, o filme é pra quem viveu essa época (e quando falo época, não me refiro aos anos 70, mas sim esse período colegial independente da década que tenha sido). O filme é pra ser acompanhado sempre com o pensamento invejoso de que você já fez isso tudo, sabe como é bom, mas que nunca mais vai voltar. Não tem como dar muitas voltas nisso aqui, ele é o que mostra ser, essêncialmente, ele é a garotada fugindo de uma surra, e tratando isso como um envento mais aterrorizador que a segunda guerra mundial, que te consome por completo.. ele é a gurizada saindo por aí, sem objetivo algum, apenas pq o tempo naquele momento não faz falta, ele nem passa, na verdade… ele é a insegurança de chegar numa guria pela primeira vez, ele é a satisfação de quando se anda com uma turma que tu sempre idolatrou “putz, esses caras são legais, eu sempre quis ser como eles”, ele é a sensação de ficar podre de bebado com 3 latinhas de cerva pela primeira vez, e se sentir o rei do universo por isso, ele é a sensação de imponencia, se superioridade, o prazer de intimidar os mais novos e mais fracos apenas pq são mais novos e mais fracos, e você pode fazer isso,ele é fazer qualquer merda na rua em qualquer lugar que tenha, só por fazer mesmo, ele é FESTA o tempo todo, e sempre á caça de gurias e álcool nela!… mas acima de tudo ele é tudo isso sendo visto por quem já passou, por quem sabe que acabou, por quem vê aquela gurizada aproveitando sem ter ainda a noção do que estão vivendo, sem saber o quanto essa fase é mágica – e talvez a única fase mágica da vida – e, inevitavelmente, se questionando se você passou direito por ela. Será que não poderia ter aproveitado mais, se divertido bem mais? Mas aí não vale, se alguém passar por ela com a real dimenssão do que ela representa, seria sem graça. Ela tem que ser vivida por idiotas como nós erámos e como todos ali são, não tem que ser pensada, só sentida, e o filme fode totalmente no bom sentido com isso. E é incrível como o final representa muito bem o final disso, eles no campo do ginásio, deitados no gramado, fumando uma baseado, e ali, quando se dão conta que acabou, tudo vai ficando… sei lá, precioso, e a única coisa que vale na vida é aquele momento e os momentos em que eles se divertiram pra caralho juntos. E porra, aqueles são momentos teus também, pq assim como acabou pra eles acabou pra você também. Até que o dia amanhace, e o tempo realmente passou. Foda. Eu diria até que se tornou meu filme preferido hoje, mas sei lá, vou esperar um pouco.

4/4

Thiago Duarte

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Noites Brancas (Le Notti Bianche – Luchino Visconti, 1957)

Seria o amor um sentimento explicável, com características simples e descritíveis, existente em sua plenitude somente em um mundo onde a realidade não predomina sobre a imaginação?

O que dizer então de suas gradações – o amar demais, por exemplo – uma entrega total a subdivisão de um fluxo consciente utópico, onde o real não existe mais? (embora cá entre nós seja praticamente impossível imaginar algo em que ambas as esferas: realidade e fantasia sejam tão disjuntas a esse ponto).

Em Noites Brancas, uma obra prima de Luccino Visconti indicada por meu amigo Foras, todos os estágios desse sentimento controverso são expostos, independente de seus potenciais destruidores ou compositores na determinação de nossa felicidade. Felicidade esta também instável, frágil, perturbada. Visconti não nos poupa nem um segundo durante os 107 minutos de projeção. O diálogo de sombras com o espectador, as alternâncias entre o preto e o branco, o cenário tristonho, as expressões impotentes dos personagens diante de algo tão grandioso…tudo fala através do filme, tudo compõe a reprodução dos fragmentos que remetem a tal sentimento quando analisados como um todo. É preciso cada gota da construção dos planos e dos artifícios cinematográficos para compor uma estória que ilustra algo tão difícil de se dizer em palavras.

Os personagens são pessoas simples. Mário é tão simples que no início do filme, Visconti simplesmente se recusa a lhe conferir imponência sobre o cenário repleto de sombras e solidão. Ele é filmado à distância e tragado por ela, sem qualquer relevância em relação a um cão à procura de alimento ou a um grupo de pobres a perambular pelas ruas, ou mesmo uma pequena ponte erguida sobre um riozinho que se estende paralelamente ao asfalto.

Tão simples quanto ele parece ser a adorável Natalia, cuja dilaceração psicológica avançada (porém ainda assim progressiva) perante a ação da emoção produzida pelo amor que sentia por um homem misterioso é tão evidente que ficamos imaginando os limites e prejuízos que podem advir de tal sentimento. A percepção de Mário não é de todo incorreta: insanidade parece ser uma possibilidade. Erra, porém, diante do poderoso “amor”, que mal sabe ele a princípio, já o possuía, cegava e corrompia todo seu ser.

E quando totalmente à mercê de tal adversário, Mario decide lutar em um round injusto, suas pequenas vitórias representam momentos belíssimos. O que dizer da cena da dança no bar, coroada com uma beleza incomparável, mas impregnada com as mesmas contradições discutidas anteriormente: as diversas pessoas que se interpõem entre os dois contrastada com a felicidade estampada nos olhares, que não deixam de se cruzar como se o fluxo de energia fosse constante, a linda melodia contagiante contraposta com o incômodo da moça em não saber dançar e os movimentos desajeitados de Mario e Natalia, refletindo em cada segundo nos passos, o sentimento.

Ou dos inúmeros planos em que cenas se entrecruzam em microambientes distintos, cuidadosamente mostrados por Visconti como porções que captam todos os elementos em conjunto? A conclusão, por mais que sombria, também é contraditória, de certo modo. E aqui, recomendo a quem não assistiu o filme a parar por aqui e ir correndo procurar esse magnífico exemplar de como a arte pode ser perfeita. Seria a personagem de Natalie cruel o suficiente para envolver Mario em um ciclo de autodestruição e frustração infinito ou portadora de um amor tão infinito que era capaz de resistir a todos os tipos de tentações e manter a força perante o amado, mesmo com a distância e a incerteza de sua volta?

E o personagem de Mastroianni, não menos controverso, com relação a linda moça morena que parece encantada com ele, mas sofre de sua fúria incontida por um amor não correspondido em relação a outra mulher? Só há espaço no coração para um grande amor? Seria o final tão questionado pela simpatia de tal protagonista uma punição exatamente pelo descaso com relação a outras relações que poderia ter desenvolvido?

4/4

Sílvio Tavares

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Caramelo (Sukkar Banat – Nadine Labaki, 2007)

Em Caramelo (Sukkar Banat, 2007), a atriz Nadine Labaki, que também é a diretora do filme, interpreta Layale, uma esteticista que mora em Beirute e é apaixonada por um homem casado. Ela divide o salão de beleza com outras três mulheres, que também têm seus problemas: uma se sente velha demais para competir com mulheres mais jovens, outra vai se casar mas não é mais virgem e a última é gay. O fato de tais aspectos serem de menor importância ou mesmo irrelevantes em outras culturas já indica a ênfase do filme: estamos no Líbano, país onde as mulheres podem até se vestir como no Ocidente, mas que pratica os mesmos e velhos atentados contra a liberdade de expressão e sexual das mulheres árabes, embora de maneira menos ostensiva.

Dito isso, teríamos os ingredientes para um filmaço, mas infelizmente não é exatamente o que ocorre. Labaki opta por fazer um filme menos agressivo, quase esvaziando os choques culturais que existem no Líbano, nação que historicamente desempenhou o papel de ponto de encontro entre o Ocidente e o Oriente Médio e que, por isso mesmo, até hoje tem problemas de identidade. Não coincidentemente, algumas das mais belas passagens do filme mostram uma personagem quase que totalmente desvinculada desse contexto social: Rose, uma mulher idosa que tem que cuidar de Lili, sua irmã ainda mais idosa e que tem problemas mentais. Seu ato de amor por ela, que é um dos momentos mais bonitos que eu vi nos cinemas nesse ano, poderia ocorrer em qualquer outro lugar e com qualquer outra pessoa, homem ou mulher.

Ainda assim, o filme é bastante bonito. A suavidade dos tons dourados da fotografia e a edição de imagens, bastante eficiente, se juntam ao elenco de grande qualidade – e que realmente transmite a intimidade emocional que só os verdadeiros amigos têm – para deixar o filme muito acima da média. Num momento em que os cinemas exibem excrescências como Transformers – A Vingança dos Derrotados e Anjos & Demônios, o pequeno, porém sincero – ainda que com um jeitão de novela das 7 -, filme de Labaki é um verdadeiro colírio para os olhos maltratados do espectador.

3/4

Amílcar Figueiredo

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Inimigos Públicos (Public Enemies – Michael Mann, 2009)

Esse é o melhor filme do Michael Mann e existe uma razão para tal afirmação. Mann, esteta e formalista, aqui joga com uma arma que acrescenta ainda mais ao seu cinema de imagens: Mann constrói um personagem. Dillinger é o resumo de uma era, mas é um resumo às avessas. Enquanto nos filmes de gangster da década de 30, mesmo os mais charmosos dos criminosos continuavam como os “homens maus”, bandidos mesmo, em Public Enemies, Dillinger é um herói, um homem popular, recebido em sua prisão com ares de estrela de cinema. Dillinger rouba, mas poupa o dinheiro do povo, mata, mas não é mostrada no filme nenhum remorso, ou conseqüência desses atos. É aquilo e pronto, é o homem e sua imagem. E o filme a constrói na maior das riquezas, no digital mais pleno já mostrado numa tela de cinema, que revela Dillinger em cada mínima marca no rosto de Johnny Depp. É assim que vemos sua paixão por Billie nascer (e a entendemos, em cada poro do rosto admirado de Marion Cotillard, num desempenho fundamental para minha chave de interpretação do final), se fundamentar e sua trajetória se modificar.

Se o início de Public Enemies mostra o destemido Dillinger fazer o que bem entender e sair impune, um super herói absoluto, a parte final mostra que Dillinger é um homem, mesmo que ele mesmo tente negar essa condição. Ele promete coisas que ninguém poderia cumprir, muito menos alguém na condição dele (prometer a Billie morrer velhinho nos braços dela parece até uma piada, mas na qual ele acredita e a faz acreditar também), e segue uma trajtória fantasiosa, em sua própria condição. Daí a complexa mutação que Depp empreende em seu personagem nos minutos finais, quando Dillinger parece entender que libertar Billie seria sua própria necessidade de liberdade de si, de sua figura. Dillinger não pode mais prender Billie e não suportar a dor de vê-la pagar por ele, mas acima disso ele não pode mais ser ele. Ao planejar o assalto ao trem para terça e a partida para quarta, Dillinger dá sua última mostra de esperança na fantasia: caso não desse certo “deixar a cena”, só restaria a ele continuar. Mas ele se deixa pegar, é morto do modo mais simples que alguém como ele poderia ser; o super herói vira ser vivo, mas não perde a áurea de mito. Dillinger morre em meio ao povo, subitamente (como Gable prega no filme do cinema), mas de modo planejado. Seu modo de se matar, sem precisar sujar as mãos, de deixar Billie ir, de se libertar enfim.

Billie observa cada passo de Dillinger com extremo zelo e profunda admiração. É essa admiração que o público tem pelo criminoso/herói mostrado em tela, e a aceitação de Billie em fazer tudo que ele pede é completamente crível. O amor dela é o nosso amor, o olhar dela é o nosso olhar. E é esse olhar que Mann coloca em perspectiva, na câmera subjetiva do olhar de Billie, vendo a lei fechar a porta para sua fantasia, num final magistral para este filme inacreditável!

4/4

Thiago Macêdo Correia

ou: Inimigos Públicos (Michael Mann, 2009) – Silvio Tavares – 4/4

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Em Férias

o/

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Tempos Modernos (Modern Times – Charles Chaplin, 1936)

Existem filmes que, além dos seus temas continuarem atualíssimos, mesmo com os avanços obtidos durante as décadas, revelam vários detalhes novos a cada revisitada. Tempos Modernos é um deles, pois além de ser um retrato documental do seu ano de produção pós-crise de 29, ainda mostra inúmeros aspectos e fatos que se tornariam constantes na história recente da humanidade (fome, excesso policial, miséria, greves, perda progressiva da humanização) de forma extremamente lúdica e leve, sem perder o tom de comédia em nenhum momento.

São pouquíssimos filmes que conseguem entreter, fazer rir, se emocionar, se encantar e alertar, tudo ao mesmo tempo. E Chaplin era mestre em fazer isso.

4/4

Adney Silva

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Versus! – A Noite dos Mortos Vivos, de George Romero (1968) vs. A Noite dos Mortos Vivos, de Tom Savini (1990)

Depois de uma pausa, o Versus! está de volta, e acontecerá aqui no Multiplot! quinzenalmente, daqui por diante.

Esta 3ª edição do Versus traz à tona uma discussão sempre pertinente: Original vs. Remake: Qual versão do filme A Noite dos Mortos Vivos você prefere?

Os votos de parte dos redatores e as suas justificativas/comentários já estão aí, formando uma parcial da equipe do Multiplot!. No entanto, queremos a sua ajuda, e você vai poder votar até as 19:59 de sexta-feira, sendo postado então o resultado final entre a combinação de votos da equipe e dos leitores.

Defenda com unhas e dentes sua preferência, nem que para isso seja preciso esparramar muito sangue, vísceras e membros esquartejados pelo chão:

 

A Noite dos Mortos Vivos, de George Romero (1968)
vs.
A Noite dos Mortos Vivos, de Tom Savini (1990)

Thiago Duarte – Savini

Reconheço tudo o que o filme do romero representou pro cinema, e foi muito, mas putz, o filme do Savini é uma das coisas mais divertidas que existem. Aliás, tudo no filme do Savini me agrada mais, principalmente aquela troca de caracteristica das protagonistas.

Rodrigo Jordão – Savini

Nem é para dar uma de diferente e menosprezar os clássicos e tal, mas sim por realmente não gostar do filme do Romero. E por uma questão, a meu ver, simples: O aperfeiçoamento natural ao qual o “gênero” filmes-de-zumbi foi tendo, filme após filme (hoje em dia, em filmes como Madrugada dos Mortos (refilmagem de outro de seus filmes) por exemplo, já houve uma releitura da coisa toda, e os zumbis até correm, o que não vejo necessariamente como um avanço, é só um sinal dos tempos mesmo, mas isso já é outra discussão). No filme do Romero os zumbis são muito apáticos (haha admito que é engraçado falar isso de mortos), não consigo me ver apavorado naquela situação que é criada, por mais intimista, aquela intenção de tornar o clima caustrofóbico, etc. Em seu segundo filme (da trilogia, que depois virou pentalogia), Despertar dos Mortos, essa apatia é corrigida, e o Romero enfim pega o “time” da coisa.

Adney Silva – Romero

O que o Rodrigo vê como apatia, eu vejo como uma lenta e progressiva ampliação do medo exercido pela presença dos zumbis, coisa que a refilmagem não têm (não me entendam mal , até gosto da refilmagem). Mais do que isso: quem acha que o grande mote dos filmes do Romero são os zumbis não merece ter o seu voto considerado.

Djonata Ramos – Romero

Tom quem?

Daniel Dalpizzolo – Romero

Mesmo não sendo dos melhores filmes do diretor – O Exército do Extermínio e Despertar dos Mortos são infinitamente superiores – o pessimismo, o cinismo e a habilidade em catalogar e amplificar o Cinema de horror de Romero fazem de qualquer filme de zumbi dirigido por ele um produto mais interessante do que seria caso o mesmo material estivesse sob a supervisão de outro realizador.

 

PARCIAL da Equipe:
Romero 3 x 2 Savini

 

RESULTADO:

Romero 4 x 2 Savini

Esse Versus! meio que passou batido, e só tivemos um voto, e mesmo assim, esse voto veio de mais um da equipe. Enfim, o resultado então foi esse:

A versão para A Noite dos Mortos Vivos de George Romero venceu, com 4 votos a 2, de Tom Savini.

Daqui a 15 dias tem mais. Ou não, sei lá.

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O Exterminador do Futuro: A Salvação (Terminator Salvation – McG, 2009)

Bem melhor do que se poderia esperar, bem pior do que se espera de uma franquia como Terminator. Visual acachapante mostra que McG entende de concepção visual, transformando o filme num Mad Max tunado. O problema maior deste filme (e era uma tragédia anunciada, confessamos) é o seu caráter manifestamente episódico. É apenas mais um filme da franquia, sem nada de relevante a acrescentar e o que acrescenta não é suficiente para adicionar à perspectiva que foi sendo construída por três filmes ótimos (sendo dois OPs). E o pior é que o quinto filme vem aí… Quando aparecer a primeira bomba, talvez eles parem de graça…

2/4

Daniel Costa

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