O Leopardo (Luchino Visconti, 1963)

Mesmo que, através dos olhos do Príncipe Salinas, O Leopardo seja um filme profundamente triste, há toda uma beleza e uma latência de esperança na luz viva dos olhos de Tancredi e Angélica. Assim, O Leopardo é mais como a ambivalência da própria mudança, que nunca é apenas triste ou apenas alegre, mas simplesmente, uma mudança. Salinas tem absoluta consciência do seu lugar dentro da história, como se a visse inteira, do alto da sua imponência ao longo do filme, que ele bem sabe, não durará.

O modo como o Príncipe vaga pelo longo e doloroso baile (que é o funeral da sua estirpe) é a marcha de quem é substituído no mundo, de quem contempla a própria morte, transferindo elegantemente sua posição aos “chacais” da burguesia, e se retirando sozinho para o escuro de um beco aberto numa larga avenida pela qual desfilarão os próximos anos. Tempos que não lhe pertencem mais.

4/4

Luis Henrique Boaventura

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