Eles Vivem (They Live – John Carpenter, 1988)


Uma que é o filme mais charmoso do mundo. Dos diálogos (“Vim aqui mascar chicletes e chutar bundas, e meus chicletes acabaram”) a cada uma das cenas (Nada encontrando os óculos, Nada descobrindo como os óculos funcionam, Nada surtando com a 12 e caçando os alienígenas na rua, etc) Eles Vivem é talvez o representante mais classudo e indefectível do cinema B. Tem um bilhão de ideias e conceitos sendo trabalhados (desde a ironia com o consumismo e o capitalismo e o apocalipse sendo gerado através deles até a relação entre filme e a própria carreira de Carpenter, um brutamontes caçando alienígenas é provavelmente a verbalização de tudo o que o restante trabalha nas entrelinhas), um esquema narrativo absolutamente fantástico, uma noção de ritmo que não encontra parâmetros em nenhum outro filme (o único filme que possui uma cadência tão precisa quanto a de Eles Vivem é Rio Bravo), é um filme que desliza, flutua de cena em cena com uma facilidade assustadora – a trilha sonora nesse sentido é um achado também, a maneira com que Carpenter vai conduzindo o filme através dela, mais ou menos como o baixo faz no blues (o Kerr ex-multiploteiro e atual tocador de batuques  em noites paulistas já diria que Eles Vivem é um blues filmado, melhor definição impossível), enfim, é uma fonte inesgotável de coisas geniais sendo trabalhadas por debaixo dessa aurea de filme B, de filme tosco, de filme vagabundo, mas que na verdade tem mais a dizer, tem mais classe cinematográfica, tem mais observações brilhantes (“this is our god” refletido num maço de dinheiro!!!) do que qualquer filme pretensamente político do cinema contemporâneo. É um filme onde Carpenter constrói um mundo e rui inteiro na nossa frente, um filme em que ao herói só resta chutar a bunda de tudo e de todos, um legítimo filme do caralho.

4/4

Daniel Dalpizzolo

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Magnólia (Paul Thomas Anderson, 1999)

Não sou anti-Paul Thomas Anderson (gosto bastante de Hard Eight, Boogie Nights e Sangue Negro), tampouco sei se Magnólia já foi bom um dia, mas se foi, então o filme envelheceu muito mal, porque ele é todo descontrolado, inventa mil dramas em torno de dezenas de personagens, acasos e trajetórias que se cruzam, e que vão acontecendo muito rápido, tudo parece desesperado para agradar quem assiste, a coisa transborda; não se insinua, não seduz, só agride e atinge nossa retina com a força de uma marreta insistente, não dando tempo para a gente se envolver e criar uma relação com nada do que histericamente vai desfilando na tela. É uma desajeitada imitação da estrutura de alguns filmes de Altman (especialmente Short Cuts), só que aqui resulta numa experiência amorfa. Mesmo as relações humanas são de um simplismo constrangedor, como a cena do garoto prodígio se mijando nas calças durante o programa de perguntas e respostas na TV (antecipando o esquema Show do Milhão que serviria de arcabouço ao ainda pior Quem Quer Ser Milionário, do Danny Boyle), embora nada se compare com o desfecho comentadisimo, sem razão de ser por nada nesse mundo. No epílogo do citado Short Cuts, depois de todas as subtramas paralelas envolvendo os 22 personagens, ocorre um acontecimento devastador que faz com que todos os personagens sofram uma mesma ação, um terremoto em Los Angeles que vai matar a todos, um brilhante modo de concluir a trama e fechar o seu filme com chave de ouro. Como bom emulador de Altman, o então jovem P.T. Anderson precisa seguir o mesmo caminho e terminar seu filme com um impacto semelhante; para tanto, inventou uma chuva de sapos que equivale para seu filme e seus personagens algo próximo do que o terremoto de Short Cuts representou em sua estrutura. Mas se no filme de Altman o desfecho é coerente e natural, o de Magnólia é uma bosta. Uma afetação muito grande, que busca uma espécie de realismo mágico, mas que peca por excesso de engenhosidade e inverossimilhança, tornando o filme ainda mais rebuscado do que já é (no pior sentido do termo). Sem falar nos cinco minutos com os personagens dublando uma canção no mais surrado estilo videoclipe dos anos noventa! Ainda mais grave é a câmera serelepe que fica se movimentando ininterruptamente meio sem saber para onde, numa necessidade de tornar o filme dinâmico. É quase certo que serviu de influência para que surgissem outros filmes medíocres como Crash – No Limite e Babel.

1/4

Vlademir Lazo Corrêa

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Ilha do Medo (Shutter Island – Martin Scorsese, 2010)

Do cinema onde eu vi Ilha do Medo até minha casa é uma viagenzinha de uma hora e meia (na minha cidade só tem um cinema chulé onde não passa Ilha do Medo – na melhor das hipóteses, passa o filme da Carla Perez). E, nessa uma hora e meia, eu vim matutando pra definir o que eu achei desse filme.

Martin Scorsese é foda, cara.

Complicado falar do filme sem soltar spoilers (e eu não vou soltar nenhum), mas eu digo que o Scorsese, véio de guerra, conseguiu pegar um projeto que nas mãos de outro diretor certamente seria só mais um filmezinho de suspense e transformar em algo… em algo que só o Scorsese conseguiria filmar, porque ele é foda, cara.

Durante a investigação do personagem do Leonardo di Caprio dentro do presídio/hospício (isso não foi spoiler, todo mundo sabia, pelo menos, do que se tratava o filme), nós somos apresentados a personagens que se constróem e desconstróem constantemente. Somos jogados em meio a cenas inacreditavelmente bem filmadas (prestem atenção a uma cena em especial, que envolve uma sala, folhas de papel caindo, água, sangue e cinzas – wtf) e a um roteiro que, se não é brilhante, ao menos consegue ser muito superior à grande maioria daqueles que serviram de base pra 90% dos suspenses filmados nos últimos tempos.

Martin Scorsese é elegante pra caralho, também. A beleza de algumas cenas (inclusa a cena que citei lá em cima) me deixaram, realmente, de queixo caído. Mesmo não sendo o melhor filme da parceria que o Scorsese faz com Leonardo di Caprio (sou fãzóide de O Aviador), este Ilha do Medo merece ser visto com cuidado e carinho.

Até porque é do Scorsa e, sabem, ele é foda.

3/4

Murilo Lopes de Oliveira

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Tops! – Década de 00

Finalmente, depois de quase um ano, os tops estão de volta. Pra dar um restart, ainda que com considerável atraso, os 10 melhores filmes da década passada. Pra quem quiser, tem tópico no fórum também.

Luis Henrique Boaventura

01. Femme Fatale (Brian De Palma, 2002)
02. Cidade dos Sonhos (David Lynch, 2001)
03. Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Steven Spielberg, 2008)
04. Gran Torino (Clint Eastwood, 2008)
05. Onde os Fracos Não Têm Vez (Irmãos Coen, 2007)
06. Marcas da Violência (David Cronenberg, 2005)
07. Kill Bill (Quentin Tarantino, 2003)
08. Pelts (Dario Argento, 2006)
09. Cigarette Burns (John Carpenter, 2005)
10. Inimigos Públicos (Michael Mann, 2009)

Daniel Dalpizzolo

01. Cidade dos Sonhos (David Lynch, 2001)
02. Kill Bill (Quentin Tarantino, 2003/04)
03. O Signo do Caos (Rogerio Sganzerla, 2003)
04. Marcas da Violência (David Cronenberg, 2005)
05. Amantes Constantes (Phillippe Garrel, 2005)
06. Memórias de um Assassino (Jong-ho Bong, 2003)
07. Encontros e Desencontros (Sophia Coppola, 2003)
08. Mal dos trópicos (Apichatpong Weerasethakul, 2004)
09. Aquele Querido Mês de Agosto (Miguel Gomes, 2008)
10. Femme Fatale (Brian de Palma, 2003)

Murilo Lopes de Oliveira

01. Wall-E (Andrew Stanton, 2008)
02. Onde os Fracos Não Têm Vez (Ethan & Joel Coen, 2007)
03. Chumbo Grosso (Edgar Wright, 2007)
04. Terra de Sonhos (Jim Sheridan, 2002)
05. Colateral (Michael Mann, 2004)
06. Marcas da Violência (David Cronenberg, 2005)
07. Antes do Pôr-do-Sol (Richard Linklater, 2004)
08. Cidade dos Sonhos (David Lynch, 2001)
09. Gran Torino (Clint Eastwood, 2008)
10. Os Três Enterros de Melquiades Estrada (Tommy Lee Jones, 2005)

Fernando Mendonça

01. Gerry (Gus Van Sant, 2002)
02. As Harmonias de Werckmeister (Béla Tarr, 2000)
03. As Invasões Bárbaras (Denys Arcand, 2003)
04. Lavoura Arcaica (Luiz Fernando Carvalho, 2001)
05. 21 Gramas (Alejandro González Iñárritu, 2003)
06. Irreversível (Gaspar Noé, 2002)
07. Menina de Ouro (Clint Eastwood, 2004)
08. Lo Sguardo (Michelangelo Antonioni, 2004)
09. Eu Não Quero Dormir Sozinho (Tsai Ming Liang, 2006)
10. Match Point (Woody Allen, 2005)

Djonata Ramos

01. Kill Bill (Quentin Tarantino, 2003/2004)
02. O Novo Mundo (Terrence Malick, 2005)
03. Onde Os Fracos Não Têm Vez (Irmãos Coen, 2007)
04. Miami Vice (Michael Mann, 2006)
05. Femme Fatale (De Palma, 2003)
06. Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009)
07. Antes do Pôr-do-Sol (Richard Linklater)
08. Spider (David Cronenberg)
09. Corpo Fechado (M. Night Shyamalan)
10. Marcas da Violência (David Cronenberg)

Thiago Duarte

01. Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009)
02. Memórias de Um Assassino (Jong-ho Bong, 2003)
03. Antes do Pôr do Sol (Richard Linklater, 2004)
04. Marcas da Violência (David Cronenberg, 2005)
05. Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003)
06. Onde os Fracos Não Têm Vez (Irmãos Coen, 2007)
07. Kill Bill (Quentin Tarantino, 2003/2004)
08. Match Point (Woody Allen, 2005)
09. Todo Mundo Quase Morto (Edgard Wright, 2004)
10. O Novo Mundo (Terrence Malick, 2005)

Ranieri Brandão

01. Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009)
02. Nossa Música (Jean-Luc Godard, 2004)
03. Marcas da Violência (David Cronenberg, 2005)
04. 2046 (Wong Kar wai, 2004)
05. Falsa Loura (Carlos Reichenbach, 2008)
06. Os Amores de Astree e Celadon (Eric Rohmer, 2007)
07. O Signo do Caos (Rogerio Sganzerla, 2003)
08. Gran Torino (Clint Eastwood, 2008)
09. A Espiã (Paul Verhoeven, 2006)
10. Fale com Ela (Pedro Almodóvar, 2002)

Thiago Macêdo Correia

01. Amantes (James Gray, 2008)
02. Aquele Querido Mês de Agosto (Miguel Gomes, 2008)
03. O Céu de Suely (Karim Ainöuz, 2006)
04. Amor à Flor da Pele (Wong Kar-Wai, 2000)
05. O Pântano (Lucrecia Martel, 2003)
06. Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003)
07. O Tempo Que Resta (François Ozon, 2005)
08. O Segredo de Brokeback Mountain (Ang Lee, 2005)
09. A Questão Humana (Nicolas Klotz, 2007)
10. Onde os Fracos Não Têm Vez (Joel Coen & Ethan Coen, 2007)

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Screenshots! – Um Enigma no Divã (Mortel Transfert – Jean-Jacques Beineix, 2001)

por Luis Henrique Boaventura

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O Céu Que Nos Protege (The Sheltering Sky – Bernardo Bertolucci, 1990)

Quanto mais se conhece a obra de Bernardo Bertolucci mais se confirma que a maioria absoluta de seus poucos grandes filmes pertencem aos anos sessenta (ou até o começo da década seguinte, quando muito). Esse O Céu Que Nos Protege é mais uma decepção dentre os que ele fez nos últimos vinte anos. É quase tão fetichista quanto o (relativamente) recente Os Sonhadores (se for para defini-lo em duas linhas, dá para dizer que é Os Sonhadores de meia-idade passado no deserto do Saara), ao mesmo tempo em que, repetindo a fórmula de O Último Imperador, aproveita-se de uma cultura estrangeira para garantir o interesso do público pelo lado exótico da obra. É triste constatar que há décadas Bertolucci raramente oferece algo de novo, dedicando-se a contar histórias pretensamente profundas para garantir o interesse do espectador que se julga inteligente, mas diluindo tudo para agradar ao maior número possível de platéias. O melhor de O Céu Que Nos Protege são algumas das cenas que exploram a beleza do deserto e de suas cidades (foi filmado na Argélia, Marrocos e Nigéria), o que é mais mérito da câmera de Vittorio Storaro (que, aliás, salvou muitas das obras do diretor do fracasso absoluto). E quem for assistir ou rever o filme, pode notar que do elenco talentoso (mas que aqui pouco tem a fazer), o melhor que se pode dizer é que Debra Winger está com uma indisfarçável cara de Silvia Krystel (por sinal, se o filme tivesse um pouco mais de nudez e de sexo, poderia passar tranquilamente por um episódio de Emanuelle em crise existencial no norte da África).

1/4

Vlademir Lazo Corrêa

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Vício Frenético (The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans – Werner Herzog, 2009)

Diferentemente do Vício Frenético (Bad Lieutenant) de Abel Ferrara, que foca na jornada autodestrutiva de um policial viciado em cocaína, jogos, e com sérios problemas morais, Werner Herzog pega esse ponto de partida da obra-prima de Ferrara e pira o cabeção completamente apresentando praticamente a antítese do apresentado pelo ítalo-americano mais podre de NY. Aqui o “alemão” nos apresenta ao policial com vícios similares aos do anterior, mas com conseqüências diferentes, Herzog aposta muito mais na caricatura e na sátira que na crítica, se utilizando de uma fábula fake das conseqüências do acumulo de erros sucessivos que um profissional pode cometer. Enquanto que o policial deve proteger e servir à sociedade, o policial interpretado por Nick Cage (brilhante e esquecido no Oscar e outras tantas premiações) está preocupado apenas consigo, como pagar suas apostas em jogos e como poder cheirar sossegado, utilizando até o seu status de policial para chegar mais facilmente ao pó. É tragicômico observar ele cada vez mais imerso em seus vícios e problemas ao passo que não faz nada para resolvê-los e nem parece estar arrependido, e, mesmo assim, de certa forma, crescendo na vida e resolvendo seus casos. Herzog mostra mais uma vez o quanto surtado é, indo totalmente contra a maré do bom samaritano que assalta a sociedade num misto de desespero e hipocrisia, enquanto que os outros filmam drogados tendo seu braço amputado soando propaganda de verso de carteira de cigarro, Herzog se utiliza da magia do cinema pra fazer o que der na telha, com iguanas + blues e tudo o mais que a gente gosta.

3/4

Djonata Ramos

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Screenshots! – Passion (Jean-Luc Godard, 1982)

– por Daniel Dalpizzolo


Em dias de premiações insossas nada melhor que Godard pra iluminar nosso saudoso cinema.

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Pequenas Mortes (Small Deaths – Lynne Ramsay, 1996)

O curta-metragem de estréia da escocesa Lynne Ramsay – seu trabalho de conclusão de curso e vencedor do Prêmio do Júri em Cannes – delineia, em pouco mais de 10 minutos, três momentos marcantes e marcados por uma vida que se descobre vermelha, e que na descoberta, goza um sentir funéreo que lhe convence a validade do viver.

Os breves episódios do filme, microcosmos de uma memória que se sugere autobiográfica, concentram-se em sentimentos vividos pela menina-moça durante situações que habitualmente poderiam ser tidas como traumáticas: uma breve e muito sutil discussão entre os pais, a visão de uma vaca apedrejada até a morte por alguns meninos, a piada imbecil de uma amiga que finge sofrer de overdose. Em todos eles, uma fotografia que marca a imagem em vermelho, como se a película-memória da garota fosse tocada por uma brasa, não tanto de dor, mas de vida. Pois apesar do quase-trauma possível em cada cena, o que sobressai é a certeza do sentimento, da emoção que aceita a limitação do estar no mundo e de como esse ‘estar’ pode ser sensibilizado por uma imagem que poetize a dor.
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Demorei pra decidir sobre o quê eu iria falar em minha estréia por aqui. Nascimento e Vida foram os temas que povoaram minha cabeça durante a semana, até que percebi ser a Morte o melhor começo, uma ‘pequena morte’, como no cinema de Ramsay.

Obrigado pela abertura do espaço, pela confiança e camaradagem. Muito obrigado por me deixarem morrer mais um pouco.

Fernando Mendonça

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Água Fria (L’Eau Froide – Olivier Assayas, 1994)

O elo perdido entre Deep End (1970) e Elephant (2003). Não que Água Fria tenha o mesmo curso dos acontecimentos dos mencionados títulos de Skolimowski (o desejo obsessivo levado até as últimas consequências) e de Gus Van Sant (o brutal massacre estudantil no colégio), mas o que todos possuem em comum é o olhar denso e sério sobre uma parcela da juventude à beira do abismo (algo também presente nos filmes finais de Bresson). Trata-se de um filme de formação que mais do que contar uma história é sobretudo um acumulo de experiências e de perdição existencial, misteriosamente elíptico e de uma poesia gélida e ao mesmo tempo apaixonada, um filme que trabalha menos com o intelecto do que com os sentidos acurados de espectadores de mentes totalmente abertas às imagens, aos sons, às atitudes, os gestos, aos lazeres, às fraquezas e virtudes, em resumo, às representações dessa juventude cuja câmera de Olivier Assayas aponta não o rito de passagem da adolescência para a fase adulta, mas a perspectiva de se estar prestes a encontrar esse momento. Em Água Fria, a impossibilidade de lidar com os mais velhos e a ojeriza às autoridades, o mundo que drena suas energias e seus modos particulares de percepção do tempo para torná-los partes integrantes do establishment, mas também as dificuldades de comunicação entre eles próprios da mesma idade. O roubo na loja de discos, o conflito com o professor na aula de literatura, o passeio pela floresta imantada de espessa névoa, a longa sequência da festa regada a clássicos musicais dos anos 60/70 (a ação se passa em 1972) e depois a fuga pela montanha enevoada; em tudo, a câmera impregna o que está à sua frente incorporando objetos, paisagens e pessoas rearranjando-os de tal maneira a torná-los um organismo vivo, real e palpável. Talvez o mais belo dos filmes de Olivier Assayas, e sem dúvida um dos pilares do cinema contemporâneo.

4/4

Vlademir Lazo Corrêa

Screenshots!

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