Era Uma Vez… (Breno Silveira, 2008)

A história é manjada. Dé (Thiago Martins) é um jovem da favela do Cantagalo que trabalha em uma barraca na Vieira Souto. Nina (Vitória Frate) é uma menina que vive em um prédio em frente à barraca. E o melodrama vai se desenvolvendo, seja de maneira Romeu e Julieta, ou parecida. O fato de não ficar novelesco para uma produção desse porte (realmente, é bem feito à niveis globais) já é uma surpresa. Talvez não seja novidade pra ninguém ver um filme que retrate a favela com pessoas que não necessariamente sejam envolvidas com o tráfico e a violência, que sejam trabalhadoras e etc. Mas o cuidado com que Silveira (que também dirigiu Dois Filhos de Francisco) produz e conta essa história acaba cativando em alguns momentos.

Os clichês nem chegam a ser tããão problema assim (os dois tem família problemática que é parecida, o dilema em conviver com o irmão que virou chefão do tráfico, pais inseguros, amigas inconseqüentes subindo o morro, preconceito de maneira chavão), a questão é que dificilmente o filme consegue sair do ‘mais do mesmo’. Mas quando consegue tomar o rumo do título, em rever as histórias que começam em ‘era uma vez’, em ser apenas um melodrama bem feitinho acaba sendo feliz. Mesmo com alguns delírios que as vezes lembram até os famigerados Crash e Babel.

2/4

Pedro Kerr

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Gabarito do Mosaico

Haha, parece que subestimamos o pessoal, hein? Hal acertou 17, Caio 18, Rafael 19 e o próprio Hal voltou pra matar a nº 5.

Gabarito:

1 –  Before Sunrise / Antes do Amanhecer, 1995 – dir: Richard Linklater
Atores: Ethan Hawke/Julie Delpy
2 – Casablanca, 1942 – dir: Michael Curtiz
Ator: Humprey Bogart
3- The Bridges of Madison County / As Pontes de Madison, 1995 – dir: Clint Eastwood
Atores: Clint Eastwood/Meryl Streep
4- Heat / Fogo Contra Fogo, 1995 – dir: Michael Mann
Atores: Robert De Niro e Val Kilmer
5- In a Lonely Place / No Silêncio da Noite, 1950 – dir: Nicholas Ray
Atores: Humprey Bogart e Gloria Grahame
6- A Clockwork Orange / Laranja Mecânica, 1971 – dir: Stanley Kubrick
Ator: Malcom McDowell
7- The New World / O Novo Mundo, 2005 – dir: Terrence Malick
Ator: Colin Farrell
8- Le Notti Bianchi / Noites Brancas, 1957 – dir: Luchino Visconti
Atores: Marcello Mastrioianni
9- Once / Apenas Uma Vez, 2006 – Dir: John Carney
Atores: Glen Hansard e Marketa Irglova
10- Pierrot Le Fou / O Demônio das Onze Horas, 1965 – dir: Jean-Luc Godard
Ator: Jean-Paul Belmondo
11- Repulsion / Repulsa ao Sexo, 1965 – dir: Roman Polanski
Atriz: Catherine Deneuve
12- Reservoir Dogs / Cães de Aluguel, 1992 – dir: Quentin Tarantino
Atores: Harvey Keitel e Tim Roth
13- Rio Bravo / Onde Começa o Inferno, 1959 – dir: Howard Hawks
Atriz: Angie Dickinson.
14- 3:10 to Yuma/ Os Indomáveis, 2007 – dir: James Mangold
Atores: Christian Bale e Russel Crowe
15- Spider / Spider: Desafie Sua Mente, 2002 – dir: David Cronenberg
Ator: Ralph Fiennes
16- The Big Lebowski / O Grande Lebowski, 1998 – dir: Joel Coen
Ator: John Goodman
17- THX 1138, 1971 – dir: George Lucas: atriz: Maggie McOmie
18- Batman Begins, 2005 – dir: Christopher Nolan: atores: Michael Caine, Rutger Hauer e Gus Lewis
19- Once Upon Time in America / Era Uma Vez na América, 1984 – dir: Sergio Leone – Ator: robert De niro
20- It´s a Wonderful Life / A Felicidade não se compra, 1946 – dir: Frank Capra
Ator: james Stewart

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Terror nas Trevas (L’aldilà / The Beyond – Lucio Fulci, 1981)

Poucos estilos permitem tamanha liberdade de imaginação quanto o terror, mas grande parte dos realizadores que arriscam um ou outro movimento dentro do gênero parece sentir a necessidade de manter um pé no real, como se assim ajudassem quem vê a se familiarizar – sem negar que alguns filmes dependem do real para causar sensações tão extremas, mas fazem parte de outra espécie. The Beyond é o tratado definitivo de Fulci, um dos maiores especialistas do cinema fantástico italiano da década de 1970/80, sobre o universo onírico do filme de horror, um Cinema tão desprendido da coerência quanto impecável na busca de sensações intraduzíveis como forma de explorar as mais diversas possibilidades que a influência do plano sobrenatural pode exercer na vaga noção de realidade, representada unicamente pelo fato de os personagens serem humanos.

Pré-conceitos para o suposto funcionamento de um filme normalmente são resultado de insegurança por parte de quem comenta qualquer coisa, mas foda-se. Não há possibilidade de se assistir Terror nas Trevas sem a consciência de que Fulci busca, a partir do famigerado plot envolvendo a abertura de um portal para o inferno, um estado de pura liberdade cinematográfica, desprendido de qualquer razão, desprovido de qualquer padrão. O pouco de trama que existe é dissolvido juntamente com os corpos transformados em suco através daquela solução cáustica de cal com qualquer coisa. O mínimo de diálogos ou elucidações é engolido pela neblina que paira sobre as ruas da cidade. O filme tem vida. Própria. Sua.

Ou melhor, nem toda sua. Por que Terror nas Trevas é o Frankenstein de Fulci, mas ainda pertence a Fulci. Mais do que um exercício de entrega completa à superioridade da imagem sobre qualquer outro elemento que compõe o Cinema, o filme é uma celebração do poder inimaginável que um criador possui sobre sua obra. Por isso, numa combinação catártica dos principais elementos do cinema fantástico, Lucio Fulci declara oficialmente estar chutando o último pau que restava a segurar a barraca. Em Terror nas Trevas vale tudo. Corpos e pessoas presentes em três lugares ao mesmo tempo; coisas que mudam de lugar conforme a necessidade de cena; portas que sem explicação levam os personagens a outros cenários; armas que disparam mesmo sem balas; casas que mudam de estado conforme o que as habitam; vultos e sons inexplicáveis; pessoas que somem e aparecem sem motivos; etc.

Dependendo da necessidade para se alcançar o tom exato de atmosfera e tensão, muitas vezes devastadora – em certos aspectos The Beyond se assemelha ao melhor que o jogo Silent Hill pode oferecer, em termos de atmosfera -, Fulci vai mexendo os palitos, colando situações desconectadas superficialmente que, juntas, permitem ao filme uma exploração tão apoteótica das sensações mais intensas e possíveis de serem transmitidas pelo Cinema que nada mais resta a não ser a entrega completa ao universo transloucado que de cena em cena exala uma paixão interminável pela fantasia, pela ficção – e é curioso o paradoxo instaurado com tudo isso, ao mesmo tempo em que vejo Terror nas Trevas como um belo exercício de adoração também é um dos filmes mais assustadores de que tenho conhecimento.

E em se tratando de Fulci, do homem que carrega o título de “Pai do Gore”, é quase irresponsável não mencionar as intermináveis e inconfundíveis cenas de carnificina, ainda mais por serem deste filme algumas das mortes mais geniais – e sangrentas – já filmadas. Fulci trata o corpo humano como um simples artefato de carne e sangue, estoura cabeças, rasga membros, fura olhos, arranca vísceras, corrói crânios e larga seus bichos de estimação – aranhas, cachorros e zumbis, por que não – para fazerem um verdadeiro banquete da matéria física dos personagens, uma combinação explosiva que dá ao filme aquele tom praticamente exclusivo de pesadelo sem solução – o que é definitivamente celebrado na conclusão, quando a dupla finalmente chega ao “outro lado”, às trevas, uma imensa paisagem desoladora que sentencia o final tanto da corrida de ambos em busca de uma saída – curiosamente acaba também sendo a entrega, não havia mais o que fazer – quanto da viagem do espectador através do poder do Cinema.

Para os fanáticos pela formatação cinematográfica, por filmes com paredes, Terror nas Trevas é um prato cheio, daqueles a serem degustados com um bloquinho do lado pra canetear os principais furos de roteiro e as mais perceptíveis falhas de continuidade. Para outros, pode ser uma experiência inconfundível de contemplação à imagem e uma declaração de amor à liberdade de criação que fortifica a magnitude da mídia cinematográfica. Bem, felizmente meu bloquinho entrou em estado de combustão no mesmo instante em que se abriram os portões para a casa do capeta. Maldito fogo do demônio.

4/4

Daniel Dalpizzolo

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Resultado do Concurso Stanley Kubrick

Em primeiro lugar, as desculpas: prometemos o resultado pra segunda-feira mas um dos jurados foi acometido por uma série daqueles acasos destrutivos que só ocorrem em filmes dos Coen.

Segundo, agradecer ao pessoal que participou escrevendo um texto (ou coisas semelhantes, hehe) para um dos filmes deste mestre absoluto com quem passamos as duas últimas semanas. Enfim, sem mais delongas, o resultado está abaixo. Clicando nos links você tem acesso às avaliações dos jurados e aos textos dos participantes.

Ranking: 

1º – Fábio Rockenbach

2º – Alecsander Portilio

3º – Caio Lucas

4º – Davi Albergoni

5º – Tiago Ramacciotti

6º – Jefferson Domingos

O GRANDE VENCEDOR, Fábio Rockenbach, receberá em sua casa uma das 5 EEs de Stanley Kubrick em DVD (Fábio, informe o DVD escolhido e o endereço, por e-mail). Os posts de cada um estão abertos a comentários, portanto, qualquer dúvida ou coisa parecida, não exitem em xingar esse bando de jurados loucos, haha.

Mais uma vez, obrigado à galera que participou!

Um abraço!

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Mãe das Lágrimas (Dario Argento, 2007)

La Terza Madre é tão romântico no que diz respeito ao seu próprio universo e imagens que em certos momentos muito mais se assemelha a um turbilhão errático de Ferrara do que a um filme apocalíptico fantástico italiano – a cena do banho de Ásia Argento e seu primeiro encontro com a mãe são dignas do Cinema do ítalo-americano -, mas isso de maneira alguma representa uma possível troca de identidade de Dario Argento. Pelo contrário. É fruto da consciência.

Mãe das Lágrimas, o filme, veio ao mundo como complemento às duas partes anteriores da mitologia de Argento sobre as três bruxas – Mater Suspiriorum, Mater Tenebrarum e Mater Lacrimarum – mas em nenhum momento procura remeter, em estrutura ou discurso, aos anteriores Suspiria e Mansão do Inferno. Ao contrário do que havia feito anos antes em Sleepless, uma releitura do giallo setentista sob a ótica do cinema daquela época, Argento filma através das características cinematográficas do século XXI sua visão do filme-B moderno, um termo que na realidade se perdeu entre diferentes definições e hoje representa muito mais qualidade do que forma – vale resgatar que “b-movies” é uma definição utilizada desde o período do sistema de estúdios hollywoodiano e era utilizada para denominar os filmes feitos para passar na aba das superproduções, já que não tinham estrelas nem publicidade suficientes para conseguirem se vender sozinhos.

Como um legítimo filme-B, Mãe das Lágrimas é paupérrimo do ponto de vista técnico, preenchido por efeitos bastante ruins se comparados a qualquer produto cinematográfico atual – os elementos digitais jamais foram companheiros do diretor, o que pode ser notado também em Síndrome de Stendhal – e feito com baixíssimo custo, da mesma forma como qualquer outro filme de Argento. Mas os tempos são outros, e na visão de Dario este é o universo do verdadeiro filme-B contemporâneo, sem o jogo de luz e o misticismo que marcaram sua fase mais celebrada e recheado de poluição visual. É o tempo da globalização, do engarrafamento, da correria, do coletivo à frente do pessoal – assim como o filme, o primeiro da trilogia que se passa fora da esfera mitológica da mansão construída para a bruxa, fixando junto ao drama pessoal a histeria social.

Não é nenhuma coincidência, portanto, que ao contrário dos protagonistas anteriores, a personagem de Asia Argento seja muito mais do que uma simples curiosa pela mitologia – diferentemente da garota de Suspiria e do paspalho que assume a comissão de frente na metade final de Inferno, Asia não escolhe participar de toda a loucura, entra no jogo simplesmente para salvar o mundo. Afinal, estamos aqui para resolver uma trindade mitológica, ninguém melhor do que ela – a grande definição da heroína moderna e ao mesmo tempo a maior vampira do século XXI – percorrendo uma elegia à própria espécie para dar o ponto final ao apocalipse promovido pelas mulheres.

Foram poucos os cineastas que olharam com tanto carinho aos seus heróis, e Argento faz isso de maneira tão surpreendentemente romântica que alcança um tom de ternura absoluto em certos momentos, contrastando com a vastidão do feitiço macabro lançado pela Mater sobre uma Roma em devaneios – e propulsora de alguns dos momentos de morte mais intensos e sangrentos da filmografia diabólica de Argento. Asia alcança a invisibilidade, é protegida pelo espírito materno, recebe pistas de outro mundo e até se permite um banho pra lá de sensual debaixo do manto de morte e sangue que cobre a cidade, momentos antes de partir para a batalha definitiva na mansão de orgias escatológicas que serve de quartel para seu algoz, recheada de bruxas semi-nuas e moçoilas peitudas.

Dario Argento, em Mãe das Lágrimas, não apenas conclui sua trilogia como também quebra a barreira entre o cinema fantástico da década de 1970 e o apocalipse estudado pelo cinema do século XXI. Mais do que isso, bebe de fontes externas para voltar sua mitologia à adoração em diferentes esferas. Assim como Ferrara em New Rose Hotel e Assayas em Boarding Gate, Argento celebra o caos sentenciado pelo corpo feminino mas defende em sua plenitude a grande mistificação da mulher contemporânea, pelo bem ou pelo mal. Não poderia haver motivo maior para tamanha gargalhada, não é Asia?

4/4

Daniel Dalpizzolo

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BATMAN!

Arrá! Achou que o Multiplot! passaria em branco no blockbuster mais aguardado do ano? Inicialmente faríamos um Especial, mas achamos que era muito especial num espaço de tempo tão curto (acabamos de sair do Kubrick), portanto, algo mais simples dessa vez. O quinto Especial sai em agosto.

Saga:

Batman – O Homem Morcego (Leslie H. Martinson, 1966) – Pedro Kerr

Batman (Tim Burton, 1989) – Luis Henrique Boaventura

Batman – O Retorno (Tim Burton, 1992) – Daniel Costa

Batman Eternamente (Joel Schumacher, 1995) – Jailton Rocha

Batman & Robin (Joel Schumacher, 1997) – Jailton Rocha

Batman Begins (Christopher Nolan, 2005) – Djonata Ramos

Batman – O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008) – Djonata Ramos

Grande Atuação, Saudosismo ou Grande Personagem? – Sílvio Tavares

Além dos textos, que tal um pequeno teste de conhecimento/percepção/empirismo/ócio total? Descubra quais os 20 filmes atacados pelo Coringa no quadro abaixo, postando a resposta aqui mesmo, no ‘comentários’.

GABARITO

O mosaico vai ficar disponível no Cinéfilos.

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Batman – O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008)

O Cavaleiro das Trevas começa onde termina o Begins – Batman consolidado como o vigilante de Gotham – com a inclusão de um novo vilão: o Coringa.

Fica claro desde o princípio, que Batman já adquiriu o temor dos vilões e o respeito das autoridades e dos civis, como eu havia dito no comentário sobre Begins no texto anterior, Begins era uma mera introdução (por isso, tantas explicações que se faziam necessárias) para que as coisas aconteçam aqui, e elas acontecem.

O Cavaleiro das Trevas é recheado de cenas de ação explosivas, cito o embate do Batman com Coringa, na já clássica cena do “hit me!”, onde Batman se utiliza de todo o seu potencial hi-tech para capturar o vilão, aliás, essa opção pelo hi-tech, justamente nessa sequência, gera o único momento de desconforto para mim, visto que, o que acontece é totalmente desnecessário, é o tipo de coisa totalmente exibicionista, o que, sequer, combina com a proposta do filme.

É impossível não comparar esse filme com o Begins (se bem que, sinceramente, vejo ambos como um único longa, o que melhora a experiência consideravelmente), e nessa comparação, esse leva vantagem, pois acerta aonde Begins errou: tem vilões de alto nível, tem muitas e boas sequências de ação, e, Batman passa a ser quase que o coadjuvante – isso é um mérito.

Batman não é um herói que deve dicar em evidência, pelo contrário, isso é trabalho para os vilões, e o Coringa é o maior deles nesse quesito, espalhafatoso, demente, sem noção alguma. Ele oferece todo o perigo do qual senti falta em Begins, Coringa é o tipo de vilão que não procura razões lógicas para seus atos, ele simplesmente quer destruir, quer Gotham em chamas, e, claro, Batman caído.

E Heath Ledger é o grande responsável por fazer com que o Coringa acabe por tornar-se o protagonista do longa. Em uma atuação estupenda, Ledger vive com intensidade seu personagem. Coringa é cruel, desmedido, fora do tom e completamente lunático.

E por Coringa ser dessa forma, Batman se vê numa situação incomum, pois pra ele, os criminosos querem coisas como dinheiro, poder. Coringa não quer, e isso desestabiliza o Morcego, que se vê frente a um vilão que é como ele próprio, excluídas as suas motivações éticas, morais, eles são dois lados de uma mesma moeda. Fica claro que Coringa considera como vitória, desestabilizar seu oponente; na já citada cena do “hit me!”, ele pede para Batman o atropele, e pede isso sinceramente, pois se o morcego assim o fizer, Coringa terá feito sua parte, terá vencido, pois efetivamente corromperia o Cavaleiro das Trevas.

O filme de Nolan não é um filme fácil, tampouco é ideal para crianças, além de ser muito denso, é extremamente sombrio. Acaba funcionando como um filme de gângsters (trama bem amarrada, cheia de detalhes sobre corrupção, planos mirabolantes, etc), com a diferença de Batman num extremo e Coringa no outro.

Quem sentiu desconforto ao assistir Begins pelo tom verossimil adotado por Nolan, terá ainda mais dificuldades em saborear esse, por ser ainda mais calcado no real, no palpável. Pena de quem se incomoda com isso, pois perderá de ver esse que é, desde já, o melhor filme baseado num personagem de HQS já concebido. Batman merecia um filme como esse.

4/4

Djonata Ramos 

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Batman Begins (Christopher Nolan, 2005)

Depois do fracasso retumbante de Batman e Robin (Joel Schumacher) os executivos da Warner ficaram temerosos em investir em mais um filme do homem-morcego. Passados quase sete anos de especulações, seja de elenco e – principalmente – de diretor, resolveram apostar no inglês Christopher Nolan para levar as telonas uma nova visão do vigilante de Gotham. Nolan até então havia mostrado competência com o bom Insônia, que conta com as presenças de Al Pacino e Robin Willians, e no ótimo Amnésia, com Guy Pierce.

Feita a escolha para ocupar a cadeira de diretor, a questão que todos se perguntavam era: “quem será o intérprete do Batman?” o galês Christian Bale fôra o escolhido, após inúmeros nomes. Bale demonstrara enorme talento no subestimado Psicopata Americano; mesmo assim, era um ator relativamente desconhecido, e para a proposta de “recomeçar” a série, parecia bastante coerente, assim não se atrelaria a imagem de Batman ao ator, e sim o oposto, Bale seria, a partir de então, O Batman.

Ao contrário das abordagens anteriores do personagem, Nolan optou por situar o herói num universo palpável, realista, fazendo com que fosse possível crer que Batman poderia tranquilamente ser qualquer um de nós, que fosse rico e insano o suficiente para encarar o uniforme negro. Como Batman Begins ignora as abordagens autorais (maravilhosas) de Tim Burton e mesmo as carnavalescas de Joel Schumacher, Nolan opta por explicar toda a origem do homem-morcego, em detalhes, dando função a cada objeto e atitude tomada pelo herói. O que muitos vêem como um demérito, eu enxergo como qualidade. Batman ao contrário de Superman, Homem-Aranha, X-Men e tantos outros, não possui super-poderes e, portanto, é tecnicamente um homem ordinário, extremamente rico, é verdade, e muito bem treinado fisicamente (fica claro isso no princípio do filme com sua peregrinação em busca de treinamento, com bandidos, etc) que afinal de contas precisa racionalizar, seu uniforme, suas atitudes, seu transporte, tudo, tudo tem que ser real, pois ele é apenas um homem que usa um disfarce à noite para não ser identificado.

Pode parecer ridículo um homem vestido de morcego fazendo justiça, mas convenhamos, Bruce Wayne não é lá o que podemos chamar de saudável mentalmente, além do que, apesar de o filme ser quase que totalmente estruturado no verossímil, flerta vez ou outra com a fantasia , fato que faz com que não perca a “aura” quadrinesca. Cito o exemplo da planta azul que só encontrada em determinado local – só faltava dizer que ela nasce de 100 em 100 anos.

Batman Begins é antes de mais nada um prólogo do que está por vir, A Warner apostou em Nolan e numa nova abordagem do herói, a qual foi bem sucedida e abriu espaço para a seqüência que em breve estreará, intitulada “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, onde serão inseridos no contexto o Coringa (vilão emblemático de Batman) e o Duas Caras que também é dos mais famosos vilões. Nesse sim residem as grandes expectativas, já que agora sim a coisa é pra valer, e não apenas uma preparação/aposta.

4/4

Djonata Ramos

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Batman & Robin (Joel Schumacher, 1997)

O filme anterior, Batman Eternamente, mostra certa competência ao colocar o herói, Batman, no centro da ação. Mesmo com os exageros do diretor, tudo rodava em torno do Homem-Morcego e suas incertezas sobre a vida que resolveu ter depois da morte dos pais. Já aqui, em Batman & Robin, houve um grande retrocesso. O herói e a história dele perdem totalmente a importância para dar espaço a um desfile de personagens inúteis, já que absolutamente nenhum deles diz a que veio. Batman (George Clooney) deixa de ser um personagem denso para ficar o filme todo tendo discussões inúteis com o Robin (Chris O’Donnell). Incrível ver dois “super-heróis” perdendo tempo com coisas tão fúteis do tipo “você não confia em mim” ou “ela gosta mais de mim do que de você”. Se bem que isso poderia render algo se tratado de outra forma, mas o roteiro trata isso da forma mais simplória possível, fazendo com que Batman e Robin definitivamente sejam vistos mais como um “casal” do que uma “dupla”.

E os outros personagens? Mais uma vez temos dois vilões. Dessa vez, Homem de Gelo e Hera Venenosa. Lembrando que antes, os vilões tinham uma função dentro na trama e não estavam lá à toa, mas aqui nenhum dos dois executa uma função maior do que fazer bagunça pela cidade e ficar no caminho dos heróis. Mesmo assim, Hera Venenosa acaba sendo o único destaque positivo do filme já que é interpretada pela sempre eficiente Uma Thurman, que dá sim um torneado especial para essa vilã ecológica. A personagem usa de seus poderes de sedução para separar Batman & Robin, enfraquecendo assim a dupla. O problema é que os dois desde o começo não se entendem muito bem por causa da falta da confiança de Batman em relação ao Robin (…), então o plano de Hera na verdade, não serve pra muita coisa, restando para personagem manipular o Homem de Gelo e mais uma vez formar uma dupla de vilões, como nos filmes anteriores. Já o Homem de Gelo tenta ser “o” vilão, mas acaba sendo um personagem menor, apesar de ter ganhado status de personagem principal (com direito a grande destaque no cartaz) por ser “interpretado” por Arnold Schwarzenegger. Mas ele não faz mais do que tentar roubar diamantes pelos museus da cidade e ser manipulado pela Hera. De qualquer forma, é mesmo impossível qualquer dos personagens terem uma importância maior dentro um roteiro mal escrito e mal desenvolvido. E nem vou falar da heroína Batgirl, feita pela Alicia Silverstone. Por que ela está aqui?

Como gostava da série hiper brega da TV e das HQs do herói da década de 60, Joel continuou colocando elementos deles na franquia, mesmo que nenhum desses elementos combinasse com o que o Burton imaginava inicialmente quando começou a série no cinema. Em Batman Eternamente, ele até se conteve, e esses elementos não prejudicaram tanto, mas aqui, Joel se sentindo mais “livre, leve e solto”, vomitou cores por todos os poros do filme, até onde elas nem eram necessárias. E nem uma “identidade visual” o filme se propõe a ter. Tudo tem cara de nada, já que Joel foi simplesmente jogando coisas a esmo, sem decidir o que queria exatamente. Nem o contraste interessante que poderíamos ter com o visual “floresta” de Hera e o visual “glacial” do Homem de Gelo, ele consegue colocar de forma agradável. Resultado: O filme está com o visual super-hiper-mega pesado.

Quase pondo um fim na polêmica, mas lucrativa franquia de Batman, Schumacher exagerou em absolutamente tudo nesse quarto episódio, fazendo um filme bem desastroso. É um filme-pipoca sim e não chega a ser um completo “fim do mundo”, mas esse Batman & Robin sofre demais pela avalanche de personagens inúteis, com seu roteiro e diálogos constrangedores, e seu visual colorido-berrante. Joel Schumacher que antes conseguiu fazer algo interessante, aqui decididamente deu um tiro no próprio pé.

1/4

Jailton Rocha 

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Batman Eternamente (Joel Schumacher, 1995)

Esse terceiro episódio da série iniciada em 89, onde ocorreram a mudança de diretor da franquia e a do ator que interpreta Batman, toma a correta atitude de colocar uma história em que o centro é o herói. Aqui ainda temos os vilões apoteóticos de sempre, mas eles não aparecem para “roubar o filme”, tomando uma importância maior que a do herói na trama. Mesmo com os exageros do diretor Joel Schumacher, Batman Eternamente trata, sim, de Bruce Wayne/Batman (Val Kilmer) que aqui sofre uma crise de identidade, já que não sabe se seus atos heróicos ajudam ou atrapalham a população de Gotham City. Isso é posto à prova a toda hora, não só através dos vilões Harvey Dent/Duas Caras (Tommy Lee Jones), e Edward Nigma/Charada (Jim Carrey), mas também pelo parceiro de Batman, Dick Grayson/Robin (Chris O’Donnell) e seu interesse romântico Drª Chase Meridian (Nicole Kidman).

Começamos vendo Batman tentando evitar um roubo de um banco por Duas Caras. Roubo esse que logo se revela uma armadilha para o herói. Duas Caras quer destruir Batman a todo custo já que o culpa pelo acidente que sofreu e deformou seu rosto. Então, vamos ver sempre esse vilão tentando matar o Homem-Morcego. Do outro lado, temos Edward Nigma trabalhando na empresa de Bruce Wayne, e com uma incrível obsessão por seu chefe. Edward é daqueles fãs que não sabem se amam ou odeiam o objeto de adoração, já que essa suposta adoração que ele diz sentir, logo vira ódio quando Bruce recusa um projeto que Edward estava desenvolvendo, fazendo assim o personagem assumir a vilania, se transformando no vilão Charada, e tentando a todo custo derrotar o antigo chefe. Temos assim, um vilão querendo destruir Batman e o outro querendo destruir Bruce Wayne, sem nem saberem que são a mesma pessoa.

De um lado temos os vilões pressionando os dois lados do herói, e do outro, o interesse romântico de Batman também age da mesma forma. Drª.Chase Meridian logo demonstra um interesse por Batman, chegando a se apaixonar, mesmo sem saber muito sobre ele. Simultaneamente, ela é assediada por Bruce Wayne que se apaixona também, mas quer ficar com ela como Bruce e não Batman, sem poder contar a ela que um, na verdade, é o outro. Essa interação entre os dois personagens é um dos destaques do filme. Drª. Chase Meridian é interpretada por Nicole Kidman, que dá um charme todo especial para o filme fazendo um ótimo par com Val Kilmer. Nicole foi com certeza umas das melhores parceiras de Batman, perdendo somente para a inesquecível Mulher-Gato de Michelle Pfeifer. Outro personagem interessante que surge nesse contexto é o próprio Dick Grayson/Robin. Aqui ele não compromete tanto a imagem de Batman (como houve na série de TV dos anos 60 e no filme posterior Batman & Robin), já que a presença dele é mais um estopim para Batman colocar em xeque sua identidade. Dick Grayson também tem os pais mortos por um maníaco (Duas Caras) e passa a querer se vingar. Bruce através de Dick passa a rever toda a mesma situação que sofreu no passado, e essa vontade de vingança de Dick faz com que Bruce questione até o senso de justiça que tem, fazendo o personagem se pôr a prova mais uma vez. E assim a história reage com todos esses personagens postos ali em função de Bruce Wayne/Batman e não o inverso.

Visualmente, aqui ainda se tenta manter o visual dark dos anteriores, mas o diretor Joel resolveu colocar cores em muitos cenários, tentando lembrar mais as HQs e a série de TV do herói na década de 60. Mesmo que essas cores não combinem tanto com o dark, não chegam a incomodar tanto quanto no filme seguinte (Batman & Robin). O visual do filme ainda é agradável de ver apesar de certos exageros. E por parte do elenco, todos estão muito bem. Até Tommy Lee Jones que muitos acusam de ter errado o tom do Duas Caras, já que seu personagem perde a densidade, caindo muitas vezes no erro de ser palhaço demais, mas em nenhum momento, Batman Eternamente tenta ser maior do que é: um “filme-pipoca” mesmo, sem maiores pretensões. Então, dentro desse contexto o personagem Duas Caras, e conseqüentemente assim o ator Tommy Lee Jones, funcionaram muito bem, como o restante do elenco.

Finalizando: Longe de ser um grande filme, Batman Eternamente é eficiente no que se propõe. História centrada no herói, elenco competente e charmoso, visual agradável. Joel Schumacher nessa sua primeira empreitada na franquia consegue agradar (a mim, pelo menos). Pena que ele resolveu fazer outro filme do herói, cujo resultado desastroso, de certa forma, acabou manchado o que ele tinha montado aqui…

2/4

Jailton Rocha

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