Nas Garras do Vício (Le Beau Serge – Claude Chabrol, 1958)

Se em diversos filmes de Claude Chabrol o mistério residia em algum movimento da mise en scène (um plano sequência, geralmente, que elucida mais do que vemos: um interesse oculto), em Nas Garras do Vício o mistério é o de corpo presente.

Desde o início, Chabrol estrutura o retorno à pergunta e ao desejo de se saber o que houve com Serge. Logo, temos este mistério à carne dos olhos e que, por isso mesmo, ao ser descoberto, deixa de ser um mistério maior para dar lugar à verdadeira jornada do filme: aquela que diz respeito ao personagem de Jean-Claude Brialy, François, que retorna à cidade como um estranho, como alguém que, de certo modo, jamais poderá fazer parte de todos os movimentos que não pôde captar em sua ausência. É um mundo que se fecha e que, nem com o nascimento de um filho, ao final, se resolve e se conserta.

O rosto de Serge, sendo desfocado por Chabrol, é a prova desse desajuste. Um milagre ao contrário.

4/4

Ranieri Brandão

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