Teu Vício é um Quarto Fechado e Só eu Tenho a Chave (Sergio Martino, 1972)

O Martino parece ter uma tendência irresistível e maravilhosa pra sempre torcer e anular o gênero conforme lhe der na telha. Aqui ele desmente o giallo (como já havia feito ao final de Sra. Wardh) pra se assumir como uma adaptação de Allan Poe, ter lapsos de thriller erótico/lésbico, depois se transformar num horror claustrofóbico e psicológico permeado por triângulos, quadrados e retângulos amorosos, só pra mudar de idéia outra vez e cair de cabeça numa trama esquizofrênica de conspiração. Pra se ter uma idéia ele troca de protagonista três vezes em 90 minutos, e o modo sem vergonha como usa e joga fora cada personagem é uma das manifestações mais exemplares daquele fluxo de (in)consciência incontido que dominou o jeito de filmar desses italianos. Basicamente tem dois tipos de personagens no filme: os que entram pra morrer e os que entram pra trepar. Apesar de que os que entram pra trepar acabam morrendo também então eu sei lá, enfim.

O mais podre, demente, errado e pervertido dos giallos. Ou seja, é obra-prima.

4/4

Luis Henrique Boaventura

11 Comments

Filed under Comentários

11 Responses to Teu Vício é um Quarto Fechado e Só eu Tenho a Chave (Sergio Martino, 1972)

  1. “Basicamente tem dois tipos de personagens no filme: os que entram pra morrer e os que entram pra trepar. Apesar de que os que entram pra trepar acabam morrendo também então eu sei lá, enfim”.

    Haha, ótimo. Vou procurar este.

  2. Os que entram pra trepar sobrevivem no final ? Ou também morrem rsrsrs ?

  3. Nah, eles morrem todos memso, hahuahua

    Mas é que uns entram só pra morrer, passando pelo filme sem trepar. O destino desses é bem pior, portanto, hahaha

  4. Tenho pena das pobres almas que saem sem nem dar uminha rsrsrs.

    Cara os italianos (e os tradutores) deveriam ganhar premios pela criatividade bizarra na hora de batizar seus filmes. Até mesmo os mais conceituados junto ao público em geral, como o tio Argento tem filmes com títulos bem “exóticos” … Quatro Moscas no Veludo Cinza, ou o “feito para fantasia luxo masculino do Clóvis Bornay” O Pássaro das Plumas de Cristal rsrsrs … sensacional !

  5. haha, melhor de todos é o original italiano “Não se Tortura um Patinho”, do Fulci, que aqui veio a se chamar O Segredo do Bosque dos Sonhos, mais carnavalesco impossível também hehe

  6. Nome de ala da escola de samba rsrsr

  7. Mto foda esse filme.
    Mas Giallo mais sadico/pevertido vai pra Opera. Argento nem precisa mostrar nada obvio, apenas nos deixa o seu sadismo visual.

  8. Tenho que concordar com o Kevin. Não foram seis ou sete as vezes em que parei pra rever as cenas de assassinato de Opera. Aquilo é o registro íntegro do sadismo.

  9. Gosto de Ópera – não tanto quanto vocês -, mas no caso não tem muito a ver, o sadismo no filme do Argento é tratado como religião, louvado em tom de tributo. Em Teu Vício etc ele só corre solto por aí, não é reverenciado diretamente.

  10. Ainda não conheço “este” Martino. Do que conheço as minhas preferências vão para o “Mannaja”.