


O Martino parece ter uma tendência irresistível e maravilhosa pra sempre torcer e anular o gênero conforme lhe der na telha. Aqui ele desmente o giallo (como já havia feito ao final de Sra. Wardh) pra se assumir como uma adaptação de Allan Poe, ter lapsos de thriller erótico/lésbico, depois se transformar num horror claustrofóbico e psicológico permeado por triângulos, quadrados e retângulos amorosos, só pra mudar de idéia outra vez e cair de cabeça numa trama esquizofrênica de conspiração. Pra se ter uma idéia ele troca de protagonista três vezes em 90 minutos, e o modo sem vergonha como usa e joga fora cada personagem é uma das manifestações mais exemplares daquele fluxo de (in)consciência incontido que dominou o jeito de filmar desses italianos. Basicamente tem dois tipos de personagens no filme: os que entram pra morrer e os que entram pra trepar. Apesar de que os que entram pra trepar acabam morrendo também então eu sei lá, enfim.
O mais podre, demente, errado e pervertido dos giallos. Ou seja, é obra-prima.
4/4
Luis Henrique Boaventura
11 Responses to Teu Vício é um Quarto Fechado e Só eu Tenho a Chave (Sergio Martino, 1972)