

Não pensei que fosse encontrar de novo uma cumplicidade tão perfeita entre ator e diretor quanto em Le Samouraï, do Melville. E tomei no cu, óbvio. Culpa, mais uma vez (e não por acaso), de Alain Delon, o maior de todos. Zurlini filma de dentro e para dentro do francês, que É o filme. Cada sombra e variação de luz e partícula de neblina ao longo de A Primeira Noite de Tranquilidade é parte de um só organismo, composto por Dominici e o mundo que o rodeia. Antes de entrarem em contato com a lente de Zurlini, os ambientes são absorvidos por Delon, que lhes confere dor, lamento e cores mortas antes de devolvê-los destruídos à câmera, que se move sempre quieta e receosa, como se se movesse em torno de um leito de morte.
4/4
Luis Henrique Boaventura
Screenshots!





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5 Responses to A Primeira Noite de Tranquilidade (La Prima Notte di Quiete – Valerio Zurlini, 1972)