Blade Runner (Ridley Scott, 1982)

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Ridley Scott tece aqui um sombrio conto onde não é possível distinguir quem é humano e quem é máquina, pelo menos num primeiro momento. Dessa premissa anacrônica, Blade Runner lança a questão existencial na qual o ser humano leva a pensar se ele é o que é mesmo ou se é outra coisa. Alguns já disseram que Matrix é melhor que este aqui, o que discordo veementemente. Além de serem dois filmes completamente distintos, Matrix discute a relação do indivíduo com o meio. Mas o indivíduo ali tem plena certeza do que ele é. Em Blade Runner essa certeza não existe. As lembranças, as experiências, as emoções e o intelecto, a própria ALMA podem ser implantes feitos na sua cachola, mas pertencem a outro.

Ao colocar máquinas lutando pela sua sobrevivência, tentando evitar a morte a qualquer custo (mesmo que precisem tirar outras vidas no processo), Scott se lança em terreno ousado que nunca mais trilhou no resto de sua filmografia, ao retratar um mundo na qual andróides são mais humanos que os próprios humanos, desumanizados em uma sociedade corrupta, sombria, decadente, em referência clara a 2001, de Kubrick. E ao fazer isso Scott dá uma lição de valor à vida como o melhor cinema de ficção deve mostrar.

A versão final é tão somente a versão internacional + a versão do diretor com algumas melhoras aqui e ali. Para quem conheceu Blade Runner somente pela versão de cinema ou a versão do diretor e não gostou, vale dar uma conferida nesta versão definitiva (que agora sim está redondinha).

4/4

Daniel Costa

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One Response to Blade Runner (Ridley Scott, 1982)

  1. Ótimo filme, mas não é uma obra-prima como 2001: Uma Odisséia no Espaço é, por exemplo. Muitas pessoas falam que a melhor ficção c. desde 2001 e tals… n chega a esse ponto.