Ruas de Fogo (Walter Hill, 1984)

Ruas de Fogo segue a mesma linha de outro filme de sucesso do diretor Walter Hill: Guerreiros da Noite (The Warriors de 1979), ou seja, mais uma vez vamos ver uma cidade sobre o domínio de gangues. E aqui tudo começa quando, durante um show, uma cantora é seqüestrada por uma dessas gangues. A polícia acaba não fazendo nada já que se sente incompetente para tomar qualquer atitude. Nisso, aparece um ex-namorado dessa cantora na cidade, que depois de um tempo resolve resgatá-la com a ajuda de uma mulher e do atual namorado dela. A história é simples assim mesmo, sem maiores reviravoltas ou revelações. Uma Sessão da Tarde, sem mais nem menos.

Sobre o elenco: O casal principal não está muito bem. Diane Lane é linda demais, mas peca nas cenas onde tem que cantar, já que ela é dublada nessas cenas. Má escolha da direção, que poderia ter colocado uma atriz que realmente cante. Já Michael Paré tem cara de galã da Malhação, mas tem pose de “durão”, lembrando machões de filmes de ação da época como Sylvester Stallone ou o Arnold Schwarzenegger. Sim, ele é meio estranho e ela não canta, mas são fotogênicos. Já em contra partida, o elenco de apoio está muito bem, obrigado. William Dafoe, fazendo o vilão, Amy Madigan, fazendo a mulher que ajuda Paré, e Rick Moranis, fazendo papel de atual namorado da Diane Lane.

Filme é mais interessante no conceito do que na realização. ”Uma fábula rock’n roll” (como diz a capa de DVD), ou seja, uma história simples recheada com uma trilha pop-rock-anos 80. E a trilha realmente se destaca com essas músicas datadas, mas bem legais. O visual é interessante também, lembrando a década de 50, mas sem se especificar em que época acontece (“algum lugar em algum tempo” como aparece no começo). O resultado é esse: Tudo é anos 50 (visual) misturado com anos 80 (trilha) e essa mistura inusitada acaba sendo o maior charme desse filme que, mesmo sem empolgar muito, não desagrada, e é mais recomendado para quem curte o cinema da década de 80.

2/4

Jailton Rocha

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One Response to Ruas de Fogo (Walter Hill, 1984)

  1. E como cinema dos anos 80 é meu dogma particular, curto muito. Na verdade, Ruas de Fogo trás nostalgia, mais do que competência. Só discordo em relação a Diane Lane: o maior pecado para mim é mesmo a interpretação sem profundidade – culpa do roteiro que não deixa o personagem ser maior do que um simples objeto de busca e desejo? Não acho que ela precise cantar ou saber cantar: seria um pecado não termos as músicas do Fire inc. que são, no fim, o ponto alto do filme, junto com a ambientação.
    Grande abraço