


Diferentemente do Vício Frenético (Bad Lieutenant) de Abel Ferrara, que foca na jornada autodestrutiva de um policial viciado em cocaína, jogos, e com sérios problemas morais, Werner Herzog pega esse ponto de partida da obra-prima de Ferrara e pira o cabeção completamente apresentando praticamente a antítese do apresentado pelo ítalo-americano mais podre de NY. Aqui o “alemão” nos apresenta ao policial com vícios similares aos do anterior, mas com conseqüências diferentes, Herzog aposta muito mais na caricatura e na sátira que na crítica, se utilizando de uma fábula fake das conseqüências do acumulo de erros sucessivos que um profissional pode cometer. Enquanto que o policial deve proteger e servir à sociedade, o policial interpretado por Nick Cage (brilhante e esquecido no Oscar e outras tantas premiações) está preocupado apenas consigo, como pagar suas apostas em jogos e como poder cheirar sossegado, utilizando até o seu status de policial para chegar mais facilmente ao pó. É tragicômico observar ele cada vez mais imerso em seus vícios e problemas ao passo que não faz nada para resolvê-los e nem parece estar arrependido, e, mesmo assim, de certa forma, crescendo na vida e resolvendo seus casos. Herzog mostra mais uma vez o quanto surtado é, indo totalmente contra a maré do bom samaritano que assalta a sociedade num misto de desespero e hipocrisia, enquanto que os outros filmam drogados tendo seu braço amputado soando propaganda de verso de carteira de cigarro, Herzog se utiliza da magia do cinema pra fazer o que der na telha, com iguanas + blues e tudo o mais que a gente gosta.
3/4
6 Responses to Vício Frenético (The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans – Werner Herzog, 2009)