


Bah, eu tava precisando mesmo dessa revisada. Caramba, é muito alto nível isso. A forma que ele filme L.A, mostrando aquele mar de luzes, poetizando a cidade através do reflexo, dos sinais, da própria arquitetura. Isso é saber usar o ambiente. Cara, é cada enquadramento, como, por exemplo, quando aquele corpo cai no carro, ou até quando ele fica de mãos atadas buzinando por ajuda. E essa cena aí do cantor de Jazz, essa quebra de expectativas, repentinamente, de um momento relaxado, praquela mudança de expressão, de terror. E o personagem do Cruise é dos mais fodas de sempre, né? Não existe explicação, ele pode ser simplesmente mau, em essência, não tem como saber, não tem como deduzir muito, é tudo muito pouco sugestionado sobre ele, como se tivesse um barreira. Mas existe algo ali, meio que impede de odiar completamente, como uma interrogação, um certo código de honra, como quando na hora em que simplesmente perde o duelo de tiros, e senta no banco. Ele perdeu e agora vai simplesmente morrer ali, nada pessoal, sem ressentimentos. Quando ele fala pra mãe do Foxx que são amigos, da pra sentir uma certa sinceridade ali. Não tem como odiar completamente, e até da pra ter um misto de admiração com qualquer outra coisa (ou uma palavra semelhante a essa). E fora a fodisse dele, entrando naquela festa, aquela imponência, aparentemente invencível, violento, focado. É incrível como mesmo nessa frieza toda, ele consegue ainda exalar um sentimento misterioso, que vai contra a natureza explicita dele. E ainda foi esnobado, a atuação do cara ta entre as melhores da década.
4/4
Thiago Duarte
8 Responses to Colateral (Collateral – Michael Mann, 2004)