Moscou (Eduardo Coutinho, 2009)

É possível que se leia em algum lugar que o novo filme de Eduardo Coutinho é sobre o teatro, ou sobre os ensaios do Grupo Galpão para uma peça – nunca encenada por eles – de Tchekhov, ou sobre o modo de criação. Moscou não é sobre nada disso, nem somente é filme simplesmente sobre a metalinguagem; Moscou é um filme sobre o impossível. Tudo que não é visto, não feito, não pronto. Para todo produto, nós saímos obrigatoriamente do zero para chegar a um ponto total, seja 10, 100 ou 3.79. Todo o espaço entre zero e o total é o espaço indefinível, que não é produto, só processo, só coisa alguma mas ainda assim tudo ao mesmo tempo. Isso é Moscou, o lugar entre lá e cá, Céu e Inferno, vida e morte; Moscou é um purgatório.

Em determinado momento, um dos atores diz para outra atriz/personagem que “você nunca voltará a Moscou”, uma dessas afirmações que de tão drásticas e improváveis acabam ganhando um tom de verdade absoluta, mesmo que seja complexo demais afirmar essa impossíbilidade. Mas o filme de Coutinho é sobre esse impossível, sobre a Moscou que ninguém ali nunca mais vai ver.

3/4

Thiago Macêdo Correia

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