Sinais (Signs – M. Night Shyamalan, 2002)

Um cara que consegue se aproveitar de uma invasão alienígena para fazer um filme sobre a manifestação da fé, sobre a constatação de que há algo por trás disso tudo, tem que ser, ao menos, levado em consideração, com alguma atenção. Hoje, é meu filme preferido do Shy. Mas, estranhamente, sempre fico com essa sensação, ao rever qualquer um de seus filmes (excluindo aí, A Vila e A Dama Na Água). Aquela constatação final, do personagem do Gibson, assim como sua conversa com o irmão, na metade do filme (“estamos sozinhos”), enchem meus olhos de lágrimas e arrepiam os pêlos dos meus braços, sensação genuína e cada vez mais escassa na contemplação do que quer que seja. O que surpreende são aqueles que preferem se preocupar com o aspecto do E.T digital, ou na inteligência do bicho, em invadir um planeta cheio de água (pelos motivos que os que já viram o filme sabem bem porque). Esse sim é do tempo em que o Shyamalan não era superestimado à toa.

Não que eu considere Fim Dos Tempos ruim, muito longe disso, o considero um dos melhores dele, Fim dos Tempos é uma retomada, porque para mim a carreira do Shy chegou a seu ápice com Sinais, aí ele enlouqueceu com as três primeiras obras, todas primas (dane-se, para mim os três primeiros são obras-primas) e fez dois filmes para mostrar aos outros o quanto ele era foda, da forma mais forçada possível, e sem obter sucesso na tentativa, claro. Só então caiu na real, e saiu Fim dos Tempos, sua quarta obra-prima. E que venham mais duas, até ele pirar novamente.

4/4

Rodrigo Jordão

ou: Sinais (M. Night Shyamalan, 2002) – Luis Henrique Boaventura – 4/4

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