Sex and the City (Michael Patrick King, 2008)

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Sex and the City, a série, foi uma das mais interessantes obras vinculadas na televisão em muitos anos. Acompanhando a rotina de vida de 4 mulheres de Manhattan, em seu mundo de luxo, futilidades e preocupações sentimentais (sexo, sexo, sexo!!!), a série se revelou um bom estudo do comportamento feminino universal, mesmo que ali estivessem retratadas mulheres de alto poder aquisitivo e um meio tão superficial. O caso é que o texto delicioso espantava qualquer vestígio de obviedade e capacitava os dramas ao alcance de qualquer “leitor” mais atencioso. Além da ousadia impar – até então – na abordagem da liberdade sexual em um meio de comunicação tão amplo (ainda que Sex and the City passasse na HBO, a quantidade de pessoas que alcançava era gigantesca), com mulheres de 30 anos se portando como homens e libertando de amarras para discutir – e fazer – (MUITO) sexo na busca de suas definições pessoais. No final das contas, Sex and the City, a série, não tem muitos poréns, foi de execução primorosa. Já Sex and the City, o filme, tem lá suas muitas cotas de erros. Em primeiro lugar, a obviedade de parecer um episódio estendido, ou 5 episódios unidos, já que o filme tem inacreditáveis duas horas e meia de duração. Na primeira meia hora ele se basta em “explicar” um pouco a série para quem não acompanhava (outra obviedade) e se limita aos preparativos do mais comum dos eventos em qualquer comédia romântica que se preza: o casamento. E aqui está uma absurda obviedade ao se considerar fazer o filme, a vontade de ganhar dinheiro. E desenvolver o filme como uma comédiazinha qualquer auxiliaria em um alcance maior de público, os mais conservadores poderiam não se chocar tanto. Por sorte, uma “reviravolta” (oh) muda os rumos do filme que aos poucos vai ganhando os contornos conhecidos de maior acidez nos conflitos e os personagens se tornam mais interessantes para o público (quem que viu a série vai compreender a Carrie querendo se casar?). E aparece, finalmente, o sexo, personagem importante na série, mas mero coadjuvante errôneo no filme. Como outros vários coadjuvantes, como Jennifer Hudson, com funcionalidade óbvia e descartável.

Mesmo que em alguns momentos role uma boa inspiração no texto, como em citações críticas da inflação (através do aumento do custo dos clássicos Manolos), de referências boas à série ou em várias “piadinhas” internas (a homossexualidade de Cynthia Nixon), o geral é bastante razoável, ficando muito aquém da qualidade indubitável do texto da série. Sorte as quatros atrizes estarem tão bem em seus papéis (destaque para Kristin Davis, a de menor brilho, tanto na série quanto no filme, mas dona da cena mais forte do filme) e conhecerem seus personagens como cada um de seus sapatos de 525 dólares. Sorte mesmo foi a palavra determinante para avaliar Sex and the City, o filme, positivamente, mesmo depois de tantos pontos contra. Afinal, houve um dia uma série brilhante.

2/4

Thiago Macêdo Correia

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