Rebecca (Alfred Hitchcock, 1940)

Um dos mais populares filmes de Alfred Hitchcock é este Rebecca, tanto por representar o único Oscar de melhor filme recebido pelo gorducho mais popular da velha Hollywood quanto por ser o primeiro de seus trabalhos financiado por um estúdio norte-americano. Mas não vejo outros motivos para que tenha se transformado em ícone cinematográfico que não sejam ligados a este grupo de conquistas extra-filme. Embora passe muito longe de figurar entre seus piores filmes, como Suspeita e Cortina Rasgada, Rebecca vale nitidamente mais por ser o primeiro veículo do diretor dentro da grande indústria de cinema, já que como filme consegue desperdiçar boa parte dos atrativos apresentados pelo excesso de carga amarrada às costa do desenvolvimento do mistério.

O principal motivo para tanto parece ser bem simples, já que não existe filme no mundo produzido por David O. Selznick, o grande símbolo dos estúdios cinematográficos do período de maior respeito da indústria, que não tenha sofrido intervenções particulares do produtor. Rebecca é vendido como um grande show-room das principais características do cinema de Hitchcock, e embora comprado por muito mais, justifica-se exatamente dessa forma. É uma extensa vitrine de obsessões e características do diretor, moldada do jeitinho que o chefe gosta, quase como um cartão de entrada no qual estão inscritas as mais importantes feições que o suspense iria revelar em Hollywood nos anos seguintes, através das inovações técnicas e narrativas do primeiro especialista do gênero.

Embora seja sedutor saber de um filme que catalisa a essência de Hitchcock em uma estória só, o conceito acaba revelando também a fragilidade que o cinema de superfície apresenta quando feito de forma superficial. São mais de duas horas de esquetes que tentam trabalhar sob o mesmo discurso – é um filme sobre o passado-, mas que passam longe de vitaminar uma construção de continuidade, transmitindo uma sensação de inconstância narrativa e contando com momentos mais longos do que o ideal e outros que poderiam ter sido inflados sem que se perdesse fluência. Mas nem isso é suficiente pra fazer de Rebecca um filme ruim, o próprio universo gótico em que se insere permite a Hitchcock filmar alguns momentos muito interessantes, além de inaugurar um conceito fantástico de filme ligado a uma imagem que nunca existiu.

2/4

Daniel Dalpizzolo

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3 Responses to Rebecca (Alfred Hitchcock, 1940)

  1. Sou um enorme fã do Hitchcock, mas ainda não assisti a Rebeca.. acho difícil qq filme dele ser inferior a média, portanto vou conferir logo este..

    p.s: Janela Indiscreta eh sem dúvidas um dos melhores filmes q jah assisti.. uma grande obra-prima como várias outras deste mestre..

    vlws

  2. Daniel Dalpizzolo

    Janela Indiscreta é o grande filme do Hitchcock sim, sem dúvidas.

  3. Rebecca sem dúvida alguma está no meu top 3 Hitchcock.