Watchmen (Zack Snyder, 2009)

Pois é, a comic book que a maioria dos fãs fervorosos (e, na maioria das vezes, cegos e intransigentes) dizia que era impossível de se adaptar ao cinema (apesar de sempre achá-la perfeitamente adaptável), foi finalmente mostrada ao mundo. O resultado: bom, ás vezes muito bom.

É bem verdade que Zack Snyder ainda mantém aquele deslumbramento tecnológico, a tendência em injetar câmeras lentas desnecessárias e cenários artificiais demais (em proporções menores do que em 300, contudo). Além disso, a decisão de incluir na trilha sonora músicas da década de 70/80 (afinal de contas, o filme se passa nessa época) foi falha em alguns momentos, por escolha inadequada das músicas.

Em compensação, ao contrário de alguns diretores contemporâneos, que adotaram o estilo Michael Bay de cenas de ação, Zack Snyder acompanha as cenas de ação com uam câmera limpa, livre de tremedeiras, permitindo que acompanhemos todos os movimentos dos personagens com clareza. O filme é sustentado ainda por um bom elenco, com destaque para Jackie Earle Haley, que dá uma aparência ameaçadora ao Roscharch (especialmente quando está sem a máscara). Essa pode ser considerada a adaptação mais fiel a obra original dos últimos tempos, o que é um bom motivo para acalmar os fãs. Todos os elementos e as falas de todos os personagens estão ali, sem tirar nem por nada.

Deve-se louvar a coragem do diretor, de encarar esse projeto que provocaria a ira dos fãs caso não fosse do agrado deles. Felizmente, Watchmen se sai bem, apesar das pequenas ressalvas. Não é a melhor filme baseado em uma HQ, mas, com certeza, é um dos mais fiéis.

3/4

Adney Silva

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