


Não bastasse construir No vale das sombras sobre um episódio de gênero apático e quase sem nenhum arroubo, Paul Haggis continua tingindo seus filmes com uma irritante importância, quando na verdade insiste na defesa de uma visão simplória de seus temas. E repleto da sua visão deturpada e preconceituosa de mundo.
Primeiro que, no fim das contas, o conteúdo anti-bush é uma atualização antibelicista que não traz frescor algum ao caminho de gênero que argumenta em cima dos bons meninos que, enclausurados num recorte de mundo completamente fucked-up, sofrem uma degradação psíquica tragicamente irreversível. Por isso o viés genérico ser desanimador, pois Haggis acaba descartando boa parte do impacto de tentar soar contemporâneo.
Segundo que boa parte da responsabilidade pela ruína de No vale das sombras é a maneira como Paul Haggis mantém a preconização de valores preconceituosos, tal como toda e qualquer gangue de traficantes ser composta única e exclusivamente por mexicanos. E o centro do mundo é estadunidense, pois Haggis só consegue enxergar um homem de El Salvador não sabendo como posicionar a bandeira dos Estados Unidos, assim como a detetive que busca a igualdade mas não dá atenção a um caso dito menor.
Mas o mais importante e alarmante de tudo é como Haggis consegue casar a discriminação e o simplismo de idéias: a guerra do Iraque é rigorosamente reprovável e abominável justamente por cercear o futuro dos jovens e ocasionar um desastre social nos EUA. A destruição de um outro país – em qualquer dimensão imaginável – por meio de uma ação irracional e alheia ao bom senso não é levada em consideração nunca.
Pavoroso.
0/4
Vinícius Laurindo
One Response to No Vale das Sombras (Paul Haggis, 2007)