Christine (John Carpenter, 1983)

Esse não via desde os tempos de Cinema em Casa. Que eu me lembre, foi meu primeiro contato com o cinema do Carpenter, embora na época eu nem fizesse idéia de quem ele era e fosse demorar ainda uns bons anos para descobrir, haha.

Interessante ver a junção dos temas característicos tanto do King (o nerd que se vinga, as cidadezinhas que parecem soltas no tempo, colégios) quanto do Carpenter com seu cinema quase sempre de forças do mal sem explicação, motivo e até mesmo qualquer vestígio de propósito (Halloween sendo o mais emblemático disso; aqui ainda há a história do carro matar para proteger/agradar o dono, mas tirando isso etc.) e tipos de alguma forma excluídos socialmente – o mais legal é como o Carpenter reforça essa última característica chutando um clichê bem típico do tipo de situação com que ele lida: deixar de ser excluído não representa nenhuma espécie de superação no cinema do Carpenter, ao contrário: basta isso e o Arnie troca de lado, virando meio que vilão – e a maneira como é levada a transformação dele é bem forte e até trágica, do nerdão bobo do começo pro cara enlouquecido na última cena dele com o Dennis, na estrada; enquanto o atleta-popular-e-com-jeito-para-garotas se estoura inteiro, perde a capacidade de jogar e só então se torna, pro Carpenter, digno de ser o herói autêntico do filme.

Tem aquelas grandes sacadas costumeiras aqui e ali (tipo o carro falar através das músicas) e é bem filmado demais, putz: botar tensão numa mera briga colegial como aquela do começo quando roubam o lanche do Arnie não é coisa que qualquer zé mané faça. Além de mais umas toneladas de cenas geniais, Christine em chamas perseguindo o Buddy, depois chegando na garagem toda zoada e ainda matando o velho lá; o clímax, com o trator esmagando o carro  ; os faróis acendendo no escuro; e, claro, Christine se consertando sozinha, cena absolutamente fantástica, icônica, melhor do filme, etc.

4/4

Robson Galluci

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2 Responses to Christine (John Carpenter, 1983)

  1. Rodrigo Enxak

    Adoro Christine (aliás, é o cabeçalho mais foda do Multiplot! até agora), e Carpenter é meu 3º diretor favorito do mundo!

  2. Filme é fodão. Assistí no ano passado no Cinema em Casa. Ótimo mesmo… Muitas cenas antológicas e geniais.
    Boa resenha.