Cama de Gato (Alexandre Stockler, 2002)

Cara, é interessante a capacidade de algumas pessoas em estragar uma idéia que poderia render um filme excepcional. Os aspectos que fundamentam a estória (e que a tornam tão digna de nota) estão em um nível primário. Adolescentes de classe média dotados de um pseudo intelectualismo provavelmente adquirido através do senso crítico do Fantástico ou de professores de cursinhos pré vestibulares, a vida vazia e sem rumos dedicada à diversão sem limites, as tortuosidades da crença (acho que nessa idade começam de fato as dúvidas conceituais de forma mais independente, munidas do início de um conhecimento do método científico e investigativo, que bebe da veia do racionalismo, que normalmente se extrema e produz um grave questionamento quanto a religiosidade e a percepção do mundo), enfim, ingredientes sensacionais para uma trama qualquer.

Mas um filme não se faz só de características primárias da composição dos personagens. Eles precisam ganhar vida. E quando ocorre aqui, é um verdadeiro horror. Atuações que oscilam entre o razoável e a teatralização excessiva, situações de teor dramático absolutamente ridículas ou ridicularizadas, a falta de confiabilidade, cumplicidade mesmo entre o espectador e a estória dos rapazes.

O final não poderia ser pior, além da voz constrangedora que ressoa, é tudo incrivelmente estúpido.

De bom mesmo só ver que os jovens entrevistados no início e no fim do filme são tão estúpidos quanto o desenrolar da trama. Coerência, fraga?

1/4

Sílvio Tavares

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