


Cheap Magic Inside nem é um filme, direito. Tá mais pra uma “sacada criativa”, mesmo. Mas vamos pelo começo: Zach Condon é um rapaz de mais ou menos 22 anos que tem um projeto musical chamado Beirut. Em 2007, foi lançado “The Flying Club Cup”, segundo cd do projeto e, simultaneamente, foi lançado o DVD com esse “Cheap Magic Inside”. A grosso modo, “Cheap Magic Inside” é “The Flying Club Cup” filmado. A câmera de Vincent Moon persegue Zach Condon em imensos planos-seqüências, mostrando ele se encontrando com os demais músicos do projeto e cantando as músicas do seu mais novo album. Tocando em lugares que vão desde o jardim de um prédio até um estacionamento de caminhões de sorvete (!), Zach e os demais não têm a piedade da câmera. Tudo é filmado no seco, sem cortes e, arrisco dizer, no improviso. Acredito ter visto, no máximo, uns 5 cortes durante toda a projeção (o vídeo tem pouco mais de uma hora de duração), todos muitos sutis e aproveitando-se do ambiente (por exemplo, em um momento, a câmera entra em uma coxia de teatro e fica tudo escuro. Certamente, há um corte ali, mas, como a câmera volta a operar ainda no escuro, a sensação de imediatismo e continuidade não se perde). Compreendendo a presença realmente constante da câmera como algo positivo, a banda realmente se despe de qualquer “pudor técnico” e se permite improvisar, também. Alguns desafinam, outros intrometem-se na cantoria de Zach. Tudo é permitido para que se expresse sentimentos enquanto a música é tocada. E a câmera passeia por entre os músicos, dança e se permite alguns invencionismos, também.
Servindo ainda, como um tapa de luva nos eruditos teóricos da música (músicas como as da banda Beirut certamente pediriam ambiências mais adequadas, que dessem privilégio à acustica e mais uma meia dúzia de coisas que não entendo… mas os caras fazem questão de tocar em corredores de prédios, em escadas, ao lado de uma mesa de bilhar, no galpão onde ficam os caminhões dos sorveteiros, no parque, na rua mesmo…), “Cheap Magic Inside” é algo simples e bonito, que consegue potencializar tudo o que a música da banda de Zach Condon evoca. Entretanto, por mais que tente adotar uma roupagem “indie”, mostrando uma filmagem “granulada” e insistindo que foi tudo feito “na louca”, eles não enganam ninguém. Ao menos, aquele cinegrafista sabia muito bem o que estava fazendo.
4/4
Murilo Lopes de Oliveira
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