Halloween (John Carpenter, 1978)

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Sem nenhum especial, nem nada por trás, é uma oportunidade boa para reaver o clássico do Carpenter (que completa hoje sem muito alarde trinta anos de lançamento) e deixar um lembretinho aqui.

O mote principal do filme é o retorno de Michael Myers à sua cidade natal, para fazer um pouco de sushi com algumas ninfetinhas e otras cositas más. Ninguém sabe pra que na verdade, se é por necessidade, pra se divertir, por vingança, ou o que seja. Carpenter não faz a menor questão de explicar comos e porquês, as coisas simplesmente acontecem. Não a toa boa parte de seus filmes são inconclusivos, e ficam martelando na sua cabeça a fio depois de terminados. E assim fica suspenso, por um bom tempo – seja os acontecimentos, a atmosfera, a trilha, a história, aquela cena, dura mais do que se imagina.

Carpenter geralmente cita Leone como suas influências, e não sei ao certo, mas as vezes parece que assim como ele, faz com que a história acompanhe a trilha sonora, e não o inverso tradicional (Leone, por exemplo, tinha as trilhas prontas antes de começar a filmar). E mesmo num filme de espaços limitados como esse (uma pequena cidade e suas casas), Carpenter consegue assinar sua tendência em tornar espaços abertos claustrofóbicos, e pequenos armários espaçosos. O clima vem em primeiro lugar – e o casamento entre tudo isso afinal, acabou bem. O filme se passa no espaço de 24 horas, e a dinâmica que ele faz com esse tempo também é impressionante (até as taglines cheesy, “A Noite em que ELE voltou pra casa”, acabam ganhando um sentido bacana).

Não se pode esquecer também que Halloween revitalizou o terror de tal forma que surgiram vários filmes na sua esteira (Sexta Feira 13 e cia ltda), dando origem e enorme popularidade aos slashers, os filmes dos assassinos-com-facões-à-solta. Mesmo tendo sido influenciado por vários exemplares populares (Psicose, sendo que o nome do Dr. Sam Loomis é uma óbvia homenagem; Prelúdio Para Matar, citado por Carpenter, entre vários outros giallos), foi Halloween o ponto de virada. Mesmo parecendo não só mais um no subgênero, especialmente pensando no que se tem de autoral, do espírito que ele consegue dirigir para essa visita do Mal a uma pacata cidade na noite de 31/10.

4/4

Pedro Kerr

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2 Responses to Halloween (John Carpenter, 1978)

  1. samdrade

    eu não me perdoo por nunca ter assistido este…D

  2. Seu Nerson

    Eu não me perdôo por ter visto Halloween 2 do Zombie…

    Estou traumatizado com aquela porcaria até hoje.