Década de 50 (Especial James Dean)

Ao som do rock and roll, a nova música que surgia nos 50, a juventude norte-americana buscava sua própria moda. Assim, apareceu a moda colegial, que teve origem no sportswear. As moças agora usavam, além das saias rodadas, calças cigarrete até os tornozelos, sapatos baixos, suéter e jeans.

O cinema lançou a moda do garoto rebelde, simbolizada por James Dean, no filme “Juventude Transviada” (1955), que usava blusão de couro e jeans. Marlon Brando também sugeria um visual displicente no filme “Um Bonde Chamado Desejo” (1951), transformando a camiseta branca em um símbolo da juventude.

Já na Inglaterra, alguns londrinos voltaram a usar o estilo eduardiano, mas com um componente mais agressivo, com longos jaquetões de veludo, coloridos e vistosos, além de um topete enrolado. Eram os “teddy-boys”.

Ao final dos anos 50, a confecção se apresentava como a grande oportunidade de democratização da moda, que começou a fazer parte da vida cotidiana. Nesse cenário, começava a se formar um mercado com um grande potencial, o da moda jovem, que se tornaria o grande filão dos anos 60. No Brasil, desfilavam os playboys de Copacabana em seus Cadilacs e cabelos penteados com o dedo ao estilo de Elvis. Sapatos brancos mocassim, calça rancheira e camisa Ban-Lan. A juventude rebelde andava de “Lambreta” e mascavam chicletes. Os homens usavam “Ray Ban” e as mulheres, lenço no pescoço. Com a explosão feminista, Marilyn Monroe era símbolo sexual no Brasil e Marta Rocha, que perdeu o titulo de Miss Universo pelas duas polegadas a mais de quadril, passa a ser o ícone de beleza brasileira. Na moda praia, as extensas roupas de banho femininas perderam espaço para o ousado maiô, que mostrava as coxas e os ombros.

Os Anos Dourados (assim chamado pelo crescimento industrial e econômico pós-guerra) também marcaram o Brasil pelo surgimento do Rock. “A musica de quem quer matar o pai” – como diziam os jovens – era repudiada pelos conservadores, que considerava o estilo de vida uma decadência e uma loucura. As músicas eram importadas dos Estados Unidos, assim como o jeito de se vestir dos “rebeldes sem causa”. Percebendo o sucesso do Rock`n Roll, as gravadoras começaram a procurar “homens de família” e “meninas de bem” para formar um grupo de rock. Formado pelos jovens China, Alênio Trindade, Tim Maia, Erasmo Carlos e Roberto Carlos, a “Turma do Matoso” foi uma das primeiras bandas de rock brasileiro. Cely Campelo era ‘ídolo dos adolescentes que lutavam contra a repressão sexual e pela liberdade de expressão. Seus rits foram: Estúpido Cupido, Banho de Lua e Broto Legal.

A Geração Coca-Cola, bombardeada com o crescimento econômico e com incentivo governamental de importação, viveu um consumismo extremado e uma rebeldia quase copiada. O “American Way of Life”, ao mesmo tempo em que deu ao jovem brasileiro da classe média uma sensação de liberdade e prazer, trouxe uma desigualdade social muito grande pelo monopólio industrial `as famílias de classes mais baixas.

O Selvagem (Laslo Benedek, 1953)

As gangues de motocicletas, hoje encaradas com total normalidade, já foram causa de dores de cabeça para as autoridades e até mesmo de medo para a população média nos EUA. Acostumado a uma vida pacata, baseada na boa e velha moral cristã, o povo via com maus olhos aqueles estranhos jovens que, montados em motos, viajavam por aí sem rumo, com o vento a estapear-lhes a face. Entretanto, para muitos jovens da recém-nascida década de 50, ter toda essa liberdade deve ter sido um sonho. Andar de motocicleta, beber, brigar, cuspir em cima da lei… enfim, ser um REBELDE (com todas as letras maiúsculas e, talvez, até separadas entre si por hífen) era o sinal de um novo estilo de vida. Um estilo pouquíssimo preocupado com o ideal de vida norte-americano (ou brasileiro, japonês, russo, uzbequistanês – será que é assim que escreve? – ou seja, até da putaquepariu) e aberto para uma nova era, que despertava com o estridente choro do também recém-nascido rock n’ roll.

Nesta sua quinta aparição na tela grande, Marlon Brando é Johnny. Bem, na verdade, seu nome é John Strabler, mas isso pouca importa, afinal de contas, ele é legal demais para um nome como esse. And he’s bad to the bones, baby! Líder de uma gangue de motociclistas chamada Black Rebel Motorcycle Club, Johnny viaja por aí, como tantos outros motociclistas, em busca de diversão, seja ela em forma de festas, garotas ou uma boa briga, mesmo. Após criar um tumulto durante uma corrida de motos na pequena cidade de Carbonville, onde roubam o troféu do vice-campeão da corrida, Johnny e seus companheiros entram em outra pequena cidade e dirigem-se até o bar local. As pessoas da pacata localidade estranham o bando de jovens alucinados e barulhentos que acaba de chegar, mas tentam ser o mais hospitaleiros possível, afinal, os rapazes podem garantir muito lucro ao bar, com toda a cerveja que certamente irão beber. Entretanto, antes de entrarem no bar, provocam um acidente entre um deles e o carro de um velho senhor. Machucado no tornozelo, o motociclista é levado ao médico, o que leva Johnny a decidir ficar na cidade, enquanto o companheiro se recupera.

Porém, o que os demais motoqueiros vão descobrindo aos poucos, é que Johnny tem outro motivo para querer ficar. A bela atendente do café (e filha do policial responsável pela cidade) chamou a atenção do líder do bando. Enquanto sente-se atraído pela moça que não parece se interessar nem um pouco pela vida desregrada dele, Johnny ainda precisa lidar com o pai da garota, que tenta resolver tudo na conversa, mesmo sabendo que o bando de Johnny não pode ser boa coisa, com o seu bando e com um bando rival que aparece na cidade. Claramente desnorteado pelas novidades que o cercam, Johnny passa a questionar o tipo de vida que leva.

Apesar de toda a aura cult que esse filme recebeu nas últimas décadas, é importante salientar que em momento algum Laslo Benedek exalta a vida que Johnny e seus amigos levam. Mesmo que não os critique de forma aberta, o roteiro de John Paxton, por vezes, até trata os terríveis motoqueiros como quem trata de crianças que ainda não perceberam que suas infâncias já se passaram. Johnny e os demais, portanto, são encarados como um produto de uma época instável e de transição. Se, na época, era difícil classificar tais motoqueiros como um “câncer da sociedade”, eram ainda menores os motivos para classificá-los como “bons”. Por isso, ao invés de crucificar os jovens rebeldes da época, o filme prefere fazer uma crítica ácida à uma sociedade que não conseguia lidar com o problema de frente. E o personagem que melhor representa essa sociedade é justamente o policial pai de Kathie. Claramente amedrontado pelo que os motoqueiros poderiam vir a fazer em sua cidade, ele nunca toma uma postura diante dos eventos que acontecem na cidade. E é essa sua atitude irresponsável que acaba por permitir que os eventos culminem de forma trágica, como os letreiros iniciais do filme anunciam. Por outro lado, os demais moradores da cidade também não parecem compreender o tamanho da situação e, desde o primeiro momento, clamam pela prisão dos motoqueiros, como se estes fossem a encarnação do crime. Compreendendo a fraqueza dessa sociedade, o filme nos permite passear entre esses questionamentos e a confusão que se passa dentro de Johnny.

Confrontado de forma incisiva por uma realidade que ele sempre negou, o rapaz se vê tentado a deixar de ser o que é por uma vida mais tranqüila. É muito interessante perceber como ele é completamente evasivo quando Kathie tenta questionar a vida que ele leva. Mais interessante ainda é perceber como doeu nele o impacto das palavras de Kathie, quando esta descreve um passeio de motocicleta. Basicamente, a moça diz que, ao andar de moto e sentir o vento em seu rosto, por um momento ela esqueceu o medo que sentia. E isso a fez perceber o porquê de Johnny viajar de motocicleta sem rumo. Mesmo que ele jamais chegue a admitir isso, é, realmente, de se considerar se Johnny não estaria meramente fugindo, com medo, de uma vida que ele julga pesada demais para si. O grande momento do filme é este: é o momento em que Marlon Brando, com sua magnífica atuação, nos permite enxergar o que se passa dentro de Johnny. O porquê dele ser quem é… e o porquê dele não poder deixar de ser quem é.

Em aspectos técnicos, digo que Laslo Bedenek cria tomadas belíssimas em grande parte do filme, sobretudo aquelas onde contemplamos Johnny e os demais em suas viagens e a tomada inicial, onde tudo o que se vê são as rodas da motocicleta (e uma delas derrapando pertinho da câmera). Isso, somado à ótima trilha sonora criam um clima incrível de emoção e, claro, rebeldia.

Murilo Lopes de Oliveira

12 Comments

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12 Responses to Década de 50 (Especial James Dean)

  1. samara de lima viana

    bom adorei otimo para pesquisas de escola,fala td que uma pessoa procura para uma pesquisa…otimo excelente gostaria que exibissem mas fotos dos cantores da decada de 50..obrigada me ajudou bastante..

  2. Bianca

    ficou ótimo!

  3. Ludy

    pow parabens ho decada rica em cultura en
    viva a geração coca-cola

    =D

  4. Yasmim

    Amei a reportagem, é tudo oque eu queria saber!!!!

  5. os jovens de hoje são muito diferentes dos da década de 1950 por que antes ninguém tinha essa liberdade igual hoje em dia
    eu acho que os jovens de hoje tem muito mais liberdade do que os de 1950

  6. leidiane

    os jovens de hoje em relaçao dos de antigamente sao totalmente diferentes o modo de vestir de calçar de se expor de falar estilos de musicas . em fim o tempo muda e o joven ta,ben muda.

  7. adorei essa foto ficou muito massa
    ok
    Bjim
    t+
    =]

  8. Garotas, mandem link do orkut sempre que postarem! :P

  9. djonata

    só tem minas nesses comments (exceto eu :B)

  10. Thaise

    Muito bom!!