A história é manjada. Dé (Thiago Martins) é um jovem da favela do Cantagalo que trabalha em uma barraca na Vieira Souto. Nina (Vitória Frate) é uma menina que vive em um prédio em frente à barraca. E o melodrama vai se desenvolvendo, seja de maneira Romeu e Julieta, ou parecida. O fato de não ficar novelesco para uma produção desse porte (realmente, é bem feito à niveis globais) já é uma surpresa. Talvez não seja novidade pra ninguém ver um filme que retrate a favela com pessoas que não necessariamente sejam envolvidas com o tráfico e a violência, que sejam trabalhadoras e etc. Mas o cuidado com que Silveira (que também dirigiu Dois Filhos de Francisco) produz e conta essa história acaba cativando em alguns momentos.
Os clichês nem chegam a ser tããão problema assim (os dois tem família problemática que é parecida, o dilema em conviver com o irmão que virou chefão do tráfico, pais inseguros, amigas inconseqüentes subindo o morro, preconceito de maneira chavão), a questão é que dificilmente o filme consegue sair do ‘mais do mesmo’. Mas quando consegue tomar o rumo do título, em rever as histórias que começam em ‘era uma vez’, em ser apenas um melodrama bem feitinho acaba sendo feliz. Mesmo com alguns delírios que as vezes lembram até os famigerados Crash e Babel.
2/4
Pedro Kerr

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