Harry Potter e o Cálice de Fogo (Mike Newel, 2005)

Antes de qualquer coisa, não sou um pottermaníaco. Não li nenhum dos sete livros, e não gostei tanto assim dos três filmes iniciais, A Pedra Filosofal, A Câmara Secreta e O Prisioneiro de Azkaban. São bons, mas não me despertaram tamanha paixão para que ficasse fã do personagem. Mas gostei e muito dos dois últimos filmes, O Cálice de Fogo e A Ordem da Fênix, principalmente, desse quarto episódio dirigido pelo inglês Mike Newel.

Os três filmes iniciais da série Harry Potter são eficientes e funcionam mais como uma grande introdução da história. Através deles passamos a conhecer os personagens (mocinhos e vilões), a escola, as magias, e todas as demais situações e características que envolvem esse universo. Então, até aqui sabemos de tudo sobre Harry Potter: Quando bebê quase foi morto quando sofreu o ataque de um poderoso bruxo, Voldermort, o mesmo que matou seus pais. Como órfão foi posto para adoção, sendo assim criado por seus tios maternos, que sempre fizeram questão de tratá-lo mal por saber o que o Harry poderia representar. Aos 11 anos descobre sua história quando é convocado a ir estudar na escola de magia e bruxaria de Hogwarts. Os filmes mostram e muito bem essa jornada do personagem quando este passa a conhecer mais sobre seu passado, descobrindo esse novo mundo onde foi posto. Só que depois de três filmes, já sabemos tudo o que tínhamos que saber, e assim, a história tinha que começar para valer. É isso que esse quarto filme faz de maneira muito eficiente.

Harry Potter e o Cálice de Fogo atira a história para frente adotando uma postura “montanha-russa” de filmes como De Volta Para o Futuro Parte II e Indiana Jones e o Templo da Perdição. Claro que aqui não temos um ritmo tão frenético como desses outros filmes, mas para quem se acostumou com o ritmo da série, vai achar que tudo é rápido demais, e para quem leu o livro, com muitas tramas e sub-tramas, nem vai sentir o filme passando. Tudo no FF. Mas filmes desse tipo não têm que perder muito tempo explicando história ou personagens, até porque são continuações de filmes que já conhecemos, por isso já estamos introduzidos nesse universo previamente. E esse quarto filme de Harry Potter se põe assim, principalmente quando os personagens são atirados de uma situação para outra, sem tempo para tomar decisões, agindo na maioria das vezes de forma instintiva. Harry já teve que agir desde os primórdios de forma mais instintiva, só que antes ele tinha um inimigo claro à frente, fazendo com que ele pudesse analisar melhor o que fazer em certas situações. Lembrando disso nos outros filmes: No primeiro, ele tinha que evitar que alguém pegasse a pedra filosofal; no segundo, tinha que descobrir quem era a pessoa que abria a câmara secreta; e no terceiro, tinha que tomar cuidado com um possível ataque de Sirius Black, o fugitivo de Azkaban. Mesmo que o mal não era o que ou quem o Harry imaginava inicialmente, o personagem sempre tinha um inimigo claro e visível. Aqui isso não ocorre. O mal não se mostra de forma alguma e age nos bastidores conseguindo manipular a tudo e a todos para conseguir o que quer. Harry não tem quem combater, passando a sair tateando pelas situações que apresentam diante dele. O personagem está totalmente perdido, sem saber o que fazer. Assim que as coisas funcionam por aqui.

Outra coisa que vemos é o sentimento de isolamento que Harry sofre quando os demais estudantes pensam que ele agiu de má fé, e até uma briga com o melhor amigo rola por aqui. Perdido e isolado, é assim que ele se sente, e isso não deixa de ter uma relação direta com o que muito adolescente (ele já é adolescente!) sente nessa faixa de idade. Isso é possivelmente o que chama atenção do público geral para o personagem, já que mesmo vivendo num mundo bem diferente e fantasioso, ele não deixa de passar por muita coisa que qualquer um pode passa pela idade dele. Lembrando também que o público o acompanha desde os 11 anos de idade e assim acabou crescendo junto com ele. Uma ilustração disso tudo é a cena de Baile dos Estudantes que acontece aqui. Fica claro como aqueles personagens cresceram e são “normais” mesmo estando nesse mundo totalmente diferente. O diretor Mike Newel consegue explorar bem essa cena envolvendo os devaneios românticos de molecada de Hogwarts

Visualmente, o filme herdou do 3º filme (O Prisioneiro de Azkaban) a mudança geral que houve quando se abandonou os aspectos mais infantis dos dois primeiros filmes passando para um visual mais sombrio. O visual da série (e a série em si) cresceu muito com essa mudança e esse quarto filme acompanha esse crescimento. Aqui isso é acrescido quando temos várias mudanças de cenários/situações durante o filme, com cenas que muitas vezes se contrastam umas com as outras. Entendendo melhor isso: A Copa Mundial de Quadribol, que acontece logo no começo, tem um visual ultra-colorido e bem movimentado, ao contrário da cena do Dragão no Torneio Tribruxo que possui um visual mais seco e sem overdose de informações. Basicamente, é só o Harry e o dragão quando antes era uma platéia enorme e animada diante dos jogadores de quadribol. Esses contrastes são bem explorados e em nenhum momento o filme fica com o visual cansativo.

Sobre a história, sei que muitos que leram o livro reclamam do corte de muita coisa. Várias tramas e sub-tramas foram excluídas. Inicialmente, a idéia era de fazer dois filmes para caber tudo (ou quase tudo), mas isso foi abandonado e fizeram um resumo do que de principal acontece na história. Uma decisão acertada a meu ver porque: 1) Cinema e literatura são duas linguagens bem diferentes e muita coisa do livro poderia simplesmente não funcionar tão bem no filme; 2) A série vinha num ritmo devagar. Os filmes anteriores são longos, cheio de explicações e detalhes, então era necessário dar uma turbinada na história nesse quarto filme. Ele tinha que ter uma rapidez para que a série pudesse ir logo ao que interessa (que no fim de tudo é o eterno combate do bem contra o mal). O filme se apresenta muito bem do jeito que ficou, e se ficaria melhor se tivessem incluído uma coisa ou outra do livro, isso eu deixo para imaginação de quem é fã.

3/4

Jailton Rocha

8 Comments

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8 Responses to Harry Potter e o Cálice de Fogo (Mike Newel, 2005)

  1. The Cube

    bom filme, mas deixa a impressão de que foi feito às pressas.

  2. The Cube

    a adaptação fe com que o filme ficasse apressado, já que o livro tem 200 páginas e o filme apenas 2 horas

  3. Jailton

    Como disse, não conheço o livro, então não fiquei com essa impressão de feito às pressas.

    E usei a palavra rapidez, mas poderia ter usado ágil. Eu acho esse um filme ágil que cumpre o que tem que cumprir (que é de jogar a história para frente).

  4. Infelismente não li o livro, embora tenha muita vontade.

    Adorei a versão de Harry Potter e o Cálice de Fogo, mas como disseram acima, ficou meio que imcompleto, poderia ou até deveria, ser uma versão mais clara e objetiva, ou seja, poderia detalhar mais a história, até porque não explica direito como é que ” Lord Voldemort ” rescussitou, seria bem mais divertido assistir o filme todo, conforme conta no livro, eu sei que seria mais complicado, mais talvez desse mais audiênçia se por acaso contasse a história todo, mas bem detalhado, ou, como não pode voltar atrás poderia no final de todas as séries fazer uma minisérie de todas asverssões do filme, igualmente com o livro !!

  5. maria elena

    Amo de mais Harry Potter eu li somente tres livros, Pedra filosofal, inigma do principe e reliquias da morte.

  6. Anonymous

    oi harry potter

  7. o harryé o homem mais bonito do mundo

  8. Thiago Duarte

    olha o nível dos comentários. huehueh