A Casa do Espanto II (Ethan Wiley, 1987)

Depois do sucesso de Sexta-feira 13, a dupla responsável pelos primeiros filmes dessa série, Sean S. Cunningham, diretor da Parte 1, e Steve Miner, diretor das Partes 2 e 3, se reuniram para um novo filme de terror. Surge aí: A Casa do Espanto (House, 1986), com Sean produzindo e Steve dirigindo. Até Harry Manfredini responsável pela trilha sonora de Sexta-feira 13 também compareceu (por isso não estranhe as semelhanças nas trilhas). Se antes tentaram reproduzir os slashers movies italianos, em House realizam um tradicional filme de casa mal-assombrada, gênero em alta na época por causa de sucessos como Poltergeist – O Fenômeno e Terror em Amityville. Só que para House não quiseram investir num filme de “terror sério” então criaram um filme que não tem medo de usar o humor na sua história e personagens. Assim, o filme se tornou um dos mais famosos “terrir” da década de 80, e com o sucesso, veio a inevitável continuação. A equipe responsável pelo primeiro filme volta, com exceção do diretor Steve Miner, que pulou fora e foi substituído por Ethan Wiley, roteirista do filme anterior, que aqui acumula as funções de diretor e roteirista.

História: Um casal é morto misteriosamente numa casa, mas antes disso acontecer, eles dão o filho deles, ainda bebê, para adoção. 25 anos se passam e o filho, Jesse, já adulto, volta para casa junto de uma namorada. Logo depois, aparece Charlie, um amigo dele que também traz uma namorada a tiracolo, para passar um tempo com o amigo. Jesse é obcecado pela história da família que não conheceu, e ao ler os livros abandonados pela casa, descobre que seu tataravô no velho Oeste teria descoberto uma caveira de cristal com poderes especiais. Ele, com a ajuda de Charlie, resolve ir desenterrar o tal tataravô para descobrir pistas de como achar a tal caveira. Daí tudo começa. Esse é o resumo da história e por esse resumo já vemos que House II comete uma das piores coisas que uma continuação pode cometer que é simplesmente não ser continuação, já que renega tudo do primeiro filme. Não só na história, mas o filme se tornou uma “Sessão da Tarde” quando abandonou o lado terror, para ser mais um filme de aventura. Isso ocorre porque quiseram dar uma ênfase aos “universos paralelos” que existem dentro da casa, coisa que o primeiro filme lidou relativamente pouco. E assim, em vários momentos, os personagens são transportados de dentro da casa para outros mundos, como um tempo pré-histórico; um templo onde uma tribo faz sacrifícios de virgens; e, claro, o velho oeste (afinal, o tataravô de Jessé viveu lá). Tudo isso num clima de aventura mesmo, nada de tentarem dar um ar mais pesado ao filme. A Casa do Espanto II deixa de ser “casa do espanto” para se tornar uma espécie de “Indiana Jones dentro de uma casa”. Isso o público, na época, não perdoou. Mas esquecendo que o filme em si não se põe com necessidade de ser algo que o primeiro foi, indo numa direção oposta, ele até funciona bem dentro desse contexto de filme de aventura descompromissado.

Outra coisa que sumiu aqui nessa pseudo-continuação foi a sensação de isolamento do personagem principal. Roger Cobb, do filme anterior, tinha que lidar sozinho com as maluquices da casa, já o Jesse daqui, além do amigo Charlie, ainda conta com o recém ressuscitado tataravô, e outros personagens que ele vai “coletando” a cada nova aventura nesses mundos paralelos. Surge então um estranho cão-lesma (?), um filhote peludo de pterodátilo (?), e uma virgem que ele resgata de um ritual. Mesmo que muito desses personagens sejam fracos, sem muitos atrativos, é através deles que o filme monta uma estrutura boa para o personagem principal. Jesse que foi para casa tentar descobrir algo sobre a antiga família, aos poucos vai “adotando” os demais personagens que vai encontrando pelo caminho, e assim formando uma bizarra nova família. Duas cenas legais em relação a isso são a do jantar onde todos estão sentados à mesa e Jesse olha orgulhoso para todos e afirma que aquela é família dele; e a cena final quando ele abandona tudo para viver com essa família que ele formou no decorrer do filme. Talvez isso não seja algo tão bem trabalhado, mas é bem interessante.

Claro que o filme original é bem melhor, mas perdoando A Casa do Espanto II pelo tom totalmente diferente (não justificando o II no título) e os personagens fracos, não chega a ser desagradável. De alguma forma bizarra, o filme funciona. E na prova do tempo, o segundo resistiu mais, já que o primeiro ficou datado, com cara de anos 80 mesmo, e esse aqui, por algum motivo desconhecido, não demonstra tanto a idade avançada. Um aviso final: Passem longe das continuações que vieram depois. Tanto A Casa do Espanto III, como (principalmente) A Casa do Espanto IV são, de todas as formas, intragáveis.

2/4

Jailton Rocha

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