Ânsia de Amar (Mike Nichols, 1971)

O que, à primeira vista, parece ser o desenlorar de uma simples estória de amor e amizade nos tempos de faculdade acaba se transformando, através da lente densa e da condução pesada, atípicamente carregada de Nichols, em uma grandiosa obra-prima sobre o egoísmo e, principalmente, sobre suas conseqüências diretas nos relacionamentos, representadas pelo drama do principal personagem da trama, Nicholson, em um de suas melhores e mais intensas performances.

Em Ânsia de Amar, o diretor consegue alcançar com precisão o tom exato para o desenvolvimento das personagens e das situações, apostando em uma narrativa lenta, com planos longos e estáticos, sem precisar transformar tudo em uma grande caricatura, como fizera em Closer, quando, embebido da sede de mergulhar o mais fundo possível numa suposta “realidade” dos relacionamentos modernos, acabara deixando tudo um tom acima do necessário.

Com isso, dividindo a obra entre a descoberta do amor e do desejo, o desenvolvimento de um fundamental laço de amizade e o rompimento de tudo isso através da concretização da personalidade do protagonista, situada dentro de todo o contexto social, intelectual e sentimental do período em que fora produzida a obra, Nichols entrega seu melhor, mais surpreendente e, porquê não, imprescindível trabalho.

4/4

Daniel Dalpizzolo

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