Encurralado (Steven Spielberg, 1971)

1971 foi fora de série para o cinema. Corrida Sem Fim, Quando os Homens São Homens, Ânsia de Amar, Laranja Mecânica, O Estranho Que Nós Amamos, A Última Sessão de Cinema e Quando Explode a Vingança, todos no mínimo excepcionais, são alguns bons exemplos da safra deste ano. O primeiro longa-metragem de Steven Spielberg, Encurralado, ainda que com algumas pequenas falhas que destroem a impressão de obra-prima (ô coisinha mais chata aquela narração em off, hein – e só fui perceber isso na revisão) ajuda a engrossar a lista.

Um road-movie imperdível, tenso e com um ritmo alucinante, no qual são fundamentadas as principais características do cinema do diretor: a impressionante e refinadíssima técnica e a facilidade de tornar crível a coisa mais improvável do mundo. Porque o grande mérito de Encurralado, invariavelmente, é a transformação da feição do caminhão em um monstro absoluto na tela – e, o principal, ocultando a existência do homem por detrás do volante. Durante a sessão, aqueles traços geométricos de metal enferrujado tomam vida própria, chegando inclusive a causar medo.

Antes da revisão – sendo que havia visto pela primeira e única vez há pelo menos uns quatro anos -, considerava este o grande filme de Spielberg. Agora já não sei mais, e até acho que não chega a tanto. Mas, com certeza, faz parte do pelotão de elite de sua filmografia – talvez ocupando o segundo ou terceiro lugar.

3/4

Daniel Dalpizzolo

12 Comments

Filed under Comentários

12 Responses to Encurralado (Steven Spielberg, 1971)

  1. calvin2008

    Encurralado no Multiplot só com crítica com nota máxima… Excluam isso aí… hahahaha

  2. Para lembrar: o motorista sai do carro e avança em direção a caminhão. O caminhão ameaça partir. O motorista pára. Ficam nesse jogo durante algum tempo. Desesperado, o motorista apressa o passo em direção ao caminhão, que arranca e deixa ele sozinho no meio da estrada, no meio do nada, no meio do desespero.
    Concordo sobre a narração, discordo do final. Talvez, sem a narração, o final fique melhor ainda, seco, direto, sem meias palavras ou explicações. Filmaço…

  3. Daniel Dalpizzolo

    Faz tempinho que eu revi, não recordo exatamente o que me fez achar o final um pouco mais ou menos, mas lembro que boa parte dessa dívida era exatamente pela narração – ou toda ela, já que a ação em si não tem equívoco algum.

  4. Djonata

    A melhor coisa da carreira desse cara aí chamado Spielberg.

  5. Daniel Dalpizzolo

    A segunda melhor, vai. Tem Os Caçadores da Arca Perdida antes. :B

    E eu curto pra caramba também o Minority Report, viu. Certamente nesse grupo da ponta.

  6. Djonata

    Tbm gosto do Minority e do Indy. mas nenhum no mesmo grau que o Duel. no caso do Indy, ainda prefiro o terceiro. e não, nem pago pau pro arqueólogo aventureiro :B

  7. Marcelo

    Afinal, porque o cara do caminhão queria matar o motorista do carro? Só pq ele tentou ultrapassá-lo?

  8. Daniel Dalpizzolo

    Que cara do caminhão?

  9. Daniel Costa

    Tinha um cara dirigindo o caminhão??

  10. Djonata

    no cinema não existe “só”.

  11. antonio j silva

    esse filme eu vejo sempre , comprei a pouco tempo em dvd ,é um otimo filme como tudo que tem o aval de spielberg, como: tubarão , indiana jones , o segredo da piramide, e muitos outros .

  12. Bah, “O Segredo da Pirâmide”, se é o que eu estou pensando, é horrível.