Autor: Kênia Freitas

  • Ressonâncias e (Não)Escutas: Sementes: mulheres pretas no poder (Éthel Oliveira e Júlia Mariano, 2020) e #eagoraoque (Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald, 2020) 

    Ressonâncias e (Não)Escutas: Sementes: mulheres pretas no poder (Éthel Oliveira e Júlia Mariano, 2020) e #eagoraoque (Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald, 2020) 

    Por Kênia Freitas Ouvir é, nesse sentido, o ato de autorização em direção à/ao falante. Alguém pode falar (somente) quando sua voz é ouvida. Nesta dialética, aqueles(as) que são ouvidos(as) são também aqueles(as) que “pertencem”. E aqueles(as) que não são ouvidos(as), tornam-se aqueles(as) que “não pertencem”. (Grada Kilomba) Não serei…

  • Atlantique (Mati Diop, 2019): paixões (des)possuídas

    Atlantique (Mati Diop, 2019): paixões (des)possuídas

    “Essa febre é um invasor noturno que atinge o paciente durante o sono profundo. Ele pula da cama e corre para a ponte. Lá, ele acredita ver além das ondas, árvores, florestas, prados floridos. Sua alegria explode em mil exclamações. Ele sente o desejo mais ardente de fluir para dentro…

  • PretEspaço: as cidades não imaginadas

    PretEspaço: as cidades não imaginadas

    Por Kênia Freitas “Aspiramos aos cosmos pela simples possibilidade de sonhar. Aspiramos ao espaço sideral para além do etéreo e longínquo. Mas também ao espaço em sua forma mais literal. Espaço.” (Manifesto pelo Espaço, NEGRUM3, Diego Paulino, 2018) “O que não tem espaço está em todo lugar” (Filme Jota Mombaça,…

  • Vaga Carne: o corpo (r)existe

    Vaga Carne: o corpo (r)existe

    Por Kênia Freitas Vozes existem Vorazes Pelas matérias Com essas palavras ditas sobre uma tela preta, Vaga Carne (Grace Passô e Ricardo Alves Jr., 2019) se anuncia. Uma voz se apresenta como nossa interlocutora. Ela se declara independente das matérias que ocupa, vagando por carnes vivas e objetos inanimados. A…

  • Nós (Us, Jordan Peele, 2019): apocalipse subterrâneo

    Nós (Us, Jordan Peele, 2019): apocalipse subterrâneo

    Por Kênia Freitas No conto “Aqueles Que Se Afastam de Omelas”, Ursula Le Guin descreve uma cidade paradisíaca e feliz: com festivais de verão, prosperidade, bela arquitetura, sem soldados e sem clero, sem reis e ditadores, com orgia e drogas e sem culpa. Omelas pulsa arte e inteligência em uma…

  • No coração do mundo: Contagem é o motherfucking Texas!

    No coração do mundo: Contagem é o motherfucking Texas!

    Por Kênia Freitas “O trabalho é a essência do homem porra nenhuma” (Pichação) – Mais do que um resumo, esta frase é uma possível porta de entrada para No Coração do mundo (Gabriel Martins, Maurílio Martins, 2019). O filme se constrói a partir de duas espacialidades de natureza diferentes: a…

  • Bacurau: desequilíbrios e assimetrias

    Bacurau: desequilíbrios e assimetrias

    Por Kênia Freitas Antes Uma das bases das discussões racializadas contemporâneas sobre os gêneros narrativos – em campos como o afrofuturismo e o horror noire (ou terror negro) – é a ideia de que gêneros como a ficção científica e o terror se fundam na projeção do medo branco da…

  • Divino Amor: enquadramentos e exclusões de um futuro próximo

    Divino Amor: enquadramentos e exclusões de um futuro próximo

    Por Kênia Freitas Divino Amor (Gabriel Mascaro, 2019) se constrói como uma narrativa de ficção especulativa de futuro próximo. Não há afastamento temporal o bastante para falarmos em distopias ou utopias, e o que se configura é um pequeno deslocamento do presente. Este é grande o suficiente para imaginarmos o…

  • Fabulações críticas em curta-metragens negros brasileiros

    Fabulações críticas em curta-metragens negros brasileiros

    Por Kênia Freitas No livro Afro-Fabulations The Queer Drama of Black Life, Tavia Nyong’o questiona se “uma poética da afro-fabulação poderia suplementar, ou mesmo suplantar, a política da representação?”. Tais estratégias de afro-fabulação para Nyong’o seriam formas de tirar o pesa que as artes negra e queer carregam a partir…

  • Bush Mama (Haile Gerima, 1979): assimetrias da carne e do corpo

    Bush Mama (Haile Gerima, 1979): assimetrias da carne e do corpo

    Por Kênia Freitas I No enquadramento o olhar de Dorothy. Olhar frontal para a câmera, mas não endereçado ao espectador. Dorothy olha com intensidade para além da câmera, que o contraplano logo nos revela como os detalhes de um pôster. Na imagem observada a mulher angolana que segura o filho…

  • A Feiticeira Viúva (Xiao Gua Fu Cheng Xian Ji, Cai Chengjie, 2018)

    A Feiticeira Viúva (Xiao Gua Fu Cheng Xian Ji, Cai Chengjie, 2018)

    Por Kênia Freitas Há em geral no cinema narrativo ficcional um jogo de crença e descrença entre o filme e o espectador. Uma relação que passa pela grande autonomia das obras ficcionais em criarem os seus universos e os seus elementos de entrada e saída da narrativa, mas também pela…

  • Boa Sorte (Good Luck, Ben Russel, 2017) e A Floricultura (La Fleurière, Rubem Desiere, 2017)

    Boa Sorte (Good Luck, Ben Russel, 2017) e A Floricultura (La Fleurière, Rubem Desiere, 2017)

    Por Kênia Freitas Boa Sorte é composto por dois filmes formal e estruturalmente relacionados, mas muito distante entre si pelas imagens que os constituem. Em comum está a proposta de filmar os trabalhadores em minas em condições extremas e/ou adversas de trabalho. A primeira parte filma os homens que buscam…

  • Meu nome é Daniel (Daniel Gonçalves, 2018) e Travessia (Safira Moreira, 2017)

    Meu nome é Daniel (Daniel Gonçalves, 2018) e Travessia (Safira Moreira, 2017)

    Por Kênia Freitas Filme de encerramento do Olhar de Cinema de 2018, Meu nome é Daniel de Daniel Gonçalves coloca em evidência a auto-representação no processo de produção cinematográfica. O documentário em primeira pessoa parte da vivência do diretor como uma pessoa com deficiência física, propondo uma perspectiva subjetiva desta…

  • Homens que jogam (Playing men, Matjaž Ivanišin, 2017)

    Homens que jogam (Playing men, Matjaž Ivanišin, 2017)

    Por Kênia Freitas     Na sequência final de Homens que jogam o diretor/personagem contempla o horizonte e cantarola a música My pony, my rifle and me. A canção toma conta da cena e segue completa pelos créditos de encerramento do filme. Sua inserção nos remete a famosa interpretação de Dean…

  • O Chalé é Uma Ilha Batida de Vento e Chuva (Letícia Simões, 2018)

    O Chalé é Uma Ilha Batida de Vento e Chuva (Letícia Simões, 2018)

    Por Kênia Freitas O Chalé é Uma Ilha Batida de Vento e Chuva parte da premissa de transformar o universo literário do escritor paraense Dalcídio Jurandir em uma experiência cinematográfica. Para isso o filme utiliza como elemento de construção os registros de uma viagem a trabalho que Dalcídio fez à…