Autor: Fernando de Mendonça
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Filmar o Oculto – Entrevista com Eugène Green
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Como bem refletido pelo texto de Miguel Marías traduzido nesta edição, a presença de Eugène Green aqui não deve ser tomada pela fronteira existente entre o melodrama como consciência narrativa e o efeito melodramático. Para a composição deste dossiê, em consonância com as investigações sobre o melodrama, foram priorizados alguns…
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Imagens ao Vento: a saudade e o desejo no melodrama contemporâneo
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Dois filmes portugueses, em 2022, redimensionaram as possibilidades melodramáticas no cinema, inclusive a partir de seu contexto de realização, pois também filmados durante dias pandêmicos que obrigaram todas as equipes, mundo afora, a restrições extremas de interação humana e confinamentos angustiantes, características típicas ao gênero, que sempre testou os limites…
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Noites Brancas no Píer (Paul Vecchiali, 2014)
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Por Fernando Mendonça “Meus olhos têm um brilho totalmente diverso. Receio que eles façam buracos no céu.” Nietzsche Já não é tão fácil encontrar a solidão. Há quem pense ser a sociedade do séc. XXI prioritariamente solitária, preenchida por indivíduos que se perdem alheios ao movimento do próximo, que restringem…
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Uma carta ao Manoel
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Por Fernando Mendonça Era tão menino. Espantava-me pensar um século de vida, ouvir e ler das coisas que tanto fizera, que fundo marcara no espírito humano dos anos 1900. Sabia de tua importância, benfazeja posição numa arte que tanto me ajudou a entender-me este menino. Pois foi também através de…
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BNSF (James Benning, 2013)
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Por Fernando Mendonça Um dos realizadores de maior influência para o cinema contemporâneo, pelo que experimentou e rompeu no audiovisual, a partir dos anos 1970, James Benning continua sendo uma pedra de toque para os atuais desdobramentos de vanguarda e os caminhos auto reflexivos da imagem, num sentido prático de…
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Terra de Leite e Mel (Pierre Étaix, 1971)
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Por Fernando Mendonça “Humor é a polidez do desespero”. Bernard Shaw Nenhuma frase seria mais apropriada do que esta, dita por uma das entrevistadas, já próximo ao desfecho de Pays de Cocagne, para expressar a perspectiva de Pierre Étaix, seja no documentário citado como na obra que ele construiu em…
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Coração de Cristal (Werner Herzog, 1976)
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Por Fernando Mendonça Fluem as águas, densa neblina, da cadente luz o irromper do sol ou das formas terrestres, com os bichos, ruídos da vida, abismo que atrai para si atenção a pulsar, escorrer, evanescer entre rochas, fendas, aberturas de finita superfície. Prefigurações do fim. Destruição que é começo, princípio…
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Rir é o Melhor Remédio (Pierre Étaix, 1966)
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Por Fernando Mendonça Quatro curtas compõem essa pequena antologia de Pierre Étaix, tesouro que também guarda um quinto e substancial momento de brilho já em sua introdução, na criativa abertura de créditos sustentada como uma espécie de filme autônomo, de iluminação para os seguintes episódios, assim como para tudo o…
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Terra Prometida (Gus Van Sant, 2012)
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Por Fernando Mendonça A primeira imagem: sob as águas, nos aproximamos de uma superfície que espelha o rosto de Matt Damon, capturado de forma quase abstrata e irreconhecível, dado o movimento de agitação no líquido que o ator usa para se lavar. A última imagem: num afastamento panorâmico, nos distanciamos…
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Yoyo (Pierre Étaix, 1965)
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Por Fernando Mendonça É um dos primeiros gestos do milionário Pierre, ainda na abertura de Yoyo (1965): olhar desconsolado para um porta-retratos, num gesto de saudade e impotência, após esconder-se de seus criados e dos barulhos mundanos. Na fotografia, a imagem da amada, perdida no tempo, lembrando-o de que…
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Além das Nuvens (Michelangelo Antonioni & Wim Wenders, 1995)
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Por Fernando Mendonça “Quando se copia um quadro de um grande artista, existe uma chance de repetir aí o ato desse artista e talvez de reencontrar, mesmo por acaso, o movimento exato.” Uma revisão crítica de Além das Nuvens pode encontrar como ponto de partida um interminável número de questionamentos…
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O martírio de Werner Herzog
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Por Fernando Mendonça “Um velho caminha sobre a ponte, sem se notar observado. Vai devagarinho e com dificuldade, sempre descansando depois de uns poucos passos hesitantes. É a morte que caminha com ele.” O registro feito por Werner Herzog no domingo, dia 01.12.1974, serve de contraponto ao excêntrico método de…
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Meu Filho, Olha o Que Fizeste! (Werner Herzog, 2009)
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Por Fernando Mendonça Não adiantou o nome de David Lynch na produção, não adiantou o rebuliço causado com a sessão surpresa em Veneza, Meu Filho, Olha o Que Fizeste! é filme sombreado por um tipo de maldição que acompanha desde as primeiras inspirações; mal que se apresenta, invariavelmente, nas grandes…
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Sinos do Abismo (Werner Herzog, 1993)
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Por Fernando Mendonça No primeiro plano do filme Sinos do Abismo, vemos dois homens rastejando sobre um lago de gelo, peregrinos siberianos que acreditam no mito da cidade perdida de Kitezh, um lugar colocado por Deus no fundo das águas como livramento contra o ataque de mongóis e que, ainda…
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Giovanna D’Arco (Werner Herzog, 1989)
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Por Fernando Mendonça Pouco se comenta da relação que Werner Herzog nutre com a ópera dentro de sua carreira. Desde 1986, ele iniciou uma espécie de jornada paralela àquela mantida com o cinema, envolvendo-se na realização de inúmeros operísticos (o mais recente, de 2008, já conta seu 26º trabalho), que,…