Screenshots! – O Mundo Vivente (Le Monde Vivant – Eugène Green, 2003)

por Fernando Mendonça

No mesmo ano em que Peter Jackson encerrava sua Trilogia do Anel, Eugène Green concebia uma fantasia que apostava numa trucagem mais complexa do que qualquer efeito CGI seria capaz de fazer. A magia de Green está no rigor do plano, no saber do corte e no diálogo que cada imagem de seu mundo realiza com o espectador. Ainda que seja impossível conseguir o efeito que os planos já naturalmente estáticos adquirem na projeção do filme, nada impede o deleite gerado pela contemplação de cada um de seus quadros, pois sinceramente, não há um só que não surja como um milagre.

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Tabela de Notas 2010

A Tabela do mp!, orgulhosamente a única tabela com mais espaços em branco do que notas da internet, finalmente voltou. Ela vai ficar bonitinha num link fixo aqui à direita, junto da data da última atualização e tal.

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Screenshots! – Passos na Noite (Where the Sidewalk Ends – Otto Preminger, 1950)

por Luis Henrique Boaventura

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A Morta-Viva (I Walked with a Zombie – Jacques Tourneur, 1943)

Há poucas maneiras de passar sessenta e oito minutos mais agradáveis e estimulantes do que assistindo esse pequeno grande filme de terror dirigido pelo mestre Tourneur, que leva a um passo adiante o estilo do anterior e já excelente Cat People (1942), investindo ainda mais na criação de um clima excepcional e numa aura sutil de horror implícito em vez de efeitos repugnantes ou de sangue e tripas. O filme é calcado em um dos monstros femininos mais belos do cinema, a figura singelamente aterrorizante da morta-viva loira, vitima de febres tropicais que deterioram partes de sua medula, tornando-se incapaz de falar ou ter vontade própria em seu sonambulismo eterno, aprisionada em si própria dentro de um mundo vazio de alegria ou significado. Bela à luz do dia, misteriosamente assustadora em sua primeira aparição após o anoitecer, em meio a um estranho povo nativo nas Índias Ocidentais, descendentes da dor da miséria e da escravidão, e que por gerações a vida lhes foi um fardo, e que por isso ainda choram quando nasce uma criança e se alegram nos funerais (justificando a sentença dita pela boca de uma das personagens de que ali tudo que é bom morre de forma violenta). O que algum outro diretor menos competente transformaria em macumba para turista, pelas mãos de Tourneur resulta na capacidade de converter ambientes paradisíacos (como a praia de uma ilha caribenha) em infernos enlouquecedores, no qual as cenas diurnas servem como pausa para o horror que se desenrola quando surge a escuridão, com os tambores da selva, misteriosos, assustadores, os cantos e as luzes, e as caminhadas noturnas através das plantações de cana. Extremamente eficaz no uso da luz e sombra e na disposição dos elementos em cena (objetos, detalhes, figuras humana) para criar quadros que evocam magistralmente uma atmosfera sobrenatural, I Walked with a Zombie em sua curta duração se desenrola ao sabor dos velhos contos de fantasmas e feiticeiros, em torno de uma mulher tão bela transformada em um zumbi.

4/4

Vlademir Lazo Corrêa

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O Sangue dos Vencidos (Il Sangue Dei Vinti – Michele Soavi, 2008)

Adaptação de um romance homônimo de 2003 sobre a Itália fascista durante a 2ª Guerra, o último filme de Michele Soavi sofre por se levar num nível de seriedade incompatível com o resto da carreira do diretor (excetuando-se aquelas séries de 3 horas feitas pra tv que eu não assisti e/ou não pretendo por suspeitar compartilharem da mesma apatia). Muito pela delicadeza do tema – uma tragédia muito recente na história dos caras -, ou então por se parecer mais com um doc pra tv que com qualquer coisa que se aproxime do bom e velho cinema de gênero que o diretor fazia, Soavi não se permite aos surtos de inventividade que romperam a barreira nostálgica do horror oitentista e reapareceram intactos no fantástico Arrivederci Amore, Ciao (de 2006).

É um porre. Quando parece que a guerra vai se fazer de pano de fundo pra uma caçada a um assassino, com whodonit, com um policial carrancudo de protagonista, uma prostituta morta e sua gêmea idêntica e vagabunda pra fazer o que as femme fatales fazem de melhor, a coisa inverte e é o gênero quem acaba deslocado pra terceiro plano enquanto um desenrolar maçante de uma guerra civil que não me interessa nenhum pouco assume a frente e se transforma em filme pra trabalho de 8ª série, tudo filmado com o ar de desprezo e desinteresse de quem parece odiar o que está fazendo.

Em O Sangue dos Vencidos, Soavi perde a sua condição de autor e possivelmente o crédito pra dirigir qualquer outra coisa na vida.

0/4

*título – tradução livre

Luis Henrique Boaventura

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A Estrada (The Road – John Hillcoat, 2009)

“A Estrada” me despertou interesse de uma forma curiosa… por saber tratar-se de uma adaptação de um livro de Cormac McCarthy (mesmo autor do livro em que foi baseado a obra-prima dos Coen, Onde os Fracos Não Têm Vez), do qual, curiosamente e lamentavelmente, não li nada, por pura falta de oportunidade, mas enfim, saber que grande parte do filme dos Coen saiu daquela mente, foi praticamente suficiente pra me instigar, juntando a isso o elenco encabeçado por Viggo Mortensen e pronto, estava feita a sessão. A diferença fundamental era na direção, em Onde os Fracos Não Têm Vez, grandes realizadores e em A Estrada, John Hillcoat. Diretor bastante desconhecido e com pouca experiência com cinema, no entanto, com larga e boa experiência musical, algo que reflete e muito bem em seu filme. Viggo Mortensen (jamais é mencionado o seu nome ou de qualquer outro personagem) interpreta um homem que juntamente com seu filho pequeno, percorre um país devastado por eventos climáticos e com raríssimos sobreviventes, dentre eles, a grande maioria tornaram-se selvagens, e até canibais (na falta de outras fontes de alimentação), enquanto que Mortensen procura educar seu filho em meio a tudo isso da melhor forma possível, é válido traçar um paralelo deste filme com o recente do coreano Bong Jon-hoo,“Mother”, onde a figura materna é tratada e sintetizada da melhor forma que já tive oportunidade de ver, aqui troca-se a mãe pelo pai e temos um resultado similar. Apesar das dificuldades enfrentadas com clima, comportamento e tudo o mais que se pode esperar por um mundo praticamente morto e sem abundância de fontes para sobrevivência, “o pai” jamais esmorece (com uma única exceção numa situação limite) em sua postura sempre positiva e procurando passar força ao seu filho, mesmo que tais preceitos morais provavelmente jamais tenham grande aplicação, tendo em vista a expectativa de vida que essas pessoas têm – quase nula.

A Estrada é, portanto, uma bela alegoria do amor de um pai por seu filho, tentando sempre cultivar o melhor nele, com os melhores exemplos possíveis, jamais se entregando a selvageria que toma conta do mundo, pena que, justamente nessa coisa “pai e filho” o filme acabe pecando pelo excesso, já que me incomodou relativamente bem o personagem do filho em determinados momentos, nada que não seja abafado pela bela fotografia em tons laranja-cinza-vermelho (sempre gélidas) no presente e, no passado, durante os flashbacks, com bastante brilho, luminoso diria, dando o tom óbvio da diferença de sentimentos que os personagens experimentam antes e depois dos eventos cataclísmicos e pela bela inserção de Robert Duvall, no que considero o melhor momento do filme. Enfim, se Mad Max fosse um drama, seria “A Estrada”.

3/4

Tópico

Djonata Ramos

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Screenshots! – A Morte Num Beijo (Kiss Me Deadly – Robert Aldrich, 1955)

por Luis Henrique Boaventura

Os pés como ferramentas pra narrativa são objetos recorrentes em A Morte num Beijo (para transmitir o desespero, o antagonismo ou a própria morte). As escolhas do Aldrich na hora de posicionar a câmera fazem uma espécie de rima com o crescente anarquismo que vai despindo o que parecia um noir clássico para revelar um thriller surreal que flerta o tempo inteiro com um perigoso limite entre o suspense e o horror. A câmera entre grades, pára-peitos, em frestas próximas ao teto, levemente na diagonal na cena em que Gabrielle desce as escadas, no chão na cena final da praia – vão sugerindo um certo voyerismo ao espectador, como se as lentes não estivessem à vontade, como se você fosse espremido e enfiado em todos os cantos possíveis pra poder observar os personagens sem que os personagens pudessem saber que são observados. É um esconde-esconde, é genial, e apesar de conceitualmente ser muito interessante, o que interessa mesmo é que A Morte Num Beijo é bonito pra caralho.

Texto: A Morte Num Beijo (Robert Aldrich, 1955) – Daniel Dalpizzolo – 4/4

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A Bruma Assassina (The Fog – John Carpenter, 1980)

Esse é mestre até dizer chega. Ele consegue transformar aquela névoa em um ser vivo, pulsante, a filma com tanta força que por vezes até parece ganhar forma, como a de um lobo circulando uma presa, com calma, pronto pra dar o bote, ou até de um dedo insinuante te chamando pela fresta de uma porta, ou de um etc. Aquela névoa vira tudo, ele a filma com tanta elegância, com tanto respeito em aguardar todas as possíveis metamorfoses que ela poderia sofrer, que a cena ganha uma força visual absurda, é lindo demais ver a névoa deslizando por aquela cidade, calmamente, como se fosse farejando a procura de sobreviventes da ilha.

Fora que é tenso pacas. Muitas vezes ele foca o horizonte sem mostrar nada, apenas sugestionando que seja lá o que for, está chegando, e enraivecido, e então quando finalmente surge, banhada de luz, devorando tudo pela frente, criando muros em volta das casas, pra logo em seguida ouvirmos o som do gancho batendo na porta… E isso sendo narrado por aquela voz veludoza, e por vezes desesperada, ao fundo. É das coisas que só o Carpenter faz para você.

Mais uma OP desse velho que certamente já conheceu a parte negra do outro lado e agora voltou pra nos contar como é.

4/4

Thiago Duarte

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