
Talvez possa parecer contraproducente contextualizar Arquivo X, mas uma vez que essa resenha não pretende se direcionar apenas aos fãs do seriado, comecemos do princípio. Um dos seriados de maior sucesso de toda a História da televisão, Arquivo X acompanhou durante dez temporadas o trabalho de uma divisão do FBI destinada a investigar eventos supostamente sem explicação natural. Seus protagonistas, os agentes Fox Mulder e Dana Scully, tornaram-se ícones queridos de uma legião de fãs. A tensão sexual entre os dois, inclusive, foi um dos grandes motores do sucesso do programa.
E é provável que Chris Carter, o criador da série, e diretor/roteirista/produtor de Arquivo X: Eu Quero Acreditar, segunda adaptação do seriado para o cinema, tenha imaginado que o simples fato de rever Mulder e Scully juntos seria suficiente para arrebatar multidões novamente. Isso explicaria as falhas imensas que se espalham por todo o filme, a começar pelo próprio relacionamento entre os protagonistas, que não têm química, nem quando estão em paz, nem quando estão em conflito. A trama é bastante desinteressante, envolvendo vilões que não assustam nem cativam. Até certo ponto, se mantém o interesse por desvendar o grande mistério, mas falta controle ao roteiro, que se estende demais e aniquila plenamente com qualquer vontade que o espectador tenha de ir adiante.
No fim das contas, Arquivo X: Eu Quero Acreditar tenta criar clima entre Mulder e Scully e falha; tenta manter a platéia em suspense e falha; tenta dar alguns sustos e falha. Se ainda não ficou óbvio qual é a palavra que melhor descreve o filme, que fique então explícito: falha.
1/4
Marcelo Dillenburg
3 Responses to Arquivo X: Eu Quero Acreditar (Chris Carter, 2008)