


“A Estrada” me despertou interesse de uma forma curiosa… por saber tratar-se de uma adaptação de um livro de Cormac McCarthy (mesmo autor do livro em que foi baseado a obra-prima dos Coen, Onde os Fracos Não Têm Vez), do qual, curiosamente e lamentavelmente, não li nada, por pura falta de oportunidade, mas enfim, saber que grande parte do filme dos Coen saiu daquela mente, foi praticamente suficiente pra me instigar, juntando a isso o elenco encabeçado por Viggo Mortensen e pronto, estava feita a sessão. A diferença fundamental era na direção, em Onde os Fracos Não Têm Vez, grandes realizadores e em A Estrada, John Hillcoat. Diretor bastante desconhecido e com pouca experiência com cinema, no entanto, com larga e boa experiência musical, algo que reflete e muito bem em seu filme. Viggo Mortensen (jamais é mencionado o seu nome ou de qualquer outro personagem) interpreta um homem que juntamente com seu filho pequeno, percorre um país devastado por eventos climáticos e com raríssimos sobreviventes, dentre eles, a grande maioria tornaram-se selvagens, e até canibais (na falta de outras fontes de alimentação), enquanto que Mortensen procura educar seu filho em meio a tudo isso da melhor forma possível, é válido traçar um paralelo deste filme com o recente do coreano Bong Jon-hoo,“Mother”, onde a figura materna é tratada e sintetizada da melhor forma que já tive oportunidade de ver, aqui troca-se a mãe pelo pai e temos um resultado similar. Apesar das dificuldades enfrentadas com clima, comportamento e tudo o mais que se pode esperar por um mundo praticamente morto e sem abundância de fontes para sobrevivência, “o pai” jamais esmorece (com uma única exceção numa situação limite) em sua postura sempre positiva e procurando passar força ao seu filho, mesmo que tais preceitos morais provavelmente jamais tenham grande aplicação, tendo em vista a expectativa de vida que essas pessoas têm – quase nula.
A Estrada é, portanto, uma bela alegoria do amor de um pai por seu filho, tentando sempre cultivar o melhor nele, com os melhores exemplos possíveis, jamais se entregando a selvageria que toma conta do mundo, pena que, justamente nessa coisa “pai e filho” o filme acabe pecando pelo excesso, já que me incomodou relativamente bem o personagem do filho em determinados momentos, nada que não seja abafado pela bela fotografia em tons laranja-cinza-vermelho (sempre gélidas) no presente e, no passado, durante os flashbacks, com bastante brilho, luminoso diria, dando o tom óbvio da diferença de sentimentos que os personagens experimentam antes e depois dos eventos cataclísmicos e pela bela inserção de Robert Duvall, no que considero o melhor momento do filme. Enfim, se Mad Max fosse um drama, seria “A Estrada”.
3/4
8 Responses to A Estrada (The Road – John Hillcoat, 2009)