Os pés como ferramentas pra narrativa são objetos recorrentes em A Morte num Beijo (para transmitir o desespero, o antagonismo ou a própria morte). As escolhas do Aldrich na hora de posicionar a câmera fazem uma espécie de rima com o crescente anarquismo que vai despindo o que parecia um noir clássico para revelar um thriller surreal que flerta o tempo inteiro com um perigoso limite entre o suspense e o horror. A câmera entre grades, pára-peitos, em frestas próximas ao teto, levemente na diagonal na cena em que Gabrielle desce as escadas, no chão na cena final da praia – vão sugerindo um certo voyerismo ao espectador, como se as lentes não estivessem à vontade, como se você fosse espremido e enfiado em todos os cantos possíveis pra poder observar os personagens sem que os personagens pudessem saber que são observados. É um esconde-esconde, é genial, e apesar de conceitualmente ser muito interessante, o que interessa mesmo é que A Morte Num Beijo é bonito pra caralho.
Texto: A Morte Num Beijo (Robert Aldrich, 1955) – Daniel Dalpizzolo – 4/4


















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