


Esse é mestre até dizer chega. Ele consegue transformar aquela névoa em um ser vivo, pulsante, a filma com tanta força que por vezes até parece ganhar forma, como a de um lobo circulando uma presa, com calma, pronto pra dar o bote, ou até de um dedo insinuante te chamando pela fresta de uma porta, ou de um etc. Aquela névoa vira tudo, ele a filma com tanta elegância, com tanto respeito em aguardar todas as possíveis metamorfoses que ela poderia sofrer, que a cena ganha uma força visual absurda, é lindo demais ver a névoa deslizando por aquela cidade, calmamente, como se fosse farejando a procura de sobreviventes da ilha.
Fora que é tenso pacas. Muitas vezes ele foca o horizonte sem mostrar nada, apenas sugestionando que seja lá o que for, está chegando, e enraivecido, e então quando finalmente surge, banhada de luz, devorando tudo pela frente, criando muros em volta das casas, pra logo em seguida ouvirmos o som do gancho batendo na porta… E isso sendo narrado por aquela voz veludoza, e por vezes desesperada, ao fundo. É das coisas que só o Carpenter faz para você.
Mais uma OP desse velho que certamente já conheceu a parte negra do outro lado e agora voltou pra nos contar como é.
4/4
Screenshots!








20 Responses to A Bruma Assassina (The Fog – John Carpenter, 1980)