


Do cinema onde eu vi Ilha do Medo até minha casa é uma viagenzinha de uma hora e meia (na minha cidade só tem um cinema chulé onde não passa Ilha do Medo – na melhor das hipóteses, passa o filme da Carla Perez). E, nessa uma hora e meia, eu vim matutando pra definir o que eu achei desse filme.
Martin Scorsese é foda, cara.
Complicado falar do filme sem soltar spoilers (e eu não vou soltar nenhum), mas eu digo que o Scorsese, véio de guerra, conseguiu pegar um projeto que nas mãos de outro diretor certamente seria só mais um filmezinho de suspense e transformar em algo… em algo que só o Scorsese conseguiria filmar, porque ele é foda, cara.
Durante a investigação do personagem do Leonardo di Caprio dentro do presídio/hospício (isso não foi spoiler, todo mundo sabia, pelo menos, do que se tratava o filme), nós somos apresentados a personagens que se constróem e desconstróem constantemente. Somos jogados em meio a cenas inacreditavelmente bem filmadas (prestem atenção a uma cena em especial, que envolve uma sala, folhas de papel caindo, água, sangue e cinzas – wtf) e a um roteiro que, se não é brilhante, ao menos consegue ser muito superior à grande maioria daqueles que serviram de base pra 90% dos suspenses filmados nos últimos tempos.
Martin Scorsese é elegante pra caralho, também. A beleza de algumas cenas (inclusa a cena que citei lá em cima) me deixaram, realmente, de queixo caído. Mesmo não sendo o melhor filme da parceria que o Scorsese faz com Leonardo di Caprio (sou fãzóide de O Aviador), este Ilha do Medo merece ser visto com cuidado e carinho.
Até porque é do Scorsa e, sabem, ele é foda.
3/4
3 Responses to Ilha do Medo (Shutter Island – Martin Scorsese, 2010)