


Muito se falou sobre o filme de guerra que Tarantino pretendia fazer após completar Kill Bill. O elenco traria Sylvester Stallone, Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger; depois os rumores migraram para a escalação de Adam Sandler; a seguir o filme trataria de soldados condenados à morte… Veio o projeto Grindhouse, para o qual Tarantino filmou À Prova de Morte. Mas ele não havia esquecido o projeto de Bastardos Inglórios. No fim das contas: o elenco traz Mélanie Laurent, Cristoph Waltz e Brad Pitt. E os tais bastardos inglórios são um grupo de soldados infiltrados na França controlada pelos nazistas durante a Segunda Grande Guerra, com o objetivo de assassinar e aterrorizar soldados alemães.
Há muitos grandes cineastas ao longo da história do cinema. Para ir além do grupo dos ótimos e entrar no seleto rol dos gênios, é necessário fazer pelo menos um filme que seja maior que o próprio cinema, e Tarantino acaba de conseguir isso. Em Bastardos Inglórios ele perde totalmente o respeito por qualquer resposta pronta, por todas as regras. O diretor desmonta e remonta a obra a seu bel prazer, passeia por enquadramentos, por quebras de narrativa, mostra sequências românticas e matanças desenfreadas sem perder a mão em nenhum momento.
Mas o mais importante é que ele faz isso tudo e mesmo assim consegue não se afastar do público. De fato, é o contrário, o diretor parece estar continuamente dialogando com o espectador, questionando as impressões que este leva para o cinema. Quando o artista consegue se aproximar de tal forma daqueles que apreciarção sua arte, sem deixar de imprimir sua marca, como questionar o resultado?
O ato final de Bastardos Inglórios surge como um epifania, e confere tal poder à obra que é capaz de desvanecer qualquer dúvida acerca do que Tarantino vinha construindo até então. Não há pontas soltas, não há equívocos, nem aleatoriedade. Há uma idea brilhante, há um diretor brilhante executando essa ideia. O resultado disso é aquele filme citado no início, aquele que diferencia os artistas. E a conclusão disso você provavelmente já deduziu: Tarantino realizou sua obra prima.
4/4
Marcelo Dillenburg
ou: Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009) – Luis Henrique Boaventura – 4/4
ou: Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009) – Vinícius Laurindo – 4/4
7 Responses to Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds – Quentin Tarantino, 2009)