O Casamento de Rachel (Jonathan Demme, 2008)

Fazer um filme no esquema da câmera-olho, seguindo por todos os lados a ação e facilitando a idéia de naturalidade pode ser algo até batido, mas não posso negar que funcione muitíssimo bem no filme de Jonathan Demme. O grande ponto é a ocasião ali colocada, tão natural e presente nas vidas de todos nós, tão absurda e conflitante, pouco realista – são feitos como contos de fadas, fugas da realidade – e extraordinária: o casamento. A emoção é dada e as dores dos personagens parecem potencializadas pela falta do retorno, e com este retorno a revalidação de certos fantasmas e traumas que deveriam ficar mortos. Demme não os esconde muito, não cria expectativas altas em cima de suas revelações; em seu filme, as coisas são diretas quando devem ser, menos óbvias quando devem ser e tudo realmente parece seguir um fluxo necessário àquela narrativa.

Rachel Getting Married é, assim, um resultado da verdade daquela situação, e o olhar da câmera é fruto disso, não a cena fruto do olhar. A interação dos atores, o evidente despreendimento com o texto, tudo converge para uma natural falta de conforto e habilidade em chegar às conclusões para o drama de cada um daqueles personagens. Que todos se amem, que todos se odeiem e que digam o que tiver que dizer; o filme tem vontade. Na verdade, o filme é filho da vontade do que vive na tela. Ótimo trabalho.

Sobre o elenco, Bill Irwin com umas cenas muito boas, saindo de amarras que pareciam evidentes no início, para um personagem quase estigmatizado. Rosemarie DeWitt, incompreensivelmente não-indicada ao prêmio de atriz coadjuvante, num trabalho de entrega à sinceridade almejada. Elenco de apoio muito bom, no qual se pode incluir, de certo modo, Debra Winger. E sobre Anne Hathaway, pena, o Oscar perdeu outra ótima oportunidade pra ser levado a sério.

3/4

Thiago Macêdo Correia

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