Foi Apenas um Sonho (Sam Mendes, 2008)

Pode-se fazer um paralelo com esse filme e Beleza Americana (que é bom, mas não mereceu tantos Oscars assim). Principalmente na questão envolvendo “a ilusão do sonho norte-americano”, só que aqui essa imagem é transportada para os anos 50. Ou seja, ter uma bela casinha num lugar bucólico, ter um emprego, filhos, uma bela esposa que cuida do lar e dos filhos, enfim, tudo que era considerado o modelo de perfeição naquela época.

Acontece que, ao contrário do seu filme oscarizado, Sam Mendes não investe na ironia e mergulha de cabeça no drama dos protagonistas em querer sustentar este sonho norte-americano. E muito do sucesso desse longa pode ser creditado à fotografia do Roger Deakins que, através do jogo de luzes, ressalta o estado de espírito dos protagonistas, que estão bem (mas nada digno de nota). É curioso também notar que, no meio desse turbilhão de emoções, o único que tem pela consciência de que esse modelo perfeito não existe é o personagem interpretado por Michael Shannon.

Pena que Sam Mendes resolve diminuir o impacto da sua obra nos minutos finais, onde ele simplesmente deixa explícito, sem a maior necessidade, o epílogo da tragédia que se desenhava durante o filme. Caso terminasse o filme cinco minutos antes, teríamos um impacto muito maior, um final muito mais elegante e interessante, sem a necessidade de desenhar com todas as letras a mensagem do filme.

2/4

Adney Silva

ou: Foi Apenas um Sonho (Sam Mendes, 2008) – Thiago Macêdo Correia – 1/4

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